O emaranhado do mapa

Se você olhou para o último post e ficou atordoado, embasbacado, quem sabe até mesmo levemente desnorteado com o trajeto complicado e sem lógica espacial das notas — que iam de Teresina à Alemanha, do Rio Grande do Sul ao pretérito perfeito, no mais descarado desrespeito à linearidade –, é porque você não viajou com a caravana Rumos de ontem pra hoje. Acredite, quilométrico leitor, há caminhos mais malucos andando por aí, nesta dimensão fantasiosa que chamamos de realidade. Mas divago, e perco o fio da meada. Voltemos aos fatos, e fato é que o roteiro de viagem da caravana de Macapá até Boa Vista incluiu, entre outras coisas, uma escala em Brasília. Finda a aventura (desta viagem, não da viagem), erguida a cortina do cansaço, no meio disso tudo, no mais inesperado contexto, eis que o anseio narrativo do expedicionário Claudiney Ferreira fala mais alto, e ele nos envia belas fotos e curiosas notas endereçadas a você. É só seguir:

“Caro leitor,

A subcaravana Rumos 2009 no Norte já está em Boa Vista, depois de uma viagem que durou 12 horas. Saimos do hotel Macapá (AP) às 3h30 da manhã desta quinta-feira e chegamos ao Hotel Aipana, em Boa Vista (RR), às 15h. Ficamos presos nas poltronas do avião por 8h30 — paramos em Belém, depois pegamos uma conexão em Brasília e voamos para Boa Vista. Mas com uma paradinha em Manaus (AM) antes.

Boa Vista cresceu muito desde a última vez em que estivemos aqui, em 2004. A cidade tá bem bacaninha.

Mas o caso é que devemos algumas notas sobre Porto velho e Macapá.

Sem demora, elas seguem abaixo”.

Santo Antônio meio descasado

 

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Rumo ao Rio Madeira

 

Domingo, 29 de Março, 11 da manhã. Depois de passar no mercado de Porto Velho (você só conhece de verdade uma cidade se visitar seu mercado central) e passar a contar com a companhia do Divino (depois explico essa história melhor), Marcelo e eu decidimos aturistar e fazer uma viagem de barco pelo Rio Madeira. Uma hora de navegação a cinco reais por cabeça. Valeu a viagem por dois motivos. Pela paisagem e pela história em construção que registramos.

O passeio nos levou até perto dos canteiros de obras da polêmica hidrelétrica de Santo Antônio, a mesma que, ao lado de sua irmã Jiraú, provocou discussões emocionadas sobre a necessidade de sua construção”. 

 

Foto tirada do quarto do hotel. A usina está ao fundo

Foto tirada do quarto do hotel. A usina está ao fundo

 

“A usina está localizada a cinco quilômetros do porto da cidade. Se a hidrelétrica vai beneficiar ou não toda a região e o Brasil, não cabe a mim avaliar. O que percebemos no pequeno passeio de turista aprendiz é que a usina já alterou a paisagem do Madeira”. 

 

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Conjunto habitacional do outro lado do rio, para onde foi deslocada a população ribeirinha

 

[Claudiney Ferreira]

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Eliane Brum mandou um postal

Desembarcou ontem em Rondônia e lembrou de você, presenteado leitor, que fica agora com as primeiras impressões de viagem da jornalista que ministra hoje na Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular

***

“Acabamos de chegar à Porto Velho. Senti um cheiro tão bom quando desci no aeroporto, mas ainda não identifiquei o que é. Quando souber, eu conto. Cada lugar tem um cheiro diferente, é um pouco como os livros. A gente cheira o livro e, mesmo que ele tenha o mesmo tipo de papel, o cheiro nunca é igual. É um mistério que talvez um gráfico saiba explicar, mas há mistérios que é melhor não desvendar. Toda leitura, no meu ponto de vista, começa por uma boa cafungada bem no meio do livro.

Eliane com a turma do Acre

Eliane com a turma do Acre

“Já deu saudades do Acre, claro. A turma lá foi bárbara. Tanta gente curiosa, com amor pelas palavras! Pedi para cada um se apresentar como se fosse um personagem, contando apenas aquilo que coubesse num minuto, o essencial do essencial, segundo seu olhar sobre si mesmo. Alguns, muitos, se apresentaram de um modo que dava vontade de passar o dia ouvindo. Tive de prender a língua entre os dentes para não parar tudo só para investigar um tantão mais.
A Cecília França é uma dessas vidas que parecem fazer bem ao mundo. Ela é uma paranaense recém-chegada ao Acre. Criou um blog com um nome muito instigante: “forasteirismo”.  Ela me entrevistou ao final da oficina. Veja o que escreveu no seu blog. Mando o link para que as pessoas possam se aventurar pelo blog da Cecília e saber mais sobre uma forasteira sulista no Acre.

Até a próxima! Amanhã [hoje, sexta-feira] a oficina é em Porto Velho. E, como sempre, estou com um iceberg na barriga, apesar do calorão do inverno amazônico. O que será que vai acontecer???”

