Brasil-Mosaico

Um post-mosaico para um Brasil imenso, brasileiro leitor, para uma semana e meia que passou — sorrisos nos retratos de Aracaju, Darwin, Chris Marker e Os Doze Macacos no Rio, Joana feliz narrando os espólios da palestra em Bê-Agá. Ainda tem muita história pra contar. Voltamos no próximo post. Mas enquanto isso, vá, vá, .

Em Aracaju

 

As meninas preparando Aracaju: Sonia Sobral, Christine Greiner e Lia Rodrigues

As meninas preparando Aracaju: Sonia Sobral, Christine Greiner e Lia Rodrigues

 

Sonia representa o Itaú Cultural, apresenta as palestrantes e recebe uma boa turma

Sonia representa o Itaú Cultural, apresenta as palestrantes e recebe uma boa turma

 

Eu disse "boa"? Grande também!

Eu disse "boa"? Grande também!

 

No Rio

 

Nélio Bizzo e Guilherme Kujawski, o Kuja

Nélio Bizzo e Guilherme Kujawski, o Kuja

 

“Na primeira noite”, relata Kuja, “o Nélio Bizzo comentou que o Darwin ‘remixou’ algumas idéias da época, que o levaram a formular a teoria das evolução das espécies. O ‘insight’ científico é tão contestável quanto o ‘insight’ artístico, pois nada surge por ‘geração espontânea’. A cultura e a arte caminham por referências e associações.

“No dia seguinte teve a oficina do pessoal do Overmundo. Nada como um dos próprios participantes contar como foi“.

 

Ronaldo e o público

Ronaldo e o público

 

“Na noite de fechamento, Ronaldo Entler e André Brasil fizeram duas ótimas apresentações: o primeiro focou no trabalho de Chris Marker [lembra?], responsável, entre outros, pela ‘fotonovela’ La Jetée (1962), que foi inspiração para o filme ‘Os Doze Macacos’ de Terry Gilliam.

 

O público e André Brasil

O público e André Brasil

 

“O segundo focou na polêmica exposição de Godard no centro Pompidou; a princípio era para ser uma exposição sobre a história do cinema mas, desacordos e brigas depois, tornou-se uma exposição-instalação chamada ‘Collage(s) de France’, mais voltada ao trabalho do cineasta”.

Em Bê-Agá

 

A palestrante Suely Rolnik

A palestrante Suely Rolnik

 

Joana Rennó diz que a palestra da Suely Rolnik lotou o auditório. Bom pra quem foi, já que, segundo Joana, é “difícil colocar o que foi dito em poucas palavras. Quase impossível. Pra você ter uma idéia da palestra, dá uma olhada em alguns dos subtítulos que a própria Suely criou”:

 

Desentranhando futuros

 

Despertando da anestesia

 

Micro e macropolítica

 

Criação cafetinada

 

Revolver

 

Ativar

 

Revulsionar

 

“Acho que pelos subtítulos dá para sentir o que foi a experiência de ontem, né? Revolver, ativar, revulsionar…Dar expressividade para aquilo que pede passagem…O ato de criação como uma forma de esgarçar nossos limites…”

 

Constelação de idéias passando pelos olhos do público

Constelação de idéias passando pelos olhos do público

 

Novos limites, é para lá que o Rumos aponta. O que nos aguarda detrás das fronteiras que ainda faltam cruzar?

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Enquanto isso, no Brasil:

Logo mais, rrrrrespeitável público, a caravana Rumos Itaú Cultural 2009 entra em cena para mais uma sequência de diálogos, debates, e para dar o que falar por este vasto mundo brasileiro. Depois de Goiás, Brasília, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul , Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Acre, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Amapá, Roraima, Pará e Amazonas, ufa!, não perca o fôlego, atlético leitor, que é a vez de Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro abrigarem a tenda itinerante da rumaria.

Hoje é dia de Aracaju, e amanhã também. Logo mais às 19h, no Espaço Semear, Christine Greiner, professora do departamento de Linguagens do Corpo da PUC-SP, palestra sobre A Importância do Corpo nos Processos de Criação em Arte Contemporânea. Amanhã no mesmo horário, no mesmo local, e com a sua mesma presença, a coreógrafa carioca Lia Rodrigues fala sobre Processos de Criação na Dança, abordando o tema a partir da experiência de 35 anos de carreira. 

