VídeoVitória

Joana Rennó começou contando que a palestra da Ivana Bentes e do Lucas Bambozzi em Vitória, ontem, lotou o auditório da Universidade Federal do Espírito Santo, e que a conversa acabou indo até tarde, com boa participação do público.

Ela disse que Lucas traçou um histórico de artistas que fizeram experiências com a película, como Marcel Duchamp, Man Ray e Abel Gance, e deu exemplos de práticas relativas ao conceito de microcinema.

 

 

“Uma explosão, em que vertentes de cinema surgem, não diretamente ligadas à idéia do cinema tradicionalmente construída (uma projeção na sala escura de uma narrativa linear). Um cinema de garagem, com a produção e a distruibição a partir de estratégias mais informais e experimentais”.

 

 

Daí pros dias atuais, Joana conta que ele apresentou imagens do catálogo da exposição Future Cinema – The Cinematic Imaginary After Film, além de vídeos que trabalham a questão do scratch, da remixagem de imagens pré-existentes.

No finalzinho a discussão rumou em direção à revolução digital pela qual passamos, que cria uma nova disposição para a fruição das imagens, sobretudo das imagens de baixa qualidade técnica. Algumas perguntas intrigantes ficaram no ar, e agora batem no para-brisa do seu computador: Que padrões começam a surgir a partir dessas tecnologias? Que conceitos são envolvidos nesses novos trabalhos? Quais as novas possibilidades e potencialidades de olhar e ser visto?

 

 

De Ivana Bentes Joana disse assim: ela começou falando da cultura da visualização, em que imagens são transformadas em dados e dados em imagens. “Um exemplo bem interessante é o site Urban Mobs, que faz um mapeamento visual de trocas de mensagens entre celulares num determinado espaço, dando visualidade a um campo que antes era somente abstrato. São novas experiências de tempo e de espaço que a internet potencializa”.

“Ivana fez uma palestra densa e cheia de referências”, continua. “Ao final, concluiu que estamos vendo a emergência de uma meta-mídia: web, redes, internet. E que a imagem deixou de ser apenas uma representação para ser vista como um ‘vivo’, que reage ao nosso corpo. A imagem como um sujeito entre sujeitos”.

Amanhã, lá mesmo na UFES, das 9h30 às 18h, o jornalista e escritor José Castello volta à cena e dá continuidade aos trabalhos, ministrando a oficina Em busca do personagem: um olhar singular. E no Rio de Janeiro também tem oficina, carioca leitor. Na UFRJ, é Helena Aragão quem dá uma Introdução à Web Colaborativa.

*

Em tempo. Por falar em tecnologia, oficina, Rumos, essas coisas bacanas todas, olha só como é a vida. A redação deste blog recebeu um cartão postal exclusivo de Roraima. Na imagem, o material didático da oficina ministrada sobre blogs ministrada por Fábio Malini:

 

Cortesia de Claudiney Ferreira para este rumeiro blog

Cortesia de Claudiney Ferreira para este rumeiro blog

Enquanto isso, no Brasil:

Logo mais, rrrrrespeitável público, a caravana Rumos Itaú Cultural 2009 entra em cena para mais uma sequência de diálogos, debates, e para dar o que falar por este vasto mundo brasileiro. Depois de Goiás, Brasília, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul , Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Acre, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Amapá, Roraima, Pará e Amazonas, ufa!, não perca o fôlego, atlético leitor, que é a vez de Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro abrigarem a tenda itinerante da rumaria.

Hoje é dia de Aracaju, e amanhã também. Logo mais às 19h, no Espaço Semear, Christine Greiner, professora do departamento de Linguagens do Corpo da PUC-SP, palestra sobre A Importância do Corpo nos Processos de Criação em Arte Contemporânea. Amanhã no mesmo horário, no mesmo local, e com a sua mesma presença, a coreógrafa carioca Lia Rodrigues fala sobre Processos de Criação na Dança, abordando o tema a partir da experiência de 35 anos de carreira. 

Na sequência, entre 16 e 18 de abril, a Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória, bem recebe a caravana para assistir, às 19h do primeiro dia, à professora Ivana Bentes palestrar sobre Convergência das Mídias e Linguagens, e ao artista multimídia Lucas Bambozzi falar sobre Linguagens em Trânsito: o Audiovisual nas Redes e as Tecnologias Recentes de Produção de Imagens. A confluência de formatos audiovisuais na internet e a exploração dos conceitos que envolvem essas novas possibilidades de linguagens estão entre os tópicos que serão abordados na fala de Lucas, assim como o conceito de microcinema. No dia seguinte (sexta-feira), das 14h às 18h, o mesmo Bambozzi ministra a oficina Filmes e Vídeo Experimentais, que pretende um aprofundamento das discussões a partir de análises detalhadas de exemplos e estudos de casos.
 
No sábado, 18, o jornalista José Castello volta à cena com a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular. A atividade é aberta para profissionais e estudantes de jornalismo e os seus principais temas abordam a pesquisa, a escolha e a construção do personagem, técnica da entrevista e a transpiração na produção do texto.

