Cliques de Curitiba

Há um calouro entre nós, simpático leitor, prestativa leitora: dê lá as boas-vindas a Renan Fattori, do núcleo Diálogos do Itaú Cultural. No início da semana, o jovem expedicionário embarcou em sua primeira viagem pelo Rumos Jornalismo Cultural, desembarcou em Curitiba, para acompanhar o laboratório conduzido pelo escritor e jornalista José Castello, e voltou de lá com alguns parágrafos, imagens e legendas. Com vocês, Mr. Fattori:

Terça-feira, 24/05

Manhã de frio típico na capital paranaense, o céu cinza lembra São Paulo. Roteiro do dia: do hotel para a Biblioteca Pública do Paraná, onde à tarde acontece o laboratório Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, com José Castello.

A BPP está localizada no centro da cidade, cercada por praças e comércio local. O prédio, dos anos 50, possui em seu acervo 400 mil livros, além de periódicos, fotografias, mapas, cartazes e materiais de multimeios e multimídia, divididos em três andares. A Biblioteca atende em média três mil usuários por dia.

Fachada da Biblioteca

Hall de entrada

Seção infantil

Praça Osório, vizinha à Biblioteca

O encontro do Rumos aconteceu no auditório, às 14h30. Os inscritos ouviram curiosidades, tiraram dúvidas e absorveram algumas das experiências acumuladas por José Castello ao longo de sua carreira.

Entrada do auditório

Inscritos durante o laboratório

José Castello

Agradeço, em nome do Rumos Jornalismo Cultural, o apoio e ajuda de todos envolvidos no laboratório em Curitiba: Rogério Pereira, Luis Henrique Pellanda, Yasmin Taketani, Guilherme Souza e Noerli.

Próxima parada, Intercom Sul em Londrina.

[Renan Fattori]

Jornalismo Cultural em 3 tempos

Um. Logo mais, no CIC (Centro Integrado de Cultura), em Florianópolis, acontece o laboratório Em Busca do Personagem, com o jornalista e escritor José Castello. Das 15h às 18h30. Voltada a profissionais e estudantes de jornalismo, a atividade oferece uma reflexão sobre o que deve ser um olhar singular para o jornalista cultural — livre de clichês, do óbvio e do mero exótico. A definição do projeto, a organização da pauta  e as técnicas de entrevista são alguns dos tópicos abordados.

Dois. Amanhã, ainda na ilha, no mesmo horário e local, é a vez do jornalista e professor Fábio Malini capitanear o laboratório Como Fazer na Internet Coberturas Ao Vivo de Eventos Culturais. A proposta é a criação de uma web TV ao vivo para que os participantes exercitem a produção desse tipo de cobertura de eventos culturais. Toda feita em streaming (via celular e twitcam). O Laboratório se divide em duas fases, «como fazer a cobertura ao vivo de eventos culturais pela internet» (conteúdo teórico e técnico, mostrando algumas ferramentas de fácil acesso que possibilitam a transmissão ao vivo de conteúdos para a rede), e «ao vivo» (atividade prática composta de produção de textos, vídeos e fotos, enviando o material para a rede).

Três. Sexta-feira, dia 06, no Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, das 14h às 17h30, o escritor Luiz Ruffato conduz o laboratório Jornalismo Cultural e Literatura. A proposta é discutir pontos convergentes e divergentes entre Jornalismo Cultural e Literatura. O que transforma a história de um personagem real em reportagem ou peça de ficção? O que há de romanesco no cotidiano? Em que momento o texto ganha uma transcendência e transforma-se em literatura? É possível escrever uma reportagem a partir de uma peça de ficção e uma ficção a partir de uma reportagem?

E você, vai perder?

Rumos na Intercom Sudeste

Esse é pra avisar o seguinte: começa hoje o encontro regional da Intercom Sudeste, na Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória. Intercom é Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, e nesses últimos meses do semestre acontecem os encontros regionais, no maior clima de esquenta pro encontro nacional, em setembro.

E você com isso, curioso leitor? É que onde tem um agito, lá está o Rumos, agitando. Logo mais, no começo da noite, tem duas mesas de que participam não só os gerentes dos núcleos Diálogos (literatura e jornalismo) e Música, Claudiney Ferreira e Edson Natale, mas colaboradores de longa data e longo alcance, como os jornalistas José Castello e Eliane Brum, e o escritor Luiz Ruffato. O convite aliás foi feito por outro parceiro, Fabio Malini, coordenador da Intercom Sudeste e consultor de outro projeto do Itaú Cultural, o Onda Cidadã. E toma lá:

Mesa redonda “Como ultrapassar a fronteira entre literatura e jornalismo”
Cinema Metrópolis • 19h
José Castello { escritor, jornalista e crítico de literatura }
Luiz Ruffato { escritor e jornalsta }
Eliane Brum { escritora, jornalista e documentarista }
Claudiney Ferreira { Itaú Cultural, jornalista }

Mesa redonda “Cidade e Cultura – descentralizando as políticas culturais” – Rumos Música
Auditório do Centro de Artes • 18h30 • Cemuni IV

Fabio Malini (UFES / Coletivo Multi)
Pablo Capilé (Fora do Eixo)
Fabinho Carvalho (Manguerê)
Edson Natale (Itaú Cultural)

E dá pra assistir em tempo real, distante leitor, a transmissão em vídeo da programação. Ou acompanhar no twitter a cobertura colaborativa do evento. Só não dá pra perder.

