Curitiba também

Depois de José Castello em Teresina, é a vez de Cecília Almeida Salles prosear com a TV, desta vez em Curitiba, onde palestrou na véspera do feriadão

Depois de José Castello em Teresina, foi a vez de Cecília Almeida Salles prosear com a TV, desta vez em Curitiba, onde palestrou na véspera do feriadão

 

“Assuntos tão diversos como o número Phi, Teologia Natural, Charles Darwin, crítica genética, exemplos e paralelos entre artistas e cientistas resultaram em visão privilegiada dos processos de criação. Prova da sintonia total entre as palestras do Nélio Bizzo e da Cecília Almeida Salles“, descreve Marcos Cuzziol, representante do Rumos Arte Cibernética na terra do Tio Lema.

 

Marcos Cuzziol apresentando o Rumos em Curitiba

Marcos Cuzziol apresentando o Rumos em Curitiba

 

“O público, antenado e participativo, soube explorar esse conteúdo instigante com perguntas afiadíssimas, que renderam aprofundamentos inesperados. Um verdadeiro show”.

 

A turma que deu um show

A turma que deu um show

 

As fotos são de Marcelo Monzani.

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Expedição aos porões da ditadura

Castello, Monzani e o artesão Carlos Oliveira, que preserva intacto em seu ateliê um capítulo da nossa história da violência

Castello, Monzani e o artesão Carlos Oliveira, que preserva intacto em seu ateliê um capítulo da nossa história da violência

Por essa eles não esperavam. Das verdes matas e amarronzados rios amazônicos, nossos expedicionários Marcelo Monzani, José Castello e Claudiney Ferreira fizeram uma viagem de volta aos subterrâneos do Brasil. Mais precisamente de Teresina, e mais precisamente ainda da Teresina dos tempos de ditadura.

O que é hoje o Centro de Artesanato de Teresina foi construído para ser o quartel da polícia do Piauí. Com a chegada da Redentora em 1964, o local passou e sar utilizado pelos militares. O Box 43 do Centro de Artesanato, chamado de Arte Artista, pertence ao artesão Carlos Oliveira, que trabalha principalmente com madeira. É ali embaixo que permanece preservada a sala de tortura do antigo quartel.

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“O calabouço abaixo do ateliê é um verdadeiro buraco medieval, sem janelas, sufocante, que ainda traz as marcas de sangue e das cassetadas nas paredes”, descreve Claudiney, autor das fotos. Além de uma limpeza básica no chão do porão, que ainda continha os dejetos dos prisioneiros, Carlos fez questão de manter intactas as marcas da história. Uma história próxima, mas difícil de se alcançar. A escada que lhe dá acesso é quase em 90 graus.

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“É muito bacana que o Carlos preserve esse lugar, mas o lugar é tenebroso”, diz o oficineiro José Castello, clicado nas últimas fotos ao lado de Marcelo Monzani. Aliás, sobre as fotos, Monzani registra que ficaram muito boas…No mau sentido. “Elas estetizaram o lugar, não dão dimensão do quanto é um ambiente pesado, escuro, sujo”, compartilha. “Essa sala tem as marcas do tempo. Um tempo sombrio e amargo”.

Em Manaus foi lindo, e a semana será

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A passagem da caravana Rumos Itaú Cultural 2009 por Manaus (AM) foi rápida como um post, condensou duas palestras num só dia [07/04, A importância do corpo nos processos de criação em arte contemporânea, com Christine Greiner, e Processos de Criação na Dança, com Marcelo Evelin] mas nem assim a cidade, os habitantes, a continental exuberância amazônica e o público que apareceu para o papo deixaram de marcar os peregrinos rumeiros e o olhar narrativo e fotográfico de Cristina Espírito Santo, nossa coordenadora de Artes Cênicas que, ao lado dos dois palestrantes e do produtor executivo Marcelo Monzani, se aprofundou no Brasil profundo e saiu feliz e atordoada, segundo nos conta e você confere agora, segundafêirico leitor. Limpe a vista, gotas de colírio natural pingando foto a foto, fato a fato, na sua face.

