O que o Rumos Jornalismo Cultural viu e disse e ouviu em Santa Cruz do Sul

Você soube, sabido leitor, da passagem da caravana do Rumos Jornalismo Cultural pelos encontros regionais do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (o esquenta que antecede o encontro nacional do FNPJ, que ocorre em Uberlândia, em 2012) nos dias 8 e 9 deste mês. Neste post e no seguinte lhe darei pitadas de ocorridos, colhidas da memória e das câmeras dos expedicionários Claudiney Ferreira e Babi Borghese.

Do 1º Fórum Sul-Brasileiro de Ensino do Jornalismo, e 1º Encontro Gaúcho de Ensino do Jornalismo, ocorridos na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), quem envia o relato é o gerente do Núcleo Diálogos do Itaú Cultural, o capitão Claudiney Ferreira, que apresentou os principais detalhes do Rumos Jornalismo Cultural 2011-2012 e apresentou ao público os professores palestrantes.

“Apresentamos os resultados do Mapeamento do Ensino de Jornalismo Digital no Brasil – 2010. A apresentação dos dados do mapeamento ficou a cargo de Alex Primo e Vivian Belochio, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cerca de 70 pessoas assistiram a apresentação, entre professores, pesquisadores e alunos de jornalismo da Região Sul do País. A apresentação ocorreu no dia 9 de abril, um sábado de muito sol em Santa Cruz do Sul.

“O encontro regional do FNPJ reuniu representantes de  23 universidades do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, e inclusive do Tocantins. Na plenária do encontro, os participantes redigiram uma carta em defesa do jornalismo. A Carta de Santa Cruz – Em defesa do jornalismo.

“Fica o agradecimento aos professores Antonio Hohlfeldt, presidente Intercom, e  Demétrio de Azeredo Soster, da UNISC.”

[Claudiney Ferreira]

O fim de semana do Jornalismo Cultural

Neste fim de semana, a caravana do Rumos Jornalismo Cultural participa de dois eventos do FNPJFórum Nacional de Professores de Jornalismo –, um dos parceiros do programa. O Encontro Mineiro de Professores de Jornalismo, que acontece na Universidade Federal de Viçosa, e o Encontro Gaúcho de Ensino de Jornalismo, que acontece na Universidade de Santa Cruz do Sul, na cidade de mesmo nome, nos dias 8 e 9, isto é, hoje e amanhã.

Nesta sexta, dia 8, no Encontro Mineiro, ocorre a mesa Mapeamento do Ensino do Jornalismo Digital no Brasil em 2010, conduzida pelos palestrantes Bernardete Toneto e Leo Cunha, apresentados por Babi Borghese, do Núcleo Diálogos do Itaú Cultural, responsável pelo Rumos Jornalismo. Trata-se de uma apresentação da pesquisa realizada pelos 8 professores selecionados para o Rumos Jornalismo Cultural 2009-2010.

Bernardete Toneto coordena o curso de jornalismo da Unicid – Universidade Cidade de S.Paulo, onde também leciona. Mestre em Comunicação e Cultura pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina, pela Universidade de São Paulo (USP), e membro do Centro de Estudos Latino-americano de Comunicação e Cultura (Celacc). Leo Cunha é professor do curso de graduação da UniBH, e doutorando em Cinema na UFMG. Mestre em Ciência da Informação pela UFMG, graduou-se em Jornalismo e em Publicidade pela PUC-Minas. Professor da PUC-MG, na Pós-Graduação em Produção e Crítica Cultural.  Autor de mais de 40 livros, recebeu os prêmios Nestlé, Jabuti, FNLIJ, João de Barro, entre outros.

Em Santa Cruz do Sul, igualmente tem lugar a mesa sobre o Mapeamento do Ensino do Jornalismo Digital. Os palestrantes são os professores Alex Primo e Vivian Belochio, com apresentação de Claudiney Ferreira, do Núcleo Diálogos do Itaú Cultural.

Alex Primo é professor da UFRGS, em Porto Alegre. Doutor em Informática na Educação (UFRGS), com tese premiada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e pela Sociedade Brasileira de Informática na Educação. Foi mediador do Fórum Virtual de Discussão sobre Jornalismo, que reuniu professores selecionados no Rumos Jornalismo Cultural 2009-2010. Vivian Belochio é jornalista. Mestre em Comunicação Midiática pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutoranda em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi assistente de pesquisa do Fórum Virtual de Discussão sobre Jornalismo.

Além das mesas, nos dois eventos haverá divulgação do edital 2011-2012, com a tradicional barraquinha, que o leitor de outras aventuras bem conhece. Em Viçosa, a intrépida Babi Borghese fará as honras do Jornalismo Cultural, e para a mesma tarefa em Santa Cruz do Sul, contaremos com o luxouso auxílio do jornalista Augusto Paim, contemporâneo deste que vos traça linhas na primeira edição do programa (2004-2005), e desde então colaborador do Instituto.

O leitor interessado pode acessar com exclusividade o material de apresentação das mesas, sobre o Mapeamento. É só clicar.

