Tchê! Crônicas de OUTRO rumeiro em Porto Alegre

O rumeiro Kuja em ação

O rumeiro Kuja em ação na oficina Introdução à Web Colaborativa

 

Isso mesmo, estarrecido leitor, porque o rumeiro Roberto Cruz passa a bola pro companheiro Kuja, Kujawski, Guilherme Kujawski pra dizer inteiro, que confirma o verossímil: a Fundação Iberê Camargo é linda e o Rumos foi um barato. É um barato, SERÁ um barato. Kuja conta um pouquinho da oficina Introdução à Web Colaborativa ministrada por Thiago Camelo, da parceria do Itaú Cultural com o Overmundo, e termina apontando o dedo na direção do futuro, jogando pulgas atrás de orelhas e deixando a todos pra lá de curiosos. As fotos são de Elvira Fortuna.

 

Thiago Camelo

Thiago Camelo

 

“A última oficina fruto da parceria Rumos Arte Cibernética e Overmundo foi bastante legal. Quem ministrou foi o Thiago Camelo, irmão do grande Marcelo Camelo. O Thiago é muito talentoso e não deveria ser apresentado na sociedade apenas como o ‘irmão do Marcelo’ — ele é o Thiago Camelo e ponto final!”

 

E a turma

E a turma

 

“É interessante a linha de conteúdo da oficina do Overmundo, que começa dando um panorama muito abrangente do que é a Web 2.0 e termina com uma reflexão sobre como a Web Colaborativa está afetando a produção cultural do mundo real, permitindo o surgimento de iniciativas grass-roots, de baixo para cima, como o tecnobrega de Belém do Pará e a indústria cinematográfica de Nollywood“.

Ou seja: “a parceria funcionou e vai render frutos futuros. Vamos continuar com as oficinas nos próximos Rumos, mas mais vitaminados e repletos de valores agregados. Não vou contar agora para não quebrar a surpresa”.

Ué, se tem que esperar a gente espera!

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Galeria de personagens Rumos: Guilherme Kujawski

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“Quando estava no Rio, um cara me abordou no campus da UFRJ dizendo ser um ‘enviado de Deus’. Dizia que tinha uma espécie de ‘corpo fechado’, pois qualquer lugar onde frequentava, tanto no morro dos traficantes como na própria UFRJ, era bem-recebido ou bem tratado. Ele depois acabou contando que é um ex-paciente do hospital psiquiátrico que teve alta. Que quando criança sofreu um acidente empinando uma pipa de cima de um telhado, bateu a cabeça e teve perda de massa encefálica. A médica dele aconselhou-o a passar seu tempo na biblioteca da universidade, lendo livros de teologia…No final da nossa conversa, ele me disse, como se fosse o próprio arcanjo Gabriel: ‘Gostou de me conhecer?'”.

[Guilherme Kujawski, em depoimento para a série “A vida é estranha, mas é engraçada”]

Brasil-Mosaico

Um post-mosaico para um Brasil imenso, brasileiro leitor, para uma semana e meia que passou — sorrisos nos retratos de Aracaju, Darwin, Chris Marker e Os Doze Macacos no Rio, Joana feliz narrando os espólios da palestra em Bê-Agá. Ainda tem muita história pra contar. Voltamos no próximo post. Mas enquanto isso, vá, vá, .

Em Aracaju

 

As meninas preparando Aracaju: Sonia Sobral, Christine Greiner e Lia Rodrigues

As meninas preparando Aracaju: Sonia Sobral, Christine Greiner e Lia Rodrigues

 

Sonia representa o Itaú Cultural, apresenta as palestrantes e recebe uma boa turma

Sonia representa o Itaú Cultural, apresenta as palestrantes e recebe uma boa turma

 

Eu disse "boa"? Grande também!

Eu disse "boa"? Grande também!

 

No Rio

 

Nélio Bizzo e Guilherme Kujawski, o Kuja

Nélio Bizzo e Guilherme Kujawski, o Kuja

 

“Na primeira noite”, relata Kuja, “o Nélio Bizzo comentou que o Darwin ‘remixou’ algumas idéias da época, que o levaram a formular a teoria das evolução das espécies. O ‘insight’ científico é tão contestável quanto o ‘insight’ artístico, pois nada surge por ‘geração espontânea’. A cultura e a arte caminham por referências e associações.

“No dia seguinte teve a oficina do pessoal do Overmundo. Nada como um dos próprios participantes contar como foi“.

 

Ronaldo e o público

Ronaldo e o público

 

“Na noite de fechamento, Ronaldo Entler e André Brasil fizeram duas ótimas apresentações: o primeiro focou no trabalho de Chris Marker [lembra?], responsável, entre outros, pela ‘fotonovela’ La Jetée (1962), que foi inspiração para o filme ‘Os Doze Macacos’ de Terry Gilliam.

 

O público e André Brasil

O público e André Brasil

 

“O segundo focou na polêmica exposição de Godard no centro Pompidou; a princípio era para ser uma exposição sobre a história do cinema mas, desacordos e brigas depois, tornou-se uma exposição-instalação chamada ‘Collage(s) de France’, mais voltada ao trabalho do cineasta”.