Bem-vindo a Manaus:

“Nem sei como começar”, Cris começa. “Aportamos lá dia 06 de abril — eu, Marcelo Evelin, Marcelo Monzani e Christine Greiner para a palestra que seria realizada no Palacete Provincial , um belo prédio construído em 1861 e que durante um período de mais de cem anos abrigou o Comando da Polícia Militar. Agora, devidamente tombado, foi restituído à população e forma um complexo que abriga o Laboratório de Arqueologia Alfredo Mendonça de Souza, a Cela Memória e Arena de Artes Newton Aguiar, destinada à realização de espetáculos ao ar livre de música, dança, teatro e cinema, a Pinacoteca do Estado, o Museu da Imagem e do Som do Amazonas, o Ateliê de Restauro de Obra de Arte e Papel, o Museu de Numismática Bernardo Ramos, o recém-criado Museu de Arqueologia e o Museu Tiradentes“.

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“Ufa! Isso é que é um espaço ‘multiuso'”, define suspirante. E prossegue: “A palestra acabou sendo na verdade uma conversa com as comunidades locais de dança e teatro, e mais uma vez o público e os palestrantes se empolgaram e a conversa durou 03 horas e meia. Novamente percebemos que a reflexão compartilhada e a interlocução com os artistas locais são uma estratégia que dá certo. Christine Greiner e Marcelo Evelin conseguiram criar uma atmosfera de troca de informações e experiências, além de responder a uma série de angústias e questões dos artistas presentes”.

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“No mais, nossa expedição em Manaus não podia deixar de ser tomada pelo clima local, e mergulhou fundo nas águas do Rio Negro, indo ao encontro do Solimões e dos igarapés, igapós, palafitas, vitórias-régias, botos, iguanas, samaúmas, tucanos, garças, pirarucus, tambaquis, tanta beleza e diversidade que ficamos atordoados. Sabe assim, atordoado de beleza? Pois é!”

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“É claro que não podíamos deixar de exibir os nossos momentos pitorescos, estrelados pelo nosso já famoso produtor executivo Marcelo Monzani e pelo nosso palestrante Marcelo Evelin. Os dois Marcelos resolveram preparar-se devidamente para encarar as águas amazônicas tomando uma beberagem que atende pelo nome de Viagra Natural”.

Marcelo Evelin estranha, no início...

Marcelo Evelin estranha, no início...

Já Marcelo Monzani era só sorrisos...

Já Marcelo Monzani é só sorrisos...

Diante das beberagens amazonenses

Diante das beberagens amazonenses

“A beberagem é muitíssimo estranha e confesso que temi pelo bom andamento da nossa aventura, mas até onde pude ver, nossos heróis não sofreram nenhum tipo de efeito colateral”.

[Cristina Espírito Santo]

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E enquanto a terça-feira não chega, com a novíssima etapa das itinerâncias Rumos 2009 — alô-alô, Aracaju! Alô, Vitória! Salve-salve, Cidade Maravilhosa! –, numas de deixar este post mais bonito confira mais algumas fotos enviadas por Cristina. No finalzinho, a programação da semana.

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Itinerâncias da semana:

Aracaju, SE: 14 e 15 de abril, Sociedade Espaço Semear

14/03, às 19h — Palestra A importância do corpo nos processos de criação em arte contemporânea, com Christine Greiner

15/04, às 19h — Palestra Processos de Criação na Dança, com Lia Rodrigues

Vitória, ES: 16 a 18 de abril, Universidade Federal do Espírito Santo

16/04, das 9h às 13h — Palestra Convergência das Mídias e Linguagens, com Ivana Bentes, e Palestra Linguagens em trânsito: o audiovisual nas redes e as tecnologias recentes de produção de imagens, com Lucas Bambozzi. Local: Auditório do Centro de Artes da UFES.