Na sequência, entre 16 e 18 de abril, a Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória, bem recebe a caravana para assistir, às 19h do primeiro dia, à professora Ivana Bentes palestrar sobre Convergência das Mídias e Linguagens, e ao artista multimídia Lucas Bambozzi falar sobre Linguagens em Trânsito: o Audiovisual nas Redes e as Tecnologias Recentes de Produção de Imagens. A confluência de formatos audiovisuais na internet e a exploração dos conceitos que envolvem essas novas possibilidades de linguagens estão entre os tópicos que serão abordados na fala de Lucas, assim como o conceito de microcinema. No dia seguinte (sexta-feira), das 14h às 18h, o mesmo Bambozzi ministra a oficina Filmes e Vídeo Experimentais, que pretende um aprofundamento das discussões a partir de análises detalhadas de exemplos e estudos de casos.
 
No sábado, 18, o jornalista José Castello volta à cena com a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular. A atividade é aberta para profissionais e estudantes de jornalismo e os seus principais temas abordam a pesquisa, a escolha e a construção do personagem, técnica da entrevista e a transpiração na produção do texto.

E o Rio de Janeiro? Continua lindo, e recebe a caravana nos dias 16 e 17 de abril.

Às 19h do primeiro dia, o pós-graduado na área de biologia e educação Nelio Bizzo fala sobre Processos de Criação: A Obra de Charles Darwin como Exemplo de Processo Criativo. Ele observa que nas últimas décadas a história da ciência passou por uma profunda transformação como campo de pesquisas, contexto em que o trabalho de Darwin torna-se um tema privilegiado. Além desta questão, Bizzo conversa sobre a possibilidade de estabelecer um paralelo entre a criação científica e a artística.
 
No dia seguinte (sexta-feira), das 14h às 17h, Helena Aragão ministra a oficina Introdução à Web Colaborativa. O objetivo da atividade é desmistificar a internet e o processo de escrita e mostrar como a web 2.0 pode fazer diferença no dia-a-dia do usuário. Com aulas práticas e lúdicas, ele dá noções básicas de como ampliar o repertório dos canais possíveis para a difusão de conteúdo na web e como utilizá-lo.
 
Às 18h, André Brasil (professor da PUC-Minas e integrante do programa de pós-graduação em Comunicação) e Ronaldo Entler (mestre em multimeios pelo Instituto de Artes da Unicamp) falam sobre Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços. Na palestra, o primeiro aborda o processo de expansão do filme para além da sala de cinema, e os novos aspectos que ele adquire, devido aos recursos digitais de produção e projeção existentes. Já Ronaldo Entler fala sobre o conceito de obra expandida e analisa o trabalho do documentarista francês Chris Marker que, nos anos 60, repensou o estatuto do cinema com uma inusitada obra de ficção científica, e hoje explora linguagens e ambientes alternativos para reinterpretar os registros que produziu ao longo de quase 60 anos de carreira.

Tá bom ou quer mais? Quer mais? Porque tem mais.

O papo no Pará

“Fomos muito bem recebidos por toda a equipe do IAP“, Joana Rennó inicia seu relato paraense. “E, já no primeiro dia, me impressionei com a revoada de periquitos em direção às árvores do instituto. Milhares, aos montes, num estardalhaço”. Além da exuberante natureza e da comilança de dois posts atrás, Joana nos conta ponto a ponto como foram as palestras de Ivana Bentes, André Brasil e Ronaldo Entler no Instituto de Artes do Pará, onde o público e os perequitos ouviram atentamente o papo sobre processos de criação e cinema expandido. Confira:

Os palestrantes em Belém do Pará

Os palestrantes em Belém do Pará

Ivana Bentes: das vanguardas históricas à comunicação na contemporaneidade

“O ciclo de palestras começou com a fala da professora Ivana Bentes: dos processos de criação das vanguardas históricas às estéticas da comunicação na contemporaneidade. Como perceber o que é habitual e o que é criação? Como o processo de criação pode migrar de um campo para o outro? Estas foram algumas das questões discutidas pela pesquisadora. O gesto do artista como possibilidade de deslocamento de objetos do cotidano para espaços radicalmente diferentes.

Ivana Bentes

Ivana Bentes

“Ivana pontuou também que, nos dias atuais, nos tornamos unidades produtoras de imagens, a partir das tecnologias e gadgets hoje disponíveis. Para além de meros consumidores, somos produtores e distribuidores de conteúdo, num processo em que a especialização não é mais condição para que as imagens sejam feitas e circulem (câmeras digitais, celulares, youtube, etc)”.

André Brasil: o cinema de volta à infância

“No segundo dia, além da oficina ministrada por Eliane Brum, tivemos a mesa Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços, com André Brasil e Ronaldo Entler.

