Mostra do Rumos Artes Visuais chega a Belém

A partir desta semana, até 2 de setembro, Belém recebe a exposição O Fio do Abismo, em cartaz na Casa das Onze Janelas. A mostra apresenta 24 obras, de 18 artistas selecionados pelo Rumos Artes Visuais 2011/2013.

As obras foram apresentadas na exposição Convite à Viagem, realizada em São Paulo com curadoria de Agnaldo Farias, na qual foram exibidos 100 trabalhos dos 45 selecionados do programa. O recorte paraense tem curadoria de Gabriela Motta, em cocuradoria com Luiza Proença e Alejandra Muñoz.

Os recortes da exposição Convite à Viagem que saem em itinerância pelo país têm curadoria de cada equipe regional, e serão exibidos em formatos diferentes em quatro cidades. Começando por Goiânia, com a exposição Volta ao Dia em 80 Mundos, os demais recortes, depois de Belém, serão exibidos em Joinville (SC) e Recife (PE). Encerrando o percurso, o Rio de Janeiro receberá a exposição integral.

O curador-geral desta edição do Rumos, Agnaldo Farias, conta com a cocuradoria de Ana Maria Maia, Felipe Scovino, Gabriela Motta e Paulo Miyada, e com os curadores viajantes Alejandra Muñoz, Franzoi, Julio Martins, Luiza Proença, Marcelo Campos, Matias Monteiro, Sanzia Pinheiro e Vânia Leal, que se dividiram pelo Brasil para conhecer a produção artística das regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Confira mais informações sobre a proposta da curadoria e as obras selecionadas para a mostra de Belém.

O Fio do Abismo
Em cartaz de 18 de julho a 2 de setembro de 2012
De terça-feira a sexta, das 10h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 9 às 14h
Ingressos: R$ 2,00
Entrada franca: crianças até 7 anos , adultos a partir dos 60 anos, portadores de necessidades especiais, grupos agendados e turmas da rede de ensino agendadas
Classificação indicativa: livre

Casa das Onze Janelas
Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/ n, Cidade Velha
Tel.: (91) 4009-8825 / 4009-8823
Informações: onzejanelas@gmail.com

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Conversa no Atelier do Porto


Neste sábado, dia 04, às 10h, Vânia Leal, curadora da região Norte do Rumos Artes Visuais, faz uma palestra sobre sua experiência de curadoria no Atelier do Porto, em Belém. Além disso, aproveita para tirar dúvidas e dar orientações para a montagem dos dossiês visuais dos artistas.

Pra quem ainda não conhece, o Atelier do Porto fica na Rua Gurupá, n°104 (entre Dr. Malcher e Dr. Assis), Cidade Velha, Belém/PA. Mais informações aqui.

Lembrando que ainda dá tempo de se inscrever no Rumos Artes Visuais, com o prazo do programa prorrogado para o dia 26 de junho.

Semana Rumos apenas começando (1)

Semana cheia, caro leitor, amiga leitora, pois ela, que está quase no fim, mal começou. Quer dizer: começou bem, e segue ainda melhor.

Logo mais tem Antonio Nóbrega em Belém – às 20h, no Teatro Estação Gasômetro (Av. Magalhães Barata, 830 – São Brás), apresentando a aula-espetáculo Mátria, preparada especialmente para a divulgação do Rumos Educação, Cultura e Arte. A caravana leva o músico e dançarino ao palco de Manaus no sábado, 30 de abril – às 19h, no Teatro da Instalação (Rua Frei José dos Inocentes, s/n). É só chegar com meia hora de antecedência e retirar o ingresso.

Manaus também recebe, na sexta, 29, a oficina teórica Portfólio de Artista, conduzida pela historiadora Janaína Melo, como parte da programação de boas-vindas do Rumos Arte Visuais. Das 16h às 19h, no Palacete Provincial (Praça Heliodoro Balbi s/nº – Centro. Informações: 92 3232 2440). No sábado, 30 de abril, a oficina é ministrada em Macapá – das 14h às 17h, no Sesc Amapá (Rua Jovino Dinoá 4311 – Beirol. Informações: 96 3241 4440 ramal 257).

