Rio das Artes em Piracicaba

Luiza Proença está de volta, leitor atento, leitora ligada. A curadora de mapeamento da região Sudeste para o Rumos Artes Visuais envia um relato dos rincões de abril, quando a sensação térmica conhecida como calor ainda podia ser experimentada em São Paulo, e a cidade de Piracicaba abrigava o projeto Rio das Artes. Veja você:

Rio das Artes

No sábado, dia 17, e no domingo, dia 18 de abril, enquanto em São Paulo acontecia a Virada Cultural, em Piracicaba acontecia a segunda edição do Projeto Rio das Artes.

Ateliês e exposições de artistas da região ficaram abertos para que os visitantes, com ajuda de um mapa-guia, pudessem conhecer as principais produções do município. O SESC-Piracicaba, um dos realizadores do Projeto, oferecia gratuitamente uma van para os interessados em visitar os locais elencados no mapa. Os artistas que não possuíssem ateliês podiam participar de um ateliê coletivo nas galerias de entrada e de exposição do SESC.

Mapa de Piracicaba, com indicações dos ateliês

Ainda em reforma, o Aragem Contemporânea foi um dos espaços que abrigaram exposição durante o Rio das Artes. No cantinho direito dá pra ver a van que levava os visitantes (foto: Luciana Camuzzo)

Interior da exposição no Aragem

Um pouco de sombra vai bem em Piracicaba!

Aragem, Casa do Salgot, grupo G+, Ponto de Cultura Educomunicamos, Brasil Arteiro e Lao Bar Bistrô Lugar são somente alguns dos espaços visitados que participaram do evento. Infelizmente não temos fotos de todos eles!

No dia 17, aconteceu ainda uma conversa sobre o Rumos Artes Visuais na Pinacoteca Municipal Miguel Dutra. Na ocasião, também foi lançado o catálogo do 42º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, e apresentada a comissão organizadora do próximo Salão, que terá inscrições abertas a partir do próximo dia 4 de julho. Um dos mais tradicionais do estado de São Paulo, o Salão de Piracicaba busca a renovação, atualizando seu edital e suas atividades desde sua última edição, em 2010.

[Luiza Proença]

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Um pouco da Baixada Santista

Luiza Proença está de volta ao blog. A curadora de mapeamento da região Sudeste para o Rumos Artes Visuais envia algumas fotos e parágrafos afiados que contam um pouco da passagem do programa pela Baixada Santista. Veja só:

 

Um pouco da Baixada Santista

 

O Estúdio Valongo – hoje formado por Fabricio Lopez, Fabíola Notari e Marcia Santos – se disponibilizou a organizar, divulgar e receber um encontro sobre o Rumos com artistas da região. O encontro aconteceu ao longo de toda uma sexta-feira no fim de março.

Artistas durante o encontro sobre o Rumos Artes Visuais no Estúdio Valongo


Outro espaço, o Ateliê Oficina 44, onde os artistas Cid Maia, Ana Akaui, Chico Melo e Valério da Luz trabalham com outros artistas e arquitetos, também recebeu uma visita da curadora da região sudeste.

Fachada do Ateliê 44

Na Praia Grande, o Palácio das Artes, um novo complexo cultural da prefeitura, com arquitetura neoclássica, promete animar cada vez mais a vida da cidade, realizando atividades de dança, teatro, música e artes visuais. Mais especificamente na área de artes visuais, o Palácio conta com um acervo de obras contemporâneas, com uma galeria para exposições temporárias, e além disso pretende retomar, em 2011, o Salão de Artes Plásticas.

O interior do Palácio das Artes. O lustre no saguão do complexo cultural também atrai muitos visitantes, e muitas vezes serve de cenário para retratos

[Luiza Proença]

Panorama das Artes Visuais em Campinas

Luiza Proença, a curadora de mapeamento do Rumos Artes Visuais responsável pela região Sudeste, envia mais um relato de sua incursão por ateliês, faculdades e rodas de conversa com artistas. Fotos, parágrafos, legendas, vírgulas e pontos, dicas e links de primeira, para começar a semana:

Rumos Artes Visuais em Campinas

Em Campinas, o Rumos Artes Visuais passou pelos cursos de Artes Plásticas da Unicamp e da PUC, onde foram realizadas palestras e apresentações de portfólios dos estudantes.

