Rumos Teatro chega a São Luís

Caçula dos editais, o Rumos Teatro saiu cedo de casa e começa hoje a etapa de difusão do programa pelo país. De hoje até a próxima quinta-feira, e no sábado, dia 9 (sábado), a trupe pousa em São Luís, onde participa da programação do Conexão Dança.

Para começar, tem a oficina que os catarinenses do ERRO Grupo e os paranaenses da Cia Silenciosa realizam de 4 a 7 de junho, na Sala de Dança do Centro de Ciências Humanas (CCH) da UFMA, das 12h às 17h. A ideia é colocar os 20 inscritos em contato com os experimentos que os dois grupos desenvolveram juntos, sobre a presença cênica e suas mediações em Florianópolis, Curitiba e São Paulo.

No dia 6, quarta-feira, às 10h, ainda no CCH, acontece a exibição do documentário Evoé! Retrato de um Antropófago, de Tadeu Jungle e Elaine Cesar,  sobre o diretor, ator e dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina. O filme retrata viagens a quatro pontos chave de sua trajetória: o Sertão da Bahia, Praia de Cururipe em Alagoas (onde o Bispo Sardinha foi devorado), Epidaurus (morada de Sêmele, mãe de Dionísio) e Atenas, na Grécia, e seu apartamento em São Paulo. Este que vos escreve viu o filme cinco ou seis vezes, e recomenda todas elas – bem como os demais filmes da série ICONOCLÁSSICOS, lançada em 2011 pelo Itaú Cultural, sobre Itamar Assumpção, Paulo Leminski, Nelson Leirner e Rogério Sganzerla.

Mas onde estávamos, nobre leitor, valiosa leitora? Ah, São Luís, dia 9, sábado: às 17h, no glorioso Chico Discos, a gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, Sonia Sobral, encerra a participação do Rumos Teatro no Conexão Dança, com uma conversa sobre produção e pesquisa na área. Ela também apresenta ao público o livro Próximo Ato: Teatro de Grupo, lançado em 2011 pelo instituto, dentro da Mostra Rumos Teatro. A obra apresenta 25 textos de autores como Beatrice Piccon-Vallin, Erika Fisher, Beth Néspoli, Luis Fernando Ramos, Edelcio Mostaço, Silvia Fernandes, Celso Frateschi, Oscar Cornago e Kil Abreu.

Quer saber mais? Siga abaixo e vá em frente, conferir a programação.

SERVIÇO
Difusão Rumos Itaú Cultural Teatro em São Luís
Na programação Conexão Dança
Informações: conexaodanca.slz@gmail.com

Oficina Grupo Erro e Companhia Silenciosa
De 4 a 7 de junho de 2012, das 12h às 17h
Capacidade: 20 vagas
Inscrições: pelo site http://www.wix.com/conexaodanca/blog
Classificação Indicativa: 16 anos

Apresentação do documentário Evoé
Dia 6 de junho de 2012, às 10h
Capacidade: 100 lugares
Classificação Indicativa: 16 anos
Entrada franca

Universidade Federal do Maranhão
Centro de Ciências Humanas
Avenida dos Portugueses, s/n, Bacanga

Bate papo com Sonia Sobral e apresentação do livro Próximo Ato
Dia 9 de junho de 2012 (sábado), 17h
Capacidade: 60 lugares
Classificação Indicativa: livre
Entrada franca

Chico Discos
Rua de São João, 389B, esquina com Afogados, Centro

A saudade de Sonia

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Sonia Sobral, gerente do núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, descobriu Boa Vista e nos mandou um texto cheio de saudade do extremo Norte do Brasil. Falou da cidade, das surpresas, dos percursos, de peixada (nas andanças por este quilométrico país a culinária é sempre uma agradável descoberta, guloso leitor) e da palestra do artista piauiense Marcelo Evelin, que logo mais bate um papo sobre Processos de Criação na Dança com a turma de Manaus, ao lado de Christine Greiner, que fala sobre A importância do corpo nos processos de criação em arte contemporânea. Às 19h, no Palacete Provincial.

A turma da dança em Roraima

A turma da dança em Roraima

Sonia mandou um retrato falado, e Marcelo Monzani as fotografias. Já viu como é o Norte? Então veja.

*

“Sabia pouco sobre Boa Vista, que está perto da Venezuela e da Guiana, e mais perto ainda da Raposa Serra do Sol. Depois das longas horas no avião finalmente chegamos ao céu de Roraima. Turbulência. Chovia forte. Desci de madrugada numa Boa Vista molhada e fresca. Foi esta a primeira surpresa — achei que o calor encheria minha chegada.