Não esquecendo que naquela mesma sexta, 29, do parágrafo acima, tem palestra de difusão do Rumos Artes Visuais, com os curadores Agnaldo Farias, Fernando Oliva e Paulo Miyada. Às 19h, no Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 236. Informações: 4006 2911/4006 2904).

Continua…

Jornalismo Cultural aqui & agora

Agora mesmo, imediato leitor, acontece em Belém o laboratório do Rumos Jornalismo Cultural “Como fazer na internet coberturas ao vivo de eventos culturais”, conduzido pelo professor Fábio Malini. Nas dependências do Instituto de Artes do Pará, e aí na sua tela: é só acompanhar o streaming da conversa.

Fábio Malini é doutor em Comunicação, professor de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e ativista do Fórum de Mídia Livre e da Universidade Nômade. Também é consultor do Onda Cidadã – Mapeamento Nacional da Comunicação Autônoma para o Itaú Cultural. Twitter – @fabiomalini.

E por falar em mapeamento…

Mais uma palhinha do que tem rolado na peregrinação da caravana do Rumos Artes Visuais, intrépido leitor. Desta vez, diretamente do caderno de impressões de Vânia Leal, curadora de mapeamento na região Norte do país. Ainda estamos falando sobre fevereiro, pois há muito a se falar. Começando por Belém do Pará:

Belém, 23 de fevereiro, 8hs

Acordo e olho pela janela, e o volume d’água que cai na cidade dá vontade de voltar para a cama e ficar ali, esperando o tempo passar devagar, escutando aquele barulho de chuva no telhado, tão cotidiano. Em Belém, chove todo dia, e nesta época o fenômeno se intensifica, ao mesmo tempo em que se encontra com a “maré alta”, como se diz por aqui. Aí já viu, né? Alguns locais transbordam, como por exemplo o Mercado Ver-O-Peso, centro comercial e ruas paralelas. Ontem, dia 22, os feirantes enfrentaram um dia de maré alta.

Mesmo com a previsão de 3,7 metros para o começo da tarde de hoje, estou confiante de que não enfrentarei o aguaceiro. No sábado, quando a maré atingiu 3,6m no final da manhã, as valas ficaram cheias. Pergunto-me: o que pode ocorrer hoje? De acordo com a previsão da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, na madrugada, por volta de 1h, a maré deve atingir 3,8m, e, no começo da tarde, às 13h30, voltar a atingir os 3,7m.

Por isso, desde a semana passada, equipes da Defesa Civil Municipal estão percorrendo os pontos considerados mais críticos em relação a alagamentos, entre eles o Ver-o-Peso, a Feira do Açaí, a Doca de Sousa Franco e a área portuária, próxima à Av. Marechal Hermes. Na Boulevard Castilho França, onde a maioria dos comércios já estava fechando as portas por volta do meio-dia de domingo, alguns vendedores mais cautelosos, mesmo não acreditando em alagamento, resolveram se precaver.

E eu também, porque a umidade do ar está densa e o que me ocorre nesse momento é emprestar a paisagem “praia no inverno” que envolve o filme O escafandro e a borboleta para fazer uma metáfora com a paisagem de Belém. Esse filme é fundamental para o significado do título que leva. Lembro de uma cena do filme em que, diante de um quadro irreversível, Bauby aceita sua realidade e constata que possui duas qualidades que não perdeu com o derrame: sua memória e sua imaginação. É com essa visão que pretendo pensar nas particularidades e forças que se manifestam na arte contemporânea local, em uma troca de ideias estimulante.

Lembro de uma reunião no dia 21, em São Paulo, quando o Agnaldo [Farias, curador do Rumos Artes Visuais] falou: “o trabalho impõe-se dialogar com a qualidade”, mas a pergunta mais inquietante para mim foi: “o que eu fiz até agora para estar aqui dentro?”. Eu também me incluo neste auto-exame que os artistas deverão fazer, para pensar nas formas de relação que se materializam neste continente vasto e distante dentro de si que chamamos Amazônia.