No novo espaço do Ateliê Aberto (selecionado na edição 2005/2006 do programa) também ocorreu um encontro com artistas da cidade, que contou com a presença do curador de mapeamento da edição 2008/2009 do Rumos, Marcio Harum. Por coincidência, Harum estava na cidade, e aproveitou para falar um pouco da sua experiência com o programa.

Encontro com artistas no Ateliê Aberto. Foto: Samantha Moreira

Encontro com artistas no Ateliê Aberto. Foto: Samantha Moreira

O curador Marcio Harum conversa com os artistas

Na passagem por Campinas, foram realizadas também uma conversa com os artistas que formam o pparalelo, que desenvolve ações urbanas e educativas de troca e descentralização, e possui também tem um espaço para residentes convidados e exposições…

Ocupação artística na parte externa do espaço do Pparalelo. Foto: Sylvia Furegatti

… e outra visita aos artistas do ateliê 8, hoje formado por Marcelo Moscheta (artista selecionado na última edição do Rumos Artes Visuais), Danilo Perillo, Paula Éster, Gustavo torrezan, Yuly Marty, e Ivan Grilo.

Artistas do Ateliê 8

Por último, vale citar que além da já conhecida Galeria Penteado, agora Campinas conta com uma nova galeria de arte, a Vertente, localizada no centro da cidade.

[Luiza Proença]

O Acre e as Artes Visuais

Dito e escrito, amigo leitor, cordial leitora: segue o relato de Vânia Leal sobre sua imersão nos ares do Acre, a viagem de mapeamento para o Rumos Artes Visuais que terminou transcendendo em experiência sensorial, espiritual, filosófica, e é só seguir:

Quinta-feira, 28 de março de 2011

Rumo ao espírito vivo da florestania!

Decolo de Belém para Rio Branco, e não imaginava um percurso tão longo. Fiz escala em Brasília, Manaus e Rondônia. Confesso que já estava preocupada, mas, enfim, o Acre! Logo que vi a exuberância da floresta o cansaço ficou de lado.

Deixei parte da bagagem no hotel e, como já havia planejado, chamei um táxi para me levar a Xapuri. O encontro com os artistas seria no dia seguinte e eu estava determinada a passar a noite por lá.

O Acre é o centro da Panamazônica, está integrado aos demais estados do Brasil, à Bolívia e ao Peru. E nessa região, em um raio de 750 km, vivem 30 milhões de pessoas de diferentes culturas.

Estava consciente de que pisava num solo de 16 milhões de hectares de floresta tropical, com a maior biodiversidade do planeta. Um fato curioso é que metade de seus habitantes vive na floresta. Dentre eles, 15 mil são indígenas, de 14 etnias diferentes, distribuídos em 32 reservas, onde preservam suas tradições.

As comunidades se organizam a partir de uma produção familiar que utiliza o rio como principal meio de transporte e a própria floresta como meio de alimentação.  Este fato gera conflitos por posse de terras, e uma defesa coletiva do meio ambiente. A Amazônia é um lugar de conflito constante. Os acreanos não deixaram a soja entrar na região, diferentemente de Santarém, que enfrentou problemas sérios, sociais e ambientais, até hoje refletidos na paisagem.

Os acreanos cultivam a florestania, seu princípio de respeito ao meio ambiente e à multiplicidade sócio-cultural.

Sabemos que desde sua ocupação, o Acre chamou a atenção do mundo graças ao látex e à figura de Chico Mendes, que se transformou num símbolo mundial de preservação ambiental. Estando ali, percorrendo a cidade, ouvindo as pessoas, entendemos a razão do legado e da projeção de Chico nos programas de desenvolvimento sustentável da região.

Ao visitar o roteiro “Caminhos de Chico Mendes”, o Seringal Cachoeira, entrei em contato com a natureza amazônica e a história de Chico. Deparei-me com grandes áreas de floresta nativa e uma população que vive dos recursos extraídos dessa floresta. No caminho, uma cutia atravessava lentamente. O motorista parou e esperou ela fazer a travessia. Ele me disse: “todo ser vivo deseja viver, nós é que estamos no ambiente dela”. Entendi aquela atitude, e, realmente, nós é que somos invasores na Amazônia, os animais estão lá, em seus lugares de direito.