Rumos Jornalismo Cultural em nova fase

É hoje, pontual leitor, Babi Borghese manda avisar: os estudantes e professores de comunicação social selecionados da última edição do Rumos Jota-Cê entram numa nova fase de atividades, ou seja, na fase dos encontros virtuais para desenvolvimento dos trabalhos propostos pelo programa.

Os estudantes começam hoje mesmo as atividades do exclusivo Laboratório Online de Jornalismo Cultural. Nele, os 12 contemplados discutem temas ligados a jornalismo e cultura, enquanto produzem reportagens – em mídia impressa, sonora, audiovisual e web – para o lançamento de uma revista multimídia em dezembro. O editor do laboratório, pela segunda vez consecutiva, é o jornalista, escritor e articulista do jornal O Globo José Castello, que no último sábado, aliás, inaugurou um blog.
 
Já os oito professores selecionados iniciam na próxima sexta, dia 20, o igualmente exclusivo Fórum Virtual de Discussão, mediado pelo também professor Alex Primo (UFRGS), o especialista em ciberjornalismo que mantém este blog e um twitter com mais de 8 mil seguidores. O objetivo do fórum é mapear o ensino do jornalismo digital no Brasil, para publicação em livro e site no final do ano.

Lembrando que esta edição (a terceira) do Rumos Jornalismo Cultural (2009-2010) reúne professores  de Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, além de estudantes de Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

As caras novas do (Rumos) Jornalismo Cultural

Porque enquanto profissionais, estudantes, curiosos e estudiosos refletiam, discutiam, espiavam e propunham rumos renovados para o jornalismo cultural, rumoroso leitor, a nova safra de rumeiros aportava na Sampalândia para a abertura oficial de suas atividades — que incluiu o Colóquio, sim, mas não só. Abaixo, registros da visita que a turma fez à redação do Terra, portal parceiro de empreitadas (como o Media On) do Itaú Cultural. Recebidos pelo editor-chefe Edson Rossi e conduzidos pelo diretor de conteúdo Antonio Prada (que participou de uma mesa no Colóquio) e pelo diretor da TV Terra Everton Constant (membro da comissão de seleção da carteira Estudante do Rumos), a nova rumaria foi acompanhada ainda pela madrinha de todo rumeiro Babi Borghese (que deu os cliques abaixo) e por José Castello, escritor, jornalista e editor do laboratório do qual a turma participa ano que vem. É mole ou quer mais?

Edson Rossi (editor-chefe do Terra, à direita) apresenta a redação a estudantes e professores selecionados. O cavalheiro de sobrancelha erguida no canto esquerdo é o escritor e jornalista José Castello, editor do Laboratório do qual os estudantes participam no próximo ano

De costas, Antonio Prada (diretor de conteúdo do portal) explica como funciona a redação. À direita, o diretor do TV Terra, Everton Constant, que fez parte da comissão de seleção da Carteira Estudante

Outro ângulo para a mesma conversa

E o descanso após 1h30 de visita

Galeria de personagens Rumos: Nélio Bizzo

O biólogo Nélio Bizzo na Sala Torquato Neto (Teresina), clicado por Claudiney Ferreira

O biólogo Nélio Bizzo na Sala Torquato Neto (Teresina), clicado por Claudiney Ferreira

Nélio Bizzo é biólogo, com pós-graduação na área de biologia e educação. Estagiou na Inglaterra, estudou os manuscritos de Charles Darwin no Manuscripsts Room, da University of Cambridge Library, em Down House (Charles Darwin’s Memorial) e na British Library. É professor titular da USP e Fellow do Institute of Biology (Londres). E, de quebra, é palestrante Rumos.

Ele que palestra hoje em Curitiba acabou de passar com a caravana por Teresina, onde falou sobre o que também fala hoje, quer dizer, sobre A obra de Charles Darwin como exemplo de processo criativo. Destaque-se: na capital piauiense, Nélio contou com a presença do escritor e jornalista José Castello na platéia (que estava na área na condição de oficineiro Rumos, como você a essa altura já sabe), que de ouvinte passou a interlocutor na hora do jantar. Quem registra o encontro é o expedicionário Claudiney Ferreira: 

“Castello ficou maravilhado e foi surpreendido com a fala do Nélio sobre a importância da proporção áurea na ciência, nas artes e no cotidiano. Castello agora quer pesquisar a influência (será que ela existe?) do conceito na literatura”. O papo foi longo e tudo indica que a conversa vai se prolongar pela vida. O Rumos, caro leitor, é a arte do encontro.
 