E o Rio de Janeiro? Continua lindo, e recebe a caravana nos dias 16 e 17 de abril.

Às 19h do primeiro dia, o pós-graduado na área de biologia e educação Nelio Bizzo fala sobre Processos de Criação: A Obra de Charles Darwin como Exemplo de Processo Criativo. Ele observa que nas últimas décadas a história da ciência passou por uma profunda transformação como campo de pesquisas, contexto em que o trabalho de Darwin torna-se um tema privilegiado. Além desta questão, Bizzo conversa sobre a possibilidade de estabelecer um paralelo entre a criação científica e a artística.
 
No dia seguinte (sexta-feira), das 14h às 17h, Helena Aragão ministra a oficina Introdução à Web Colaborativa. O objetivo da atividade é desmistificar a internet e o processo de escrita e mostrar como a web 2.0 pode fazer diferença no dia-a-dia do usuário. Com aulas práticas e lúdicas, ele dá noções básicas de como ampliar o repertório dos canais possíveis para a difusão de conteúdo na web e como utilizá-lo.
 
Às 18h, André Brasil (professor da PUC-Minas e integrante do programa de pós-graduação em Comunicação) e Ronaldo Entler (mestre em multimeios pelo Instituto de Artes da Unicamp) falam sobre Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços. Na palestra, o primeiro aborda o processo de expansão do filme para além da sala de cinema, e os novos aspectos que ele adquire, devido aos recursos digitais de produção e projeção existentes. Já Ronaldo Entler fala sobre o conceito de obra expandida e analisa o trabalho do documentarista francês Chris Marker que, nos anos 60, repensou o estatuto do cinema com uma inusitada obra de ficção científica, e hoje explora linguagens e ambientes alternativos para reinterpretar os registros que produziu ao longo de quase 60 anos de carreira.

Tá bom ou quer mais? Quer mais? Porque tem mais.

O papo no Pará

“Fomos muito bem recebidos por toda a equipe do IAP“, Joana Rennó inicia seu relato paraense. “E, já no primeiro dia, me impressionei com a revoada de periquitos em direção às árvores do instituto. Milhares, aos montes, num estardalhaço”. Além da exuberante natureza e da comilança de dois posts atrás, Joana nos conta ponto a ponto como foram as palestras de Ivana Bentes, André Brasil e Ronaldo Entler no Instituto de Artes do Pará, onde o público e os perequitos ouviram atentamente o papo sobre processos de criação e cinema expandido. Confira:

Os palestrantes em Belém do Pará

Os palestrantes em Belém do Pará

Ivana Bentes: das vanguardas históricas à comunicação na contemporaneidade

“O ciclo de palestras começou com a fala da professora Ivana Bentes: dos processos de criação das vanguardas históricas às estéticas da comunicação na contemporaneidade. Como perceber o que é habitual e o que é criação? Como o processo de criação pode migrar de um campo para o outro? Estas foram algumas das questões discutidas pela pesquisadora. O gesto do artista como possibilidade de deslocamento de objetos do cotidano para espaços radicalmente diferentes.

Ivana Bentes

Ivana Bentes

“Ivana pontuou também que, nos dias atuais, nos tornamos unidades produtoras de imagens, a partir das tecnologias e gadgets hoje disponíveis. Para além de meros consumidores, somos produtores e distribuidores de conteúdo, num processo em que a especialização não é mais condição para que as imagens sejam feitas e circulem (câmeras digitais, celulares, youtube, etc)”.

André Brasil: o cinema de volta à infância

“No segundo dia, além da oficina ministrada por Eliane Brum, tivemos a mesa Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços, com André Brasil e Ronaldo Entler.

André Brasil

André Brasil

“André começou pontuando uma questão muito pertinente: como pensar o cinema para além do cinema? Como pensar as forças que atravessam o cinema para além da sala escura? Para começar a fala, um trecho do vídeo Zen For Film, de Nam June Paik, que projeta uma imagem branca só justaposta por arranhões da própria película. Uma imagem vazia, mas que, pontencialmente, concentra todas as outras.

Respeitável público

Respeitável público

“Ao discutir a exposição Voyage(s) en Utopie, de Jean-Luc Godard, no Centre Pompidou (França), todas essas inquietações foram problematizadas. Numa fala cheia de poesia e conexões, André ressalta que a expansão do cinema pode religar o cinema à sua infância. Em outras palavras: a expansão do cinema remeteria à própria arqueologia da imagem cinematográfica, por meio de seus vestígios mas também de sua potência. Difícil resumir tanta coisa instigante em poucas linhas…

(Confira o registro da exposição.)”

Ronaldo Entler e a historicidade do olhar

 

Ronaldo Entler

Ronaldo Entler

“Ronaldo Entler entrou logo em seguida, para continuar a reflexão. De Degas a Muybridge, até chegarmos em Chris Marker, Ronaldo levantou questões sobre o cinema expandido. A partir de um olhar historicamente construído, poderíamos olhar para uma obra e perceber o que há de cinematográfico ali. Daí a possibilidade de pensarmos todos os artistas acima simultaneamente.