Para mim foi um divisor de águas conhecer o Seringal Cachoeira. Vivi intensa emoção, e entendi parte da constituição de nosso universo étnico e florestânico. Sentir o cheiro e mistério da noite que chega ao andar sob os caminhos do lugar é um estado de espírito, uma experiência filosófica que deve ser sentida.

Ao amanhecer fiz o caminho de volta, e fui ao centro conhecer as tradições indígenas amazônicas e andinas do uso da Ayahuasca, conhecido como “Santo Daime” no Acre e “Ayahuasca” no Peru. O chá sagrado revela uma herança cultural comum. No Acre, nos anos do século XX, essa bebida sagrada foi apreendida por seringueiros brasileiros que recriaram as tradições indígenas amazônicas e andinas do uso da Ayahusasca, agregando a elas outros elementos afro-brasileiros e cristãos, e firmaram uma nova religião que passou a ser chamada de “Santo Daime”.

Em conversa com o senhor Antônio, verifiquei que surgiram assim, a partir dos ensinamentos do Mestre Irineu Serra, outras doutrinas com elementos rituais variados, como a Barquinha e a União do Vegetal, que se integram às atuais sociedades e culturas da Amazônia ocidental e são praticadas por milhares de pessoas nesta região. Não poderia vir ao Acre e deixar de conhecer a origem do chá sagrado que nasceu no interior da imensa floresta amazônica.

Cine Recreio, onde aconteceu o encontro do Rumos Artes Visuais

Às 10h sigo para o Cine Recreio, no Calçadão da Gameleira, que fica ao lado da Fundação de Cultura Elias Mansur. Fui bem recebida pelas pessoas da Fundação (o Herbert Levy me acompanhou em todos os momentos). Conheci pessoas, usei a internet, e rapidamente me senti em casa. Logo entendi que o povo da floresta tem um propósito: a simplicidade e simpatia são para eles características muito bem demarcadas, como um bem patrimonial a ser cultivado.

Logo os artistas começaram a chegar, e o Cine Recreio é incrível, um lugar estruturado, tudo novinho. A integração foi imediata, Lucie Maria, Luiz Felipe, Tibério, Iracema, Jocilene, Edila, Jean, Uelliton, Marco Moura, Wenned, Moisés, Paulo Sérgio, Luiz Carlos, Raul, Glicério, Darci, Danilo, Clementino, alunos do curso de Artes Visuais e a equipe da Fundação estavam presentes.

Grupo de artistas acreanos

As falas dos artistas foram consistentes, e logo percebi uma política cultural comprometida com o lugar. Vi trabalhos e conversamos sobre o edital, e de lá já fui com o Ueliton Santana em seu ateliê.

Um fato interessante é que os artistas, em sua maioria, foram estudar na Faculdade de Belas Artes em Cuzco, no Peru. Ueliton é um deles. Atualmente faz Artes Visuais no Acre. Este processo provoca interferências culturais na produção contemporânea dos artistas, e isso é visível nos trabalhos de Ueliton, que me falou estar contaminado pela mistura de culturas.

Espaço Usina

À tarde fui ao ateliê de Jean Carlos, que faz pintura e objetos voltados para o escorrismo. Conhecer o lugar foi muito importante para perceber o diálogo dos artistas. Depois me dirigi para a Usina, uma antiga fábrica de castanhas. O lugar foi todo adaptado para cursos de Artes Visuais, Teatro, Cinema e Música. A estrutura é incrível, e os projetos desenvolvidos são dinâmicos, acompanham a cena contemporânea da arte. Lá também verifiquei o trabalho de gravura da Lucie Schreiner, bem expressiva.

Casa de madeira dentro do Espaço Usina

Grupo que trabalha na Usina

Depois paramos na casa do Glicério, responsável pela Associação dos Artistas Plásticos do Acre – AAPA. Lá conheci o trabalho do jovem artista Wennedy, estudante do primeiro ano de Arquitetura. Ao olhar seu trabalho, comentei: “gostei muito do teu olhar fotográfico!”. Ele me respondeu: “mais isso não é fotografia, é pintura quase fotografia”. O diálogo foi rico, e vi que o Wennedy sabia o que estava fazendo.

