Dias e noites do Norte (5)

Prestes a embarcar para o Tocantins, último trecho da viagem de mapeamento da região Norte para o Rumos Artes Visuais, Vânia Leal envia mais um relato. Diretamente de seu estado natal, o Amapá, de onde nos conta o seguinte:

Roteiro da viagem de 07 de Abril de 2011

Partida para Macapá. Chego com um sol forte, o calor é diferente, me pergunto: será por que a cidade é cortada pela Linha do Equador? Verifico que a cidade está localizada no sudeste do estado, é a única capital estadual brasileira que não possui interligação por rodovia a outras capitais.

Um dado curioso é que o município, isoladamente, representa 2,85% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) da região, por isso é a quinta cidade mais rica do Norte brasileiro. Vem se destacando entre as maiorias capitais brasileiras, pelo rápido crescimento econômico populacional, que já registra, segundo o último censo, mais de cinco mil habitantes na região metropolitana.

Visitei o Centro de Cultura Negra, o Teatro das Bacabeiras, o Centro Cultural Franco Amapaense, o Curiaú e o Marco Zero, que nos coloca ao mesmo tempo nos hemisfério Norte e Sul do planeta.

Nos meses de março e setembro, é possível observar o fenômeno do equinócio, durante o qual os raios solares incidem diretamente sobre a Linha Imaginária do Equador, fazendo com que dia e noite tenham a mesma duração.

Ao mesmo tempo nos hemisférios Norte e Sul do planeta. Momento de meditar sobre coisas boas...

Levei vários ovos quando fui ao Marco Zero, porque queria comprovar se realmente ficavam equilibrados devido à força gravitacional. Fiz e comprovei, foi muito interessante!

O ovo ficou totalmente equilibrado, bem no centro da Linha do Equador. Adorei a experiência!

Macapá é banhada pelo majestoso e imenso rio Amazonas, que emana os mitos que povoam o imaginário do homem amazônida. A cidade se volta para o rio, com o qual tem uma relação direta, devido à Orla que lhe acompanha.

Orla do rio Amazonas

Vista da Orla

Lá, somente lá, é possível comer camarão no bafo. Aliás, de todas as formas, e por mais que tentemos fazê-lo em casa, o sabor não fica igual.

A Fortaleza é exuberante, visitá-la é fazer um recuo na história e memória da cidade.

Segundo dia

Às 8h me dirigi ao SESC Araxá. Fui recebida por Aline Pacheco, gerente do núcleo Artes Visuais, que articulou nosso encontro, realizado em dois dias. O encontro foi super estruturado, com direito a lanche para todos os presentes, e mídia pedagógica para os artistas apresentarem seus trabalhos. Foi um momento de comunhão coletiva, de muita conversa e discussão acerca da produção contemporânea.

Turma de artistas do primeiro dia

O grupo Urucum esteve presente, e foi interessante ouvir dos artistas emergentes a importância do curso de Artes Visuais na cidade, como proponente e suporte para o contato e experimentação da linguagem contemporânea.

Turma de artistas no segundo dia

Tive oportunidade de ver vídeo-arte, performance, instalação, pintura, enfim, uma diversidade de diálogos com a linguagem hibrida da arte contemporânea, que não trabalha mais somente  técnica.

Entre os artistas participantes, estavam Cristiana Nogueira Menezes, João Vitor Rodrigues Ribeiro, João Batista dos Santos, Maria Pinho Gemaque, Cricilma do Socorro da Silva Ferreira, Adalto de Vilhena Pinheiro, César Barbosa da Silva, Manoel do Vale, José Ailson Monteiro de Farias, Everaldo Pereira Ribeiro, Jansen Rafael da Silva, Carlos Alberto de Alcântara Furtado, Aog Lima da Rocha, Miguel Arcanjo Ferreira, Grimualdo Barbosa, Ronne Franklim Carvalho Dias, Washington da Silva Ferreria, Natasha Parlagreco, Augusto Pessoa, Wagner Ribeiro, Jonatas Lacerda da Silva, Agostinho Josaphat Barbosa, Jenifer Nunes, Josiane Ferreira e outros, aos quais agradeço aqui pela participação ativa nos dias em que lá estive.

Hora de conferir o edital

À noite fui dançar o Marabaixo, pois todo amapaense que se preza sabe e gosta do batuque contagiante. Aliás, nasci em Macapá, daí ter essa proximidade. O Ciclo do Marabaixo é uma vasta programação religiosa, com danças e homenagens, que tem início no Sábado de Aleluia, na Semana Santa, e segue até o dia 24 de junho, unindo comunidades tradicionais de várias localidades do Amapá.

O ritmo do Marabaixo faz parte das raízes culturais que compõem a identidade amapaense. É resultado de tradições dos africanos que vieram escravizados para o Amapá. Hoje, são seus descendentes que procuram salvaguardar a música e a dança.

Ter estado em Macapá me renovou. Encontrei parentes, amigos, e, principalmente, alcancei o objetivo do Rumos junto aos artistas.

Viver em Macapá e em seus municípios, onde a natureza é tão envolvente, é algo a se agradecer: pela boa safra na roça para o fabrico de farinha, pela fartura dos rios, e por tudo mais que a natureza oferece pra vida do povo de lá, inclusive a diversão. Porque a alegria e a festa fazem parte da natureza do povo de Macapá-Amapá.

Viva São José da Beira Mar que protege Macapá!

[Vânia Leal]

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4 thoughts on “Dias e noites do Norte (5)

  1. Muito legal ler esses relatos de viagem por uma região pouco conhecida até para nós que somos do Norte. Seria ótimo que a produção dos artistas que citas, vanita, pudesse de alguma forma e em algum momento também ser vistas, né? Passo difícil, eu sei, dada as condições de infra-estrutura de comunicação de algumas regiões.Bom, isso vai se construindo e acredito que ações como estas são passos importantes na direção de mudanças. Fico na torcida que tuas viagens tenham sido férteis para todos. Tenho certeza que foram e já estou na espera dos textos. Vamos adiante! Bjs
    Flavya

  2. Deixei um comentário na página Artes Visuais,
    e só depois vi que poderia deixa-lo aqui.
    É sobre o nome do centro cultural de Juiz de Fora.
    Não é Renato Mascarenhas,e sim Bernardo MascarAnhas,
    Desculpe mas a correção é importante,pois o espaço pode
    se procurado para exposições.

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