[Eliane Brum]

***

Amanhã, ainda em Porto Velho, das 9h às 18h, Fabio Malini fala sobre Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede. O endereço:

Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira

Rua José Amador dos Reis, nº2938, Bairro JK1

Mais programação.

A caravana ligou pra contar

Em Brasília, 19h. Sonia Sobral, gerente do Rumos Artes Cênicas, avisa que o bate-papo inaugural do Rumos 2009 em Brasília atraiu mais que candidatos ao programa. “Reconheci pessoas ligadas às artes cênicas na platéia que não são potenciais inscritos e que foram para ouvir a Christine Greiner”. Estudantes da área de arte e tecnologia também estiveram presentes, motivados pela presença da professora Suzete Venturelli.

Candidatos ou não, o público se mostrou muito menos platéia e muito mais interlocutor. Interessado e ativo, sim, lá em Goiânia também — Kety Fernandes, coordenadora do Rumos Cinema e Vídeo, ligou pra contar. Em Goiânia foi Ivana Bentes quem inaugurou os trabalhos do Rumos 2009, conversando com cerca de 60 pessoas sobre convergência de mídias e linguagens.

Goiânia de olhos e ouvidos atentos...

Goiânia de olhos e ouvidos atentos...

...À palestrante Ivana Bentes

...à palestrante Ivana Bentes

Quem estiver em uma das duas cidades ainda tem tempo de participar. Hoje à noite, Christine Greiner palestra no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, enquanto em Brasília Vera Sala discute processos criativos em dança.

Enquanto isso, no ciberespaço

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A equipe do Overmundo faz o convite para a oficina de introdução à web colaborativa que acontece amanhã em Brasília, e fala um pouco da parceria com o Itaú Cultural. Assim falou o Observatório:

A oficina [ministrada por Viktor Chagas], com duração de três horas, dá uma pincelada na história da internet e da Web 2.0, faz um passeio por sites que usam estrutura colaborativa, aborda a questão da escrita no meio virtual e as mudanças no cenário cultural causadas pelas novas tecnologias. Entre março e abril, vamos participar da caravana também em Recife (março, na Fundação Joaquim Nabuco), no Rio de Janeiro (abril, na UFRJ), em Belo Horizonte (abril, no Museu Inimá de Paula) e Porto Alegre (abril, Centro Cultural Érico Verissimo).

E disse tudo. A expectativa é grande dos dois lados da parceria. E pode ser dos TRÊS lados, se o público animar com a gente. Quem estiver em Brasília é convidado!

Rumos 2009: bem-vindo a esta idéia

Imagine uma idéia depois do seu início e antes do seu fim. Uma idéia andando. Sempre em movimento. Isto se chama processo.

O Rumos Itaú Cultural funciona assim. Idéia em movimento, nunca acabada, nunca próxima do fim – embora esteja na estrada há um bom tempo.

Há 12 anos o programa incentiva e fomenta a produção artística e intelectual brasileira em diversos setores e formatos. Os números do Rumos alcançam até agora 18 mil projetos inscritos e 794 contemplados, que atingiram/atingem um público de cerca de 2 milhões de pessoas em todo o país com eventos, apresentações e produtos apresentados e distribuidos sempre gratuitamente.

Por isso, embora novos editais do Rumos estejam sendo lançados, e embora o programa marque o início das atividades anuais do Itaú Cultural, vamos começar dizendo que esta semana o Rumos não começa – ele continua

Nesta terça, dia 03, acontece a abertura oficial do Rumos 2009, e a partir da quarta-feira estarão abertas as inscrições para projetos em Arte Cibernética, Cinema e Vídeo, Dança e Jornalismo Cultural (você pode se inscrever gratuitamente aqui, e conhecer um pouco mais as propostas dos editais nos links ali na parte superior do blog). Só que enquanto algumas áreas abrem editais, outras ainda reverberam atividades iniciadas nos anos anteriores. É o caso do Rumos Música, que promove uma série de shows ao longo desta semana, até domingo, dia 08.

Na sequência, a partir do dia 09, equipes ligadas aos núcleos responsáveis por cada um dos editais percorrerão as 27 capitais brasileiras para discutir um tema fundamental aos quatro programas: o processo de criação.

Durante os meses de inscrição do Rumos, esta verdadeira caravana se fará presente em cada estado do país, divulgando, refletindo e construindo junto ao público uma compreensão comum dos fenômenos culturais abordados pelos editais. Provocando, afinal, diálogo.

Este blog existe para ser parte desse processo, e para ser seu local de registro e memória. Aqui você acompanha a repercussão dos debates em cada cidade, tira dúvidas, dialoga e entende melhor como mapeamos o país em busca de talentos emergentes nas mais diversas áreas. A história, as histórias, os bastidores, os conceitos, as idéias que movem o programa e as notícias da viagem são a matéria-prima do que o leitor encontrará aqui.

A construção do blog, como a do próprio Rumos, é um processo aberto, do qual o diálogo é parte essencial. O leitor está convidado para a viagem que se inicia agora. Nenhum capacete, cinto de segurança ou bote salva-vidas, no entanto, acompanham o bilhete de embarque. Estas coisas vão de encontro àquilo que tem motivado o Rumos em todos esses anos: a disposição para o risco e para experimentar.