Casa de Glicério

Fim de tarde fui num bar chamado Batatão, de frente para o rio Acre. O garçom se aproximou e perguntou se eu queria um sujinho. Pedi explicação, e entendi que o sujinho é um chope super gelado, que ainda vem com duas pedras de gelo, e na borda do copo um sal cristalizado com gosto de limão que se mistura quando tomamos. Depois de dois dias de trabalho intenso, me permiti experimentar o sujinho e observar o entardecer sobre as casas coloridas. No Acre, é uma hora a menos de Belém, e assim tive a chance de perceber o dia mais devagar e a luz natural pouco a pouco sendo substituída pelas luzes da cidade. Outra cidade se revelou para mim.

Entardecer de frente para o rio Acre e suas casas coloridinhas

Luzes na cidade: Passarela Joaquim Macedo

Sobre o rio Acre, a Passarela Joaquim Macedo toda iluminada dá um charme complementar ao Calçadão da Gameleira, o sítio histórico mais antigo da cidade, bem em frente ao Mercado Municipal e repleto de mesas com pessoas contemplando a noite calma.

No Mercado, tradicionais lojinhas de ervas, artesanatos e lanchonetes especializadas na culinária regional.

De manhã andei pela cidade, vi ciclovias, a Biblioteca da Floresta, restaurantes e lojas sempre emolduradas por árvores e gramados. O Parque da Maternidade é enorme, e lá está instalada a Casa dos Povos da Floresta. Dei uma paradinha. Seu acervo sobre a cultura dos seringueiros, índios e ribeirinhos, além das lendas e segredos, é significativo.

Casa dos Povos da Floresta

Ter estado no Acre, conhecido e convivido com a simplicidade das pessoas, com a produção artística, com sua história e memória, mexeu comigo. Fui afetada por campos de força que me fizeram reencontrar com a identidade amazônica, aprendi lições importantes, como a delicadeza do detalhe, de ouvir em silêncio, aliás, de escutar o movimento natural do dia, e preservar e promover a vida dos seres que fazem a diferença no planeta. A experiência do Rumos é ímpar, porque nos faz ver as singularidades dos locais, exercitar a acuidade do olhar em integração com o outro.

Obrigada, Povos da Floreta do Acre, sou uma pessoa melhor!

[Vânia Leal]

Mais de Marabá

A expedicionária Vânia Leal, curadora de Mapeamento da região Norte para o Rumos Artes Visuais, mandou mais uma série de relatos de viagem para a caixa de entrada do editor que vos fala, atento leitor, cuidadosa leitora. Começando pelo trecho final de Marabá, relato iniciado alguns posts atrás (em uma, duas partes), partindo em seguida para Rio Branco. Mas vamos por partes:

18 de março, 19h

No Galpão de Artes de Marabá (GAM), Ederson Oliveira, Jairon Barbosa, Deize Botelho e Antônio Botelho organizaram uma roda de conversa com os artistas, além de promover uma mostra dos trabalhos.

Roda de conversa no GAM: encontro super produtivo!

O GAM é um ponto de cultura importante para a região, e promove ações significativas voltadas para a cultura do povo marabaense.

Trabalhos expostos no GAM: propostas contemporâneas

Os trabalhos apresentados ganharam força. A pintura romantizada de paisagem, que tinha observado em alguns pontos da cidade, agora é substituída por trabalhos fortes, que pensam a relação de Marabá e suas transformações, do ponto de vista político e social.

Antônio Botelho apresenta uma pesquisa interessante com tábuas de cortar carne e suas marcas, além da relação de memória na cidade.

Uma artista que também faz parte da história de Marabá e tem seu acervo no GAM é Teresa Bandeira, que merece aqui nosso registro.

Jairon Barbosa me levou para conhecer Lúcia, uma artista que mora num lugar bem deslocado da cidade, quase num sítio.

Casa da Lúcia

Ouvindo histórias de vida

Lá ouvi sua história, e o quanto Lúcia se sente excluída por não tem seu trabalho reconhecido. São produções de malas em série, feitas de madeira e couro, que remetem à memória de sua infância, onde os guardados ficavam numa mala. Foi um encontro interessante! Num lugar silencioso, deslocado do barulho da cidade.