Mais do que escolher artistas, o desafio que me coloco é o de conseguir reunir um conjunto de proposições que revelem para ao espectador as diferentes maneiras pelas quais o artista se manifesta, e quais as questões que engendram suas ações.

Assim, visto minha roupa de escafandro para me aventurar nas ruas de Belém. Estar em contato é para mim uma condição de existência, e um projeto como o Rumos Itaú Cultural amplia o leque de relações, nos faz olhar com mais acuidade para os artistas próximos e mais distantes, para aquele que conhecemos e para aquele que perdemos de vista. Ao buscar conhecer a produção atual, vou naturalmente acionar minha rede de relacionamentos e localizar os que parecem inacessíveis. Vai ser um grande desafio.

Como citei, a região tem a dimensão de um continente e, devido à inexistência de uma malha aérea mais eficiente, para chegarmos a determinadas capitais temos que nos deslocar até Brasília. Também, em muitos pontos da região o acesso à internet ainda é precário. São peculiaridades importantes, pois afetam o contato e o trânsito de informações. São dificuldades que estimulam o homem amazônico a estabelecer processos diferenciados que são interligados com forte carga de identidade cultural, resultando em maneiras de pensar e fazer arte. Como falei, vou me imbuir de memória e imaginação para nortear as relações que irão se estabelecer na curadoria.

Nossa! a chuva está forte lá fora. Vou ligar desmarcando o encontro para mais tarde, depois eu conto como foi. Vou tirar esta roupa, tomar um café quentinho e observar as variedades das cores das borboletas que apareceram por aqui.

[Vânia Leal]

Por onde a caravana Rumos Pesquisa passa

O dia hoje começa duas vezes com o Rumos Pesquisa, com notícias de ontem e de amanhã. A caravana que passou por Rio Branco no último dia 03 deu de cara com um público de mais de 130 pessoas, entre alunos, professores e gestores culturais. Todos de olho e ouvido nas palestras dos professores José Bessa (“Conservar as cinzas ou soprar a brasa? O tradicional e o novo no patrimônio cultural da Amazônia”) e Márcia Ferran (“Participação, política cultural e revitalização urbana nos subúrbios cariocas”).

Pois aqueça a garganta, sustente o gargarejo, afine o tom, que nessa semana a caravana volta a fomentar o bom papo. Quarta, dia 12, no Rio de Janeiro, as professoras Liliana Segnini e Cibele Rizek falam sobre “Arte como instrumento de cidadania e artista como trabalhador: duas abordagens de investigação no campo da cultura”, e na sequência Cleisemery Campos Costa discute “Gestão cultural e a capacitação de gestores de cultura: o caso de São Gonçalo”. Já no dia 13 é a vez de Porto Alegre se ligar nas palestras “Memória Social, Museus e Sustentabilidade: novos desafios na contemporaneidade” (com a professora Regina Abreu) e “Instituições e públicos culturais: um estudo de mediação a partir do caso SESC-SP” (com a professora Maria Carolina Vasconcelos Oliveira).

A semana termina na sexta (dia 14) e em Belém, onde Taiane Fernandes fala sobre “Políticas Culturais: a Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia” e Luzia Ferreira sobre “Políticas Públicas para a Cultura na cidade de São Paulo: a Secretaria Municipal de Cultura”. É bom anotar, memorioso leitor, que a semana não pára por aí.

Logo mais já tem & Paradoxos para todos

Essa é pra quem estiver em Rio Branco: logo mais, às 19h, no auditório da Uninorte, tem seminário Rumos Pesquisa que, por sinal, ruma na sexta pra Belém e não esqueça. Agora essa, como dizia o ministro, é pra tocar no rádio: isto é, na TV: logo mais, na TV Cultura, tem Rumos da Música, que inaugura o mês de maio com o som do fagotista gaúcho Adolfo Almeida Jr. — escute faixas do piradíssimo Paradoxos para todos aqui e não esqueça, o programa vai ao ar logo após o Roda Viva.