André Brasil

André Brasil

“André começou pontuando uma questão muito pertinente: como pensar o cinema para além do cinema? Como pensar as forças que atravessam o cinema para além da sala escura? Para começar a fala, um trecho do vídeo Zen For Film, de Nam June Paik, que projeta uma imagem branca só justaposta por arranhões da própria película. Uma imagem vazia, mas que, pontencialmente, concentra todas as outras.

Respeitável público

Respeitável público

“Ao discutir a exposição Voyage(s) en Utopie, de Jean-Luc Godard, no Centre Pompidou (França), todas essas inquietações foram problematizadas. Numa fala cheia de poesia e conexões, André ressalta que a expansão do cinema pode religar o cinema à sua infância. Em outras palavras: a expansão do cinema remeteria à própria arqueologia da imagem cinematográfica, por meio de seus vestígios mas também de sua potência. Difícil resumir tanta coisa instigante em poucas linhas…

(Confira o registro da exposição.)”

Ronaldo Entler e a historicidade do olhar

 

Ronaldo Entler

Ronaldo Entler

“Ronaldo Entler entrou logo em seguida, para continuar a reflexão. De Degas a Muybridge, até chegarmos em Chris Marker, Ronaldo levantou questões sobre o cinema expandido. A partir de um olhar historicamente construído, poderíamos olhar para uma obra e perceber o que há de cinematográfico ali. Daí a possibilidade de pensarmos todos os artistas acima simultaneamente.

Gente atenta em clima de conversa

Gente atenta

“Lembrando Chris Marker, Ronaldo cita que esse artista uma vez disse que, com uma câmera na mão, a gente não tem a menor idéia do que filma. Tudo pode mudar a partir de uma volta às imagens. Para entender melhor a afirmação, fomos levados a pensar o conceito de história de Walter Benjamin, que entende a história não como algo linear, com causa e efeito, mas como uma constelação, formada por estruturas pulsantes cheias de lacunas, em ligações móveis. O passado tem que permanecer vivo e quando olhamos para uma obra, o fazemos a partir de uma referência de linguagem. Passado, presente e futuro em relações que explodem com a linearidade”.

[Joana Rennó]

Cronistas da fronteira e outras crônicas

Fabio Malini oficinando em Boa Vista

Fabio Malini oficinando em Boa Vista

É verdade, fiel leitor, esta semana marca o fim da passagem da caravana Rumos Itaú Cultural 2009 pela região Norte do Brasil, com as duas últimas paradas marcadas para Belém (PA) e Manaus (AM). Mas não fique triste, não fique com saudades — as histórias são muitas e não param de chegar, serão ainda muitas e ficarão guardadas aqui, pertinho do cursor do seu mouse.

Agora mesmo, quando a turma desembarca em Belém, onde hoje, às 19h, tem a palestra Processos de Criação, com Ivana Bentes, você pode se informar sobre o passo-a-passo do desenrolar das oficinas lá em Boa Vista (RR), através do divertidíssimo Crônicas da Fronteira, blog do jornalista Edgar Borges, testemunha ocular da passagem do Rumos por aquelas bandas.

Edgar fala dos oficineiros, dos exercícios propostos, das conversas, e mostra os próprios resultados, tudo no espírito em tempo real destes dias de Twitter. É ele quem também dá a dica do ótimo blog do jornalista Luiz Valério, outra testemunha ocular a twittar as oficinas.

Boa leitura pra você. Mas antes, você aí de Belém, lembre-se da palestra logo mais. “Quem é, ou pode ser, hoje, um criador? O fim do especialista e a ‘intelectualidade de massas’. Práxis e poiesis. Resistência e criação. O estatuto do artista hoje. A criação no capitalismo estético”. Etc. & Tal. Sobre estas e outras questões você se inteira logo mais com a professora, ensaísta e curadora Ivana Bentes. Às 19h, no Instituto de Artes do Pará.

Onde amanhã, das 9h30 às 18h, Eliane Brum ministra a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, e em seguida, às 19h, André Brasil e Ronaldo Entler falam sobre Cinema Expandido: Novos Formatos, Novos Espaços.

Calma lá que não acabou. Turma de Manaus, alôu: também amanhã, às 19h, no Palacete Provincial: A importância do corpo nos processos de criação em arte contemporânea discutida por Christine Greiner, e Processos de Criação na Dança por Marcelo Evelin.

Agora sim, boa leitura. Tem mais textos, testemunhos e fotos aqui.