Em Bê-Agá

 

A palestrante Suely Rolnik

A palestrante Suely Rolnik

 

Joana Rennó diz que a palestra da Suely Rolnik lotou o auditório. Bom pra quem foi, já que, segundo Joana, é “difícil colocar o que foi dito em poucas palavras. Quase impossível. Pra você ter uma idéia da palestra, dá uma olhada em alguns dos subtítulos que a própria Suely criou”:

 

Desentranhando futuros

 

Despertando da anestesia

 

Micro e macropolítica

 

Criação cafetinada

 

Revolver

 

Ativar

 

Revulsionar

 

“Acho que pelos subtítulos dá para sentir o que foi a experiência de ontem, né? Revolver, ativar, revulsionar…Dar expressividade para aquilo que pede passagem…O ato de criação como uma forma de esgarçar nossos limites…”

 

Constelação de idéias passando pelos olhos do público

Constelação de idéias passando pelos olhos do público

 

Novos limites, é para lá que o Rumos aponta. O que nos aguarda detrás das fronteiras que ainda faltam cruzar?

149 clicks em um só lugar

Muita água tem rolado sob a ponte do Rumos Itaú Cultural 2009, aquático leitor, mas aqui as páginas passadas não são viradas — elas viram links ali na parte superior do blog. Enquanto a turma em Boa Vista (RR) mantém os olhos e ouvidos atentos e a mão na massa na oficina Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede, com Fabio Malini, enquanto a caravana não passa na sua cidade, enquanto você descansa entre uma etapa e outra do projeto que está escrevendo para o Rumos, viaje, divague, navegue e divirta-se com a compilação de sites de cultura preparada pelo Rumos Jornalismo Cultural.

Explicando. Entre 2004 e 2006, ao longo das duas edições passadas do Rumos JC, uma turma de pessoas parceiras do Itaú Cultural foi inquirida, interpelada mesmo, acerca de bons lugares para se passear na rede. Alberto Villas, André Vallias, Antonio Prada, Cremilda Medina, Daniel Piza, Francisco Karam, Gabriel Priolli, Guilherme Kujawski, Israel do Vale, José Castello, Juarez Fonseca, Kiko Ferreira, Liane Milanês, Maria Hirszman, Robinson Borges, Rogério Pereira, Sergio Vilas-Boas e Teixeira Coelho são estas pessoas. E os lugares são esses aqui, quer dizer, ali, ali em cima no link Banco de Cultura.

Mas você que é de Boa Vista, não vá se atrasar. Guarde com carinho a dica dos links mas não esqueça que na sequência da oficina do Malini, às 19h, o coreógrafo, diretor e intérprete Marcelo Evelin soma à caravana Rumos a palestra Processos de Criação na Dança. Que questões trazem o corpo? Como podemos identificá-las e discuti-las? Sobre estas e outras questões Evelin conversa hoje, no Laboratório do CCT da Universidade Federal de Roraima.

Diário[s] de Pernambuco, ou: Recife Passo-a-Passo

Mais páginas, ávido leitor, do virtual caderno de viagens de Guilherme Kujawski, nosso coordenador de Arte e Tecnologia. Acompanhe uma-a-uma as praieras notas da expedição à antiga Mauritsstad, realizada pela turma da caravana Rumos 2009. Quer dizer, à Veneza Brasileira, como prefere o escriba Kuja, ou Recife, se você preferir.

 

Enquanto isso: hoje, das 9h às 18h, Eliane Brum pilota lá em Macapá a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular. Onde amanhã no mesmo horário Fábio Malini oficina sobre Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede. Endereço: SEAMA, Prédio de Jornalismo, Laboratório B – 6º piso – Av. Nações Unidas, 1201 – Laguinho.

 

Lembrando: tem o roteiro das itinerâncias do início ao fim aqui, ó.

 

Adiantando: em breve, neste mesmo blog, Eliane Brum nos envia uma lição de construção de personagem, retrato de Porto Velho, última parada antes da atual Macapá.

 

Agora: de volta a nosso passeio maracatômico pelas impressionantes impressões do nosso rumeiro:

 

Dia 26, palestra de Cecília Salles

“Talvez devido à matéria do dia 26 no Diário de Pernambuco, o auditório da Fundação Joaquim Nabuco no Derby estava com boa capacidade. Antes, fomos gentilmente recebidos por Isabela Cribari, diretora de cultura da Fundaj. O público ouviu a palestra de Cecília com muita atenção; o que não é surpreendente, já que a doutora da PUC se articula muito bem e tem conteúdo.