Como já relatou outro expedicionário, o Kuja, em sua palestra “o Nélio Bizzo comenta que Darwin ‘remixou’ algumas idéias da época, que o levaram a formular a teoria das evolução das espécies. O ‘insight’ científico é tão contestável quanto o ‘insight’ artístico, pois nada surge por ‘geração espontânea’. A cultura e a arte caminham por referências e associações”. Claudiney complementa puxando algumas notas do seu indefectível bloco de notas:

“Os pensadores da antiguidade não nos legaram idéias mas, mais importante, modos de pensar criativamente. Nélio registra algo que parece similar a alguns pensamentos sobre os processos artísticos comtemporâneos: ‘Antes de Darwin, predominava a idéia de que cada ser vivo era uma obra acabada. Hoje sabemos que tudo está em processo de criação’. Deste pensamento tira-se algumas outras idéias em processo. Se tudo está em processo de criação, não há um ser vivo ou obra finalizada, portanto, perfeita”, reflete o capitão.
 

Violação de correspondência

De: “Guilherme Kujawski Ramos” <guilherme.ramos@XXXXX>
Para: “Nelio Bizzo” <nelio.bizzo@XXXXX>

CC: “reuben c rocha” <reubencr@XXXXX>

Data: 24 de abril de 2009, 16:44
Assunto: Darwin
 
“Olá Nelio,
 
Veja que interessante essa exposição: http://www.schirn-kunsthalle.de/index.php?do=exhibitions_detail&id=88&lang=en
 
Lembrei de você e de sua palestra no Rio (que foi ótima e instigante).
 
A respeito dessa exposição, que associa Darwin e arte, li um comentário interessante de um músico escocês:
 
On Sunday at 3pm I’m giving one of my Unreliable Tours, this time of the Schirn Kunsthalle in Frankfurt. I’ll guide people around their Darwin: Art and the Search for Origins exhibition, telling visitors that Darwin — contrary to anything they might have heard — actually arrived at his evolutionary theories after witnessing the events recounted in The Bremen Town-Musicians by The Brothers Grimm. Darwin’s eureka moment, I’ll continue, came when his father took him to Highdown Fair.
 
Um abraço!
 
Guilherme Kujawski”

Outras praias

Curioso pra saber mais sobre as relações entre arte e ciência? Clicaqui. Trata-se do relato de outro grande encontro, entre o artista Dimitri Lima e Nélio Bizzo, realizado no Redes de Criação, que por sinal teve curadoria de Cecília Almeida Salles, que palestra ao lado do biólogo logo mais, na terra de Paulo Leminski. A arte do encontro, a arte do encontro…

Expedição aos porões da ditadura

Castello, Monzani e o artesão Carlos Oliveira, que preserva intacto em seu ateliê um capítulo da nossa história da violência

Castello, Monzani e o artesão Carlos Oliveira, que preserva intacto em seu ateliê um capítulo da nossa história da violência

Por essa eles não esperavam. Das verdes matas e amarronzados rios amazônicos, nossos expedicionários Marcelo Monzani, José Castello e Claudiney Ferreira fizeram uma viagem de volta aos subterrâneos do Brasil. Mais precisamente de Teresina, e mais precisamente ainda da Teresina dos tempos de ditadura.

O que é hoje o Centro de Artesanato de Teresina foi construído para ser o quartel da polícia do Piauí. Com a chegada da Redentora em 1964, o local passou e sar utilizado pelos militares. O Box 43 do Centro de Artesanato, chamado de Arte Artista, pertence ao artesão Carlos Oliveira, que trabalha principalmente com madeira. É ali embaixo que permanece preservada a sala de tortura do antigo quartel.

sombrasesufoco81

sombrasesufoco7

sombrasesufoco4

“O calabouço abaixo do ateliê é um verdadeiro buraco medieval, sem janelas, sufocante, que ainda traz as marcas de sangue e das cassetadas nas paredes”, descreve Claudiney, autor das fotos. Além de uma limpeza básica no chão do porão, que ainda continha os dejetos dos prisioneiros, Carlos fez questão de manter intactas as marcas da história. Uma história próxima, mas difícil de se alcançar. A escada que lhe dá acesso é quase em 90 graus.

sombrasesufoco6

sombrasesufoco3

sombrasesufoco

sombrasesufoco2

“É muito bacana que o Carlos preserve esse lugar, mas o lugar é tenebroso”, diz o oficineiro José Castello, clicado nas últimas fotos ao lado de Marcelo Monzani. Aliás, sobre as fotos, Monzani registra que ficaram muito boas…No mau sentido. “Elas estetizaram o lugar, não dão dimensão do quanto é um ambiente pesado, escuro, sujo”, compartilha. “Essa sala tem as marcas do tempo. Um tempo sombrio e amargo”.