[Vânia Leal]

O que o Rumos Artes Visuais viu e ouviu em São Paulo

No mapeamento do Rumos Artes Visuais, muitos artistas, espaços, ateliês coletivos, galerias e faculdades de Artes já foram visitados em São Paulo. Nos últimos meses, diversos espaços acolheram encontros sobre o Rumos Artes Visuais, e agora o leitor tem acesso a um trecho desse percurso, em notas, fotos e legendas enviadas pela curadora de mapeamento da região sudeste Luiza Proença. Ela avisa que esta é apenas uma amostra de muitos encontros, e que ainda vem muita coisa boa por aí. É só seguir:

Mapeamento Rumos Artes Visuais em São Paulo

O Red Bull House of Art é uma residência para jovens artistas que teve sua primei­ra edição em 2009, no edifício do Hotel Central, na Av. São João. Desde 2010, o Red Bull House of Art tem como endereço o Edifício Sampaio Moreira, e é coordenado por Luisa Duarte, curadora do programa Rumos Artes Visuais em 2005/2006.

Como o programa não oferece hospedagem, mas sim um espaço de trabalho onde também ocorrem palestras aber­tas e visitas de acompanhamento, geralmente os artistas são nascidos e residem na cidade de São Paulo. Pelo programa já passaram os artistas Alessandra Cestac, Claudio Bueno, Regina Parra, Rodrigo Garcia Dutra, Adriano Costa, Bhagavan David, Bruno Baptistelli, Deyson Gilbert, Flávia Junqueira, Henrique César, Clara Ianni, Felipe Salem, Jaime Lauriano, Sofia Borges (artista selecionada da edição 2008/2009 do Rumos Artes Visuais), Marcos Brias, Guilherme Peters, Re­nato Pera, Ana Prata, Bruno Storni, Felipe Bittencourt, Gustavo Ferro, Theo Craveiro, Ana Mazzei, Alexandre B, Bruno Palazzo, Daniel Scandurra, Frederico Filippi e Vitor Mizael.

O Ateliê Coletivo Oço é um espaço para investigação de linguagens artísticas e promoção da arte contemporânea, com atuação na cidade de São Paulo desde 2005. Gerido pelo artista Claudinei Roberto, o espaço, localizado no bairro Liberdade, realiza conversas com convidados, oficinas de acompanhamento crítico e exposições. Recentemente o Ateliê vem pautando suas atividades na reflexão sobre a cidade como suporte e o suportar a cidade.

Os artistas Lobo, Solange Ardila, Thiago Gualberto, Aline Os, Claudinei Roberto, André Yas­suda, Carolina Caliento e Danilo Pera

A Casa Contemporânea é um espaço multidisciplinar que realiza exposições, encontros e debates. Localizada na Vila Mariana, e coor­denada pela dupla Marcia Gadioli e Marcelo Salles, a Casa oferece ateliê livre para desen­volvimento de produções individuais, galeria para exposições e comercialização de obras de arte contemporânea. No dia 25 de fevereiro foi realizada uma conversa sobre o Rumos Artes Visuais, com artistas frequentadores do espaço. Junto com as artistas Adriana Affortunati e Rafaela Jemmene, Marcia e Mar­celo também fazem parte do grupo de estudos issotudoégrupo, que também desenvolve projetos de exposições, como a mostra itinerante “issotudoévizinho”.

Durante o encontro com artistas na Casa Contemporânea. Foto: Marcia Gadioli

O Ateliê Cultural Casa ao Cubo é um espaço na Vila Mariana voltado para práticas, investigações e reflexões artísticas; um ponto de convergência entre as diversas áreas de atuação das artes. A Casa abre espaço também para novos artistas, com exposições individuais e coletivas. Em junho realizará a primeira edição do “Sarau no quintal”.

Hermes é o nome do ateliê que a artista Carla Chaim divide com outros artistas, e que pretende realizar cursos, encontros e oficinas. Localizado na Rua Hermes, na Vila Madalena, o ateliê recebeu no início de maio um encontro sobre o Rumos, com um grupo de artistas convidados pelos curadores Mario Gioia e Fernanda Lopes.