 

Atrações em Recife: Rumos Itaú Cultural e Lula Queiroga

Atrações em Recife: Rumos Itaú Cultural e Lula Queiroga

 

“Ela começou a falar sobre o papel dos índices na marcação de uma obra processual; seguiu comentando sobre como é necessário retirar o campo da ‘crítica genética‘ do campo da mera curiosidade genealógica, restrito apenas ao universo de documentos e materiais de deram origem a uma obra de arte (‘não só literária!’, enfatizou Cecília). Ela também deixou claro o papel das redes na criação e como elas afetam as formas do pensamento relacional. Nesse sentido, não há como não lembrar o conceito do remix, projetos que retrabalham sem nenhuma culpa obras precedentes e geram assim derivados recombinados. Cecília seguiu numerando alguns exemplos, como as obras que tematizam o processo de criação (lembrei de cara do novo trabalho de Charlie Kaufman, chamado ‘Sinédoque, Nova York‘, um filme em que um diretor de teatro resolve fazer uma peça em que a Big Apple é reproduzida em miniatura, como se a maquete tivesse o mesmo peso simbólico da cidade real, em direção a uma metonímia quase perfeita, porém precária). Depois ela refletiu sobre as obras que se valem do acaso como método. Enfim, foi tudo muito legal e o Itaú Cultural foi muito bem tratado pela Fundaj. Agradecimentos especiais para Natália Barros que, em nome de Cris Tejo (ausente por estar na Bienal de Havana), deu um apoio incrível.

 

Dia 27, oficina de Viktor Chagas

Viktor Chagas: Introdução à Web Colaborativa

Viktor Chagas: Introdução à Web Colaborativa

 

“O overmano adorou a idéia de ir à Recife, pois foi lá onde nasceu e de lá saiu aos seis anos de idade. Ao chegar na Veneza Brasileira, Viktor dirigiu-se de taxi até o bairro Casa Forte, numa busca proustiana por suas raízes. Foi com pasmo que encontrou, no lugar de sua antiga casa avarandada, um prédio de 20 andares. Infelizmente, Viktor não conseguiu ver a piscina de sua antiga casa, um ‘aquário’ onde viviam animais relegados pelos pescadores, que os jogavam lá.

 

Da esquerda para a direita: Viktor, Talles Siqueira (MinC) e Kuja, atrás do monitor

Da esquerda para a direita: Viktor, Talles Siqueira (MinC) e Kuja, atrás do monitor

Dia 27, palestra de Patrícia Moran

 “Apesar de menos cheio, o auditório estava animado. Lá estava uma senhora, urbanista aposentada, que assistiu com muito interesse os diversos DVDs que Patrícia ia mostrando ao longo de sua exposição. A ex-urbanista gostou muito dos trabalhos de VJs brasileiros, mas sentiu-se um pouco sufocada com trabalhos de coletivos austríacos, que trabalham o corpo de forma ‘desumanizada’, quase aniquilando o sujeito, num processo quase estruturalista”.

Crédito das fotos: Verônica Araújo

[Guilherme Kujawski]

Na volta do Recife…

Guilherme Kujawski nos envia o curioso relato de seu encontro com um tecnicolor fantasma tupi. Isso mesmo, incrédulo leitor: forças ancestrais dançando frevo e tirando dúvidas sobre os editais Rumos. Quer dizer, mais ou menos isso. Deixa que o Kuja conta, vai.

***

“Envio o desenho de Guajupiá. Segundo a cosmogonia tupi, trata-se da sombra, a alma pesada, que fica rondando o corpo, em oposição a angüera, a alma mais leve, que fica dentro da cabeça (fonte: Meu Destino é Ser Onça, Alberto Mussa, editora Record, 2008).

A entidade escapou da câmera digital, mas não da imaginação de Kuja

A entidade escapou da câmera digital, mas não da imaginação de Kuja

“Li o livro na viagem de ida [para Recife] e fiz o desenho no quarto do hotel, motivado por um fenômeno do tipo Poltergeist: na madrugada de quinta-feira, dia 26, a TV do meu quarto ligou sozinha; claro que há uma explicação: alguém programou a dita para ligar a tal hora. O fato é que eu não descobri de jeito nenhum como fazer para programar (e, claro, para DESPROGRAMAR), por isso tratei o fenômeno como sobrenatural. O Guajupiá, como entendo, é o fantasma da cultura Tupi”.

[Guilherme Kujawski]

Transmissão ao vivo de Recife

Chamemos de torpedo, sextafêirico leitor, o que Guilherme Kujawski nos envia de Recife, onde desembarcou ontem e onde ontem rolou a palestra Processos de Criação, com Cecília Almeida Salles, hoje ao longo do dia a oficina Introdução à Web Colaborativa, com Viktor Chagas, e logo mais, às 19h, rolará a palestra A experimentação como acontecimento do agora, no agora, com Patrícia Moran. Sim, ora bolas, um torpedo: curto demais para missiva e direto demais para postal — preciso, no entanto, como aqueles que articulam as baladas das sextas-feiras mundo a fora. Torpedo assim na forma e no conteúdo: é justamente um convite que o longínquo Kuja quer nos fazer, para assistir à transmissão da conversa que rolará logo mais. Confira o que rola, amizade, que o que rola não cria limo, e é ao vivo, agora, aqui.