“No taxi para o hotel, já começaram minhas perguntas. Fui informada de que lá é começo de inverno. Isso me deu, mais uma vez, a dimensão deste país. Como, num mesmo país, há lugares em outras estações do ano. Achei o máximo. Segunda coisa que aprendi no taxi: mais ou menos metade da população de 270 mil habitantes é de migrantes. Perguntei de onde, me disse o paciente motorista que de vários lugares: Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Sul. Na hora do almoço notei os restaurantes fechados. Eles fazem a ciesta.

“Andei. Vi ruas largas, não vi edifícios vi muitas cores nas casas e prédios e vi, assim como também em toda a região centro-oeste [por onde Sonia também passou com a caravana Rumos], a visão contínua e insistente do céu. Se os portugueses diziam: tanto mar, lá diremos: tanto céu. Uma noite o céu estava vermelho. Emocionante. 

“O sotaque é gentil como são os roraimenses. Fomos convidados a comer uma peixada, uma noite, na casa de alguém que nem nos conhece. Quer coisa mais brasileira? Não vai dar tempo de ver e saber muito mais: amanhã é domingo e com 06 horas de viagem chegarei a São Paulo e verei muitos edifícios, poucas árvores e pouco horizonte.

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“O encontro com Marcelo Evelin (PI) foi execelente. Apesar de pouca gente Marcelo deu conta de falar de processo de criação e de dança contemporânea de forma clara e inteligente. Boa Vista é a única capital brasileira que não possui um teatro público em funcionamento. A Universidade tem apenas 20 anos. O campus parece um canteiro de obras. Há muito o que ser construido por lá. E os habitantes da cidade têm disposição pra isso”.

[Sonia Sobral]

Daqui, dali, de lá também

Bom-dia, amizade, e bem-vindo. Bem-vindo à segunda-feira desta semana que começa na terça para a caravana Rumos Itaú Cultural 2009. Começa é modo de falar, claro, já que esta fase das itinerâncias dá continuidade à programação na região Norte, muito bem iniciada na semana passada, da qual ainda há muito o que se ver e falar.

Mas vamos por partes, a gente chega lá. Começando do começo, mesmo que começo seja só modo de falar: a caravana ruma para Macapá (AP), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Manaus (AM), como você sabe. Um parêntese: alô, paraenses — já estão rolando as inscrições para as oficinas dos dias 06 e 07 de abril, lá no IAP, Instituto de Artes do Pará. Fecha parêntese.

Voltando ao muito o que se ver e falar da semana que passou, ainda por partes, pra não perder o costume. Fabio Malini escreve sobre a blogsfera acreana. Claudiney Ferreira e Marcelo Monzani dão provas do paradeiro da caravana em Porto Velho — a mesma caravana que desembarca hoje em Macapá. Sonia Sobral rima com Natal, conta como foram as palestras por lá e o contato com a turma.

Rio Branco>>Porto Velho
 

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

“Quinta-Feira, 17h40. Depois de uma hora de voo, a subcaravana Norte do Rumos 2009 chega a Porto Velho. Eliane, Fábio e Claudiney clicados por Marcelo Monzani, produtor-executivo  da caravana nacional Rumos 2009. 27 graus. Havia chovido muito antes do desembarque”.

[Claudiney Ferreira]

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Lá em Natal foi assim

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“No Instituto de Artes da UFRN recebemos 72 pessoas no primeiro dia e 80 no segundo. O cearense Daniel Cardoso começa nos contando que definiu seu objeto de pesquisa do mestrado quando chegou em São Paulo, uns 10 anos atrás, e foi a uma exposição no Itaú Cultural que tinha como tema o trabalho do artista, seu processo, portanto, e que era incrível que nesse momento ele estivesse dando uma palestra sobre processo de criação e o fazer artístico para um programa do Insituto.

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Daniel Cardoso

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Sonia Sobral

O artista Vanilton Lakka

O artista Vanilton Lakka

“Já o coreógrafo uberlandense Lakka decantou seu processo de criação. Começou com dança de rua, atravessou palcos e festivais e hoje se insere no circuito da dança de pesquisa. Muitas perguntas e uma conversa boa encerraram a passagem do Rumos em Natal. O potiguar se orgulha de ser um pessoal hospitaleiro. ‘Nosso diferencial’, dizem eles, e com toda razão”.

[Sonia Sobral]

O Rumos não tem fórmula, mas está cheio de receitas

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Sim, guloso leitor, a culinária tem se mostrado, digamos assim, uma voraz interlocutora da caravana Rumos 2009 espalhada pelo variado cardápio de tão vasto país. E de mais longe ainda, como se Brasil pouco fosse bobagem. De Campo Grande (MS) ouvimos falar de um delicioso lámen, tradicional iguaria oriental a exalar seu colorido sabor lá do meio dos grandes campos do Brasil.

Faz sentido a mistura? Se faz. Pra começo de conversa, Campo Grande possui uma comunidade japonesa menor apenas que a de São Paulo. E não pára por aí: a comilança se deu na noite em que a artista nisei Letícia Sekito dividiu com o público a experiência de sua trilogia Disseram Que Eu Era Japonesa, Eu disse:, e O Japão Está Aqui?