Há cerca de 10 anos, Sandra Cinto e Albano Afonso coordenam o Ateliê Fidalga, um espaço que agrupa artistas com o objetivo de produzir arte contemporânea. São quatro turmas de aproximadamente 15 pessoas cada, que se encontram uma vez por semana para discutir suas produções e trocar experiências. Os artistas vêm de diversas áreas, como a arquitetura, o design, a publicidade, fotografia, etc., e pretendem hoje se dedicar às artes visuais. Sem perder de vista seu objetivo de formação do artista, o Ateliê Fidalga vem participando de exposições em diferentes instituições, como o Carpe Diem Arte e Pesquisa, em Lisboa, Funarte e Paço das Artes, em São Paulo.

Ainda na Vila Madalena, um outro grupo de artistas integra o Ateliê Simpatia, mais um que leva o nome da rua na qual está localizado. Alessandra Duarte, Adriana Conti, Arthur Medeiros, Beatriz Chachamovitz, Gabriela Brioschi, Katherina Tsirakis, João Villares, Marcia Sznelwar, Marô, Rafaela Jemmene e Renata Cruz trabalham em diferentes linguagens, mas sempre que possível realizam eventos como o Camelódromo, uma feira de venda e troca de obras de arte, para dar visibilidade aos seus trabalhos.

Adriana Duarte, a Xiclet, afirma: sua casa é um constante mapeamento da produção emergente brasileira, e por isso se sente desapontada por não ter sido contemplada pelo programa Rumos Artes Visuais. Com o slogan “sem curadoria, sem seleção, sem juros, sem jabá, sem entrada, sem patrocinador e sem saída”, a Casa da Xiclet está aberta a expor obras de quaisquer artistas que paguem um valor tabelado por dia. Parodiando o circuito de arte na cidade, o “playground” localizado na Rua Fradique Coutinho realizou em 2009 a exposição “Rumos-não-rumos – Prumos – Curadoria da Não Curadoria”, com projetos não selecionados no programa Rumos Itaú Cultural 2008/2009. Em 2011, a Casa-galeria completa 10 anos de atividade e pretende realizar um evento comemorativo.

Catálogo da exposição "Rumos-não-Rumos: Prumos", da Casa da Xiclet

No Ateliê 397, na Rua Wisard, foi realizado um encontro sobre o Rumos Artes Visuais com Marcelo Amorim e Isabella Rjeille, dois dos seis integrantes que hoje formam a equipe do ateliê (surgido em 2003, com um outro grupo de pessoas), e mais dois artistas convidados: Leonardo Akio e Bárbara Hoffmann. O 397 vem realizando diversas exposições e projetos de publicação, como o livro sobre espaços independentes no país.

Coordenado pelas artistas cariocas Fernanda Izar e Luciana Felippe, o ateliê A Pipa vem realizando atividades desde 2010. Além de exposições temporárias, atualmente o ateliê oferece cursos e programas de acompanhamento crítico.

Inês Moura, Fernanda Izar, Luciana Felippe, Luciana Mattioli, Danilo Garcia e Felipe Goes, no encontro no ateliê A Pipa

[Luiza Proença]

Dias e noites do Norte (5)

Prestes a embarcar para o Tocantins, último trecho da viagem de mapeamento da região Norte para o Rumos Artes Visuais, Vânia Leal envia mais um relato. Diretamente de seu estado natal, o Amapá, de onde nos conta o seguinte:

Roteiro da viagem de 07 de Abril de 2011

Partida para Macapá. Chego com um sol forte, o calor é diferente, me pergunto: será por que a cidade é cortada pela Linha do Equador? Verifico que a cidade está localizada no sudeste do estado, é a única capital estadual brasileira que não possui interligação por rodovia a outras capitais.

Um dado curioso é que o município, isoladamente, representa 2,85% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) da região, por isso é a quinta cidade mais rica do Norte brasileiro. Vem se destacando entre as maiorias capitais brasileiras, pelo rápido crescimento econômico populacional, que já registra, segundo o último censo, mais de cinco mil habitantes na região metropolitana.

Visitei o Centro de Cultura Negra, o Teatro das Bacabeiras, o Centro Cultural Franco Amapaense, o Curiaú e o Marco Zero, que nos coloca ao mesmo tempo nos hemisfério Norte e Sul do planeta.