Gente atenta em clima de conversa

Gente atenta

“Lembrando Chris Marker, Ronaldo cita que esse artista uma vez disse que, com uma câmera na mão, a gente não tem a menor idéia do que filma. Tudo pode mudar a partir de uma volta às imagens. Para entender melhor a afirmação, fomos levados a pensar o conceito de história de Walter Benjamin, que entende a história não como algo linear, com causa e efeito, mas como uma constelação, formada por estruturas pulsantes cheias de lacunas, em ligações móveis. O passado tem que permanecer vivo e quando olhamos para uma obra, o fazemos a partir de uma referência de linguagem. Passado, presente e futuro em relações que explodem com a linearidade”.

[Joana Rennó]

Cronistas da fronteira e outras crônicas

Fabio Malini oficinando em Boa Vista

Fabio Malini oficinando em Boa Vista

É verdade, fiel leitor, esta semana marca o fim da passagem da caravana Rumos Itaú Cultural 2009 pela região Norte do Brasil, com as duas últimas paradas marcadas para Belém (PA) e Manaus (AM). Mas não fique triste, não fique com saudades — as histórias são muitas e não param de chegar, serão ainda muitas e ficarão guardadas aqui, pertinho do cursor do seu mouse.

Agora mesmo, quando a turma desembarca em Belém, onde hoje, às 19h, tem a palestra Processos de Criação, com Ivana Bentes, você pode se informar sobre o passo-a-passo do desenrolar das oficinas lá em Boa Vista (RR), através do divertidíssimo Crônicas da Fronteira, blog do jornalista Edgar Borges, testemunha ocular da passagem do Rumos por aquelas bandas.

Edgar fala dos oficineiros, dos exercícios propostos, das conversas, e mostra os próprios resultados, tudo no espírito em tempo real destes dias de Twitter. É ele quem também dá a dica do ótimo blog do jornalista Luiz Valério, outra testemunha ocular a twittar as oficinas.

Boa leitura pra você. Mas antes, você aí de Belém, lembre-se da palestra logo mais. “Quem é, ou pode ser, hoje, um criador? O fim do especialista e a ‘intelectualidade de massas’. Práxis e poiesis. Resistência e criação. O estatuto do artista hoje. A criação no capitalismo estético”. Etc. & Tal. Sobre estas e outras questões você se inteira logo mais com a professora, ensaísta e curadora Ivana Bentes. Às 19h, no Instituto de Artes do Pará.

Onde amanhã, das 9h30 às 18h, Eliane Brum ministra a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, e em seguida, às 19h, André Brasil e Ronaldo Entler falam sobre Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços.

Calma lá que não acabou. Turma de Manaus, alôu: também amanhã, às 19h, no Palacete Provincial: A importância do corpo nos processos de criação em arte contemporânea discutida por Christine Greiner, e Processos de Criação na Dança por Marcelo Evelin.

Agora sim, boa leitura. Tem mais textos, testemunhos e fotos aqui.

A caravana ligou pra contar

Em Brasília, 19h. Sonia Sobral, gerente do Rumos Artes Cênicas, avisa que o bate-papo inaugural do Rumos 2009 em Brasília atraiu mais que candidatos ao programa. “Reconheci pessoas ligadas às artes cênicas na platéia que não são potenciais inscritos e que foram para ouvir a Christine Greiner”. Estudantes da área de arte e tecnologia também estiveram presentes, motivados pela presença da professora Suzete Venturelli.

Candidatos ou não, o público se mostrou muito menos platéia e muito mais interlocutor. Interessado e ativo, sim, lá em Goiânia também — Kety Fernandes, coordenadora do Rumos Cinema e Vídeo, ligou pra contar. Em Goiânia foi Ivana Bentes quem inaugurou os trabalhos do Rumos 2009, conversando com cerca de 60 pessoas sobre convergência de mídias e linguagens.

Goiânia de olhos e ouvidos atentos...

Goiânia de olhos e ouvidos atentos...

...À palestrante Ivana Bentes

...à palestrante Ivana Bentes

Quem estiver em uma das duas cidades ainda tem tempo de participar. Hoje à noite, Christine Greiner palestra no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, enquanto em Brasília Vera Sala discute processos criativos em dança.

Enquanto isso, no ciberespaço

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A equipe do Overmundo faz o convite para a oficina de introdução à web colaborativa que acontece amanhã em Brasília, e fala um pouco da parceria com o Itaú Cultural. Assim falou o Observatório:

A oficina [ministrada por Viktor Chagas], com duração de três horas, dá uma pincelada na história da internet e da Web 2.0, faz um passeio por sites que usam estrutura colaborativa, aborda a questão da escrita no meio virtual e as mudanças no cenário cultural causadas pelas novas tecnologias. Entre março e abril, vamos participar da caravana também em Recife (março, na Fundação Joaquim Nabuco), no Rio de Janeiro (abril, na UFRJ), em Belo Horizonte (abril, no Museu Inimá de Paula) e Porto Alegre (abril, Centro Cultural Érico Verissimo).

E disse tudo. A expectativa é grande dos dois lados da parceria. E pode ser dos TRÊS lados, se o público animar com a gente. Quem estiver em Brasília é convidado!