Rumos Jornalismo Cultural em nova fase

É hoje, pontual leitor, Babi Borghese manda avisar: os estudantes e professores de comunicação social selecionados da última edição do Rumos Jota-Cê entram numa nova fase de atividades, ou seja, na fase dos encontros virtuais para desenvolvimento dos trabalhos propostos pelo programa.

Os estudantes começam hoje mesmo as atividades do exclusivo Laboratório Online de Jornalismo Cultural. Nele, os 12 contemplados discutem temas ligados a jornalismo e cultura, enquanto produzem reportagens – em mídia impressa, sonora, audiovisual e web – para o lançamento de uma revista multimídia em dezembro. O editor do laboratório, pela segunda vez consecutiva, é o jornalista, escritor e articulista do jornal O Globo José Castello, que no último sábado, aliás, inaugurou um blog.
 
Já os oito professores selecionados iniciam na próxima sexta, dia 20, o igualmente exclusivo Fórum Virtual de Discussão, mediado pelo também professor Alex Primo (UFRGS), o especialista em ciberjornalismo que mantém este blog e um twitter com mais de 8 mil seguidores. O objetivo do fórum é mapear o ensino do jornalismo digital no Brasil, para publicação em livro e site no final do ano.

Lembrando que esta edição (a terceira) do Rumos Jornalismo Cultural (2009-2010) reúne professores  de Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, além de estudantes de Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

Colóquio: um retrato

São Pedro exagerou na quilometragem das águas de São Paulo nestes últimos dois dias, mas fora o rio de carros na av. Paulista visto através do vidro e o eventual atraso de algum convidado, quem estivesse dentro da sede do Instituto Itaú Cultural nos dias 03 e 04 mal notava: a sala que abrigou as mesas do VI Colóquio Rumos Jornalismo Cultural manteve boa média de público em todos os horários, levando Matinas Suzuki, editor da revista Serrote e participante do último debate (que terminou às 22h20 da sexta-feira) a concluir, brincando, ou a brincar, concluindo: “vocês só podem estar sem coisa melhor pra fazer!”.

Os debates da sexta começaram às 16h com Alcino Leite (Folha de S. Paulo e Trópico), Almir de Freitas (Bravo! e Bravo Online) e Lúcia Guimarães (Estadão e Rádio Eldorado) falando sobre em que ponto de suas trajetórias precisaram se adaptar à web. Eles que já estão na estrada há um bom tempo e que sentiram, cada um a seu modo, a coisa mudar: o projeto de Alcino para uma versão online do caderno Mais! que após uma longa temporada na gaveta resultou na revista Trópico; a resistência de Lúcia Guimarães ao personalismo dos blogs e sua posterior adesão à internet, é claro, noutro formato; o projeto pessoal de Almir de Freitas para um blog que acabou sendo abraçado pela revista Bravo! e incorporado ao site da publicação.

Na sequência, Alex Primo (professor da UFRGS), Alexandre Inagaki (do Pensar Enlouquece, Pense Nisso) e Renato Franzini (do G1) conversaram sobre as especificidades culturais da internet, do ponto de vista de um pesquisador, de um editor de um grande portal e dum jornalista-escritor cuja carreira já nasceu online: construção de reputação, a estranha cultura das celebridades, a voz do público nas caixas de comentário, o funcionamento das redes de relacionamento, a lógica do público-alvo virada do avesso quando, ao invés de falar pra milhares, importa falar para quem o assunto importa.

Assim como na quinta-feira a programação terminou com uma mesa diferente — uma contundente reflexão crítico-filosófica sobre os impasses do jornalismo que vive de pressa –, na sexta o encerramento dos debates ocorreu com uma mesa menos analítica e mais, digamos, propositiva: três experientes editores se propuseram a apresentar cinco princípios fundamentais para uma boa revista cultural, feita com papel ou códigos binários.

Matinas Suzuki (da Serrote) aposta em 1) simplicidade, 2) projeto bem-definido, 3) alma, 4) competência não só para boas idéias, mas para executá-las e 5) ter as pessoas certas envolvidas. O editor de cultura da revista Época, Luis Antonio Giron, sugere 1) surpreender quem faz e quem lê (“buscar o efeito ‘ó!'”), 2) ter ênfase em idéias, e não no factual, 3) ter expressão na internet, mesmo que a revista seja de papel, 4) um design original e 5) saber qual o seu público-alvo. Guillermo González, da colombiana Número, enumera: 1) ter paixão e conhecimento, 2) definir um projeto editorial, 3) dispor de tempo para apuração, 4) ser arrojada e propositiva e 5) funcionar como verdadeiro pólo de pensamento e criação dentro da sociedade na qual está inserida.

E foi com este ponto comum, como observou o moderador José Castello, que se pareceu achar um bom rumo para o jornalismo cultural: paixão, alma, surpresa. Aquele envolvimento pessoal que torna as coisas escritas muito mais verdadeiras, com potencial até para transformar quem as ler.

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Não esquecendo do bate-papo de hoje à tarde com o veterano Humberto Werneck, e das fotos que logo logo pintam aqui pelo blog. Agora vá lá e bom fim de semana pra você.