17/04, das 14h às 18h — Oficina Filmes e vídeos experimentais, com Lucas Bambozzi

18/04, das 9h30 às 18h — Oficina Em busca do personagem: um olhar singular, com José Castello

[Serão oferecidas 30 vagas para as oficinas. As inscrições podem ser feitas na UFES/Cemuni I, sala 28 – Laboratório de Internet e Cultura (Labic) – Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras – Vitória – ES – CEP 29075-910 – com Flávia ou Yuri – das 14h às 18h – de 06 a 15 de abril (exceto dias 10,11 e 12 de abril, feriado da Semana Santa). As oficinas ocorrerão no Núcleo de Multimeios , Sala Multimídia.]

Rio de Janeiro, RJ: 16 a 18 de abril, Universidade Federal do Rio de Janeiro

16/04, às 19h — Palestra Processos de Criação: A obra de Charles Darwin como exemplo de processo criativo, com Nélio Bizzodas

17/04, às 18h — Palestra Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços, com André Brasil e Ronaldo Entler

18/04, das 14h às 17h — Oficina Introdução à Web Colaborativa, com Thiago de Souza Camelo

Daqui, dali, de lá também

Bom-dia, amizade, e bem-vindo. Bem-vindo à segunda-feira desta semana que começa na terça para a caravana Rumos Itaú Cultural 2009. Começa é modo de falar, claro, já que esta fase das itinerâncias dá continuidade à programação na região Norte, muito bem iniciada na semana passada, da qual ainda há muito o que se ver e falar.

Mas vamos por partes, a gente chega lá. Começando do começo, mesmo que começo seja só modo de falar: a caravana ruma para Macapá (AP), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Manaus (AM), como você sabe. Um parêntese: alô, paraenses — já estão rolando as inscrições para as oficinas dos dias 06 e 07 de abril, lá no IAP, Instituto de Artes do Pará. Fecha parêntese.

Voltando ao muito o que se ver e falar da semana que passou, ainda por partes, pra não perder o costume. Fabio Malini escreve sobre a blogsfera acreana. Claudiney Ferreira e Marcelo Monzani dão provas do paradeiro da caravana em Porto Velho — a mesma caravana que desembarca hoje em Macapá. Sonia Sobral rima com Natal, conta como foram as palestras por lá e o contato com a turma.

Rio Branco>>Porto Velho
 

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

“Quinta-Feira, 17h40. Depois de uma hora de voo, a subcaravana Norte do Rumos 2009 chega a Porto Velho. Eliane, Fábio e Claudiney clicados por Marcelo Monzani, produtor-executivo  da caravana nacional Rumos 2009. 27 graus. Havia chovido muito antes do desembarque”.

[Claudiney Ferreira]

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Lá em Natal foi assim

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“No Instituto de Artes da UFRN recebemos 72 pessoas no primeiro dia e 80 no segundo. O cearense Daniel Cardoso começa nos contando que definiu seu objeto de pesquisa do mestrado quando chegou em São Paulo, uns 10 anos atrás, e foi a uma exposição no Itaú Cultural que tinha como tema o trabalho do artista, seu processo, portanto, e que era incrível que nesse momento ele estivesse dando uma palestra sobre processo de criação e o fazer artístico para um programa do Insituto.

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Daniel Cardoso

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Sonia Sobral

O artista Vanilton Lakka

O artista Vanilton Lakka

“Já o coreógrafo uberlandense Lakka decantou seu processo de criação. Começou com dança de rua, atravessou palcos e festivais e hoje se insere no circuito da dança de pesquisa. Muitas perguntas e uma conversa boa encerraram a passagem do Rumos em Natal. O potiguar se orgulha de ser um pessoal hospitaleiro. ‘Nosso diferencial’, dizem eles, e com toda razão”.

[Sonia Sobral]