Nos meses de março e setembro, é possível observar o fenômeno do equinócio, durante o qual os raios solares incidem diretamente sobre a Linha Imaginária do Equador, fazendo com que dia e noite tenham a mesma duração.

Ao mesmo tempo nos hemisférios Norte e Sul do planeta. Momento de meditar sobre coisas boas...

Levei vários ovos quando fui ao Marco Zero, porque queria comprovar se realmente ficavam equilibrados devido à força gravitacional. Fiz e comprovei, foi muito interessante!

O ovo ficou totalmente equilibrado, bem no centro da Linha do Equador. Adorei a experiência!

Macapá é banhada pelo majestoso e imenso rio Amazonas, que emana os mitos que povoam o imaginário do homem amazônida. A cidade se volta para o rio, com o qual tem uma relação direta, devido à Orla que lhe acompanha.

Orla do rio Amazonas

Vista da Orla

Lá, somente lá, é possível comer camarão no bafo. Aliás, de todas as formas, e por mais que tentemos fazê-lo em casa, o sabor não fica igual.

A Fortaleza é exuberante, visitá-la é fazer um recuo na história e memória da cidade.

Segundo dia

Às 8h me dirigi ao SESC Araxá. Fui recebida por Aline Pacheco, gerente do núcleo Artes Visuais, que articulou nosso encontro, realizado em dois dias. O encontro foi super estruturado, com direito a lanche para todos os presentes, e mídia pedagógica para os artistas apresentarem seus trabalhos. Foi um momento de comunhão coletiva, de muita conversa e discussão acerca da produção contemporânea.

Turma de artistas do primeiro dia

O grupo Urucum esteve presente, e foi interessante ouvir dos artistas emergentes a importância do curso de Artes Visuais na cidade, como proponente e suporte para o contato e experimentação da linguagem contemporânea.

Turma de artistas no segundo dia

Tive oportunidade de ver vídeo-arte, performance, instalação, pintura, enfim, uma diversidade de diálogos com a linguagem hibrida da arte contemporânea, que não trabalha mais somente  técnica.

Entre os artistas participantes, estavam Cristiana Nogueira Menezes, João Vitor Rodrigues Ribeiro, João Batista dos Santos, Maria Pinho Gemaque, Cricilma do Socorro da Silva Ferreira, Adalto de Vilhena Pinheiro, César Barbosa da Silva, Manoel do Vale, José Ailson Monteiro de Farias, Everaldo Pereira Ribeiro, Jansen Rafael da Silva, Carlos Alberto de Alcântara Furtado, Aog Lima da Rocha, Miguel Arcanjo Ferreira, Grimualdo Barbosa, Ronne Franklim Carvalho Dias, Washington da Silva Ferreria, Natasha Parlagreco, Augusto Pessoa, Wagner Ribeiro, Jonatas Lacerda da Silva, Agostinho Josaphat Barbosa, Jenifer Nunes, Josiane Ferreira e outros, aos quais agradeço aqui pela participação ativa nos dias em que lá estive.

Hora de conferir o edital

À noite fui dançar o Marabaixo, pois todo amapaense que se preza sabe e gosta do batuque contagiante. Aliás, nasci em Macapá, daí ter essa proximidade. O Ciclo do Marabaixo é uma vasta programação religiosa, com danças e homenagens, que tem início no Sábado de Aleluia, na Semana Santa, e segue até o dia 24 de junho, unindo comunidades tradicionais de várias localidades do Amapá.

O ritmo do Marabaixo faz parte das raízes culturais que compõem a identidade amapaense. É resultado de tradições dos africanos que vieram escravizados para o Amapá. Hoje, são seus descendentes que procuram salvaguardar a música e a dança.

Ter estado em Macapá me renovou. Encontrei parentes, amigos, e, principalmente, alcancei o objetivo do Rumos junto aos artistas.

Viver em Macapá e em seus municípios, onde a natureza é tão envolvente, é algo a se agradecer: pela boa safra na roça para o fabrico de farinha, pela fartura dos rios, e por tudo mais que a natureza oferece pra vida do povo de lá, inclusive a diversão. Porque a alegria e a festa fazem parte da natureza do povo de Macapá-Amapá.

Viva São José da Beira Mar que protege Macapá!

[Vânia Leal]