A artista Letícia Sekito

Letícia Sekito: reinventar identidades transitórias no corpo

Conforme conta Sonia Sobral, representante do Itaú Cultural na cidade, Letícia conversou “sobre a relação entre corpo e cultura, que adentra as possibilidades de reconstruir ou reinventar identidades transitórias no corpo”.

Além disso, e antes da artista, a professora Laís Guaraldo inaugurou o seminário com um pé no oriente. Mas desta vez era um provérbio, esfomeado leitor: não há bons ventos para quem está sem rumo. Nem para quem está sem Rumos, diria outro monge, este de espírito trocadilhesco. A partir daí, Guaraldo “abordou o processo criativo como lugar de incertezas, um movimento contínuo de ações cognitivas que incluem percepção apurada, repertório, associações, experimentações com linguagem, armazenamento de dados e conjunto de referências”.

Laís Guaraldo

Laís Guaraldo: a criação como lugar de incertezas

Sonia também conta que boa parte do público de quase 50 pessoas era composta por bailarinas, e que sim, foi este atento auditório que após as apresentações conduziu a equipe ao manjar transcultural.

O público: da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul ao restaurante japonês

O público: da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul pro restaurante japonês

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E logo mais o Rumos inaugura o papo em Fortaleza (CE), às 20h, com a palestra Processos de Criação. Com a palavra, a crítica de arte e cultura e psicanalista Suely Rolnik, professora titular da PUC-SP e fundadora do Núcleo de Estudos da Subjetividade da pós-graduação em Psicologia Clínica. Confira a programação da sequência:

20/03, das 14h às 18h — Oficina Documentário para Web, com Joel Pizzini

O curador, pesquisador de novas linguagens e premiado autor de ensaios documentais Joel Pizzini dá uma lição prática sobre a forma do documentário para web. Pizzini é também professor da Faculdade de Artes do Paraná, e responsável pela restauração da obra do cineasta Glauber Rocha.

21/03, das 9h às 18h — Oficina Em busca do personagem: um olhar singular, com José Castello

Castello leva o bom papo e sua enorme experiência também para Fortaleza.

21/03, às 20h — Palestra O Real Imaginado: O Documentário de Criação, com Joel Pizzini

Pizzini leva a público uma reflexão sobre autores que reinventaram a memória histórica, política e poética, de Alberto Cavalcanti a Glauber.

Com o apoio da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza, a programação na cidade acontece na Vila das Artes

Rua 24 de Maio, 1221, esquina com a rua Meton de Alencar

A caravana ligou pra contar

Em Brasília, 19h. Sonia Sobral, gerente do Rumos Artes Cênicas, avisa que o bate-papo inaugural do Rumos 2009 em Brasília atraiu mais que candidatos ao programa. “Reconheci pessoas ligadas às artes cênicas na platéia que não são potenciais inscritos e que foram para ouvir a Christine Greiner”. Estudantes da área de arte e tecnologia também estiveram presentes, motivados pela presença da professora Suzete Venturelli.

Candidatos ou não, o público se mostrou muito menos platéia e muito mais interlocutor. Interessado e ativo, sim, lá em Goiânia também — Kety Fernandes, coordenadora do Rumos Cinema e Vídeo, ligou pra contar. Em Goiânia foi Ivana Bentes quem inaugurou os trabalhos do Rumos 2009, conversando com cerca de 60 pessoas sobre convergência de mídias e linguagens.

Goiânia de olhos e ouvidos atentos...

Goiânia de olhos e ouvidos atentos...

...À palestrante Ivana Bentes

...à palestrante Ivana Bentes

Quem estiver em uma das duas cidades ainda tem tempo de participar. Hoje à noite, Christine Greiner palestra no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, enquanto em Brasília Vera Sala discute processos criativos em dança.

Enquanto isso, no ciberespaço

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A equipe do Overmundo faz o convite para a oficina de introdução à web colaborativa que acontece amanhã em Brasília, e fala um pouco da parceria com o Itaú Cultural. Assim falou o Observatório:

A oficina [ministrada por Viktor Chagas], com duração de três horas, dá uma pincelada na história da internet e da Web 2.0, faz um passeio por sites que usam estrutura colaborativa, aborda a questão da escrita no meio virtual e as mudanças no cenário cultural causadas pelas novas tecnologias. Entre março e abril, vamos participar da caravana também em Recife (março, na Fundação Joaquim Nabuco), no Rio de Janeiro (abril, na UFRJ), em Belo Horizonte (abril, no Museu Inimá de Paula) e Porto Alegre (abril, Centro Cultural Érico Verissimo).

E disse tudo. A expectativa é grande dos dois lados da parceria. E pode ser dos TRÊS lados, se o público animar com a gente. Quem estiver em Brasília é convidado!