Panorama das Artes Visuais em Campinas

Luiza Proença, a curadora de mapeamento do Rumos Artes Visuais responsável pela região Sudeste, envia mais um relato de sua incursão por ateliês, faculdades e rodas de conversa com artistas. Fotos, parágrafos, legendas, vírgulas e pontos, dicas e links de primeira, para começar a semana:

Rumos Artes Visuais em Campinas

Em Campinas, o Rumos Artes Visuais passou pelos cursos de Artes Plásticas da Unicamp e da PUC, onde foram realizadas palestras e apresentações de portfólios dos estudantes.

No novo espaço do Ateliê Aberto (selecionado na edição 2005/2006 do programa) também ocorreu um encontro com artistas da cidade, que contou com a presença do curador de mapeamento da edição 2008/2009 do Rumos, Marcio Harum. Por coincidência, Harum estava na cidade, e aproveitou para falar um pouco da sua experiência com o programa.

Encontro com artistas no Ateliê Aberto. Foto: Samantha Moreira

Encontro com artistas no Ateliê Aberto. Foto: Samantha Moreira

O curador Marcio Harum conversa com os artistas

Na passagem por Campinas, foram realizadas também uma conversa com os artistas que formam o pparalelo, que desenvolve ações urbanas e educativas de troca e descentralização, e possui também tem um espaço para residentes convidados e exposições…

Ocupação artística na parte externa do espaço do Pparalelo. Foto: Sylvia Furegatti

… e outra visita aos artistas do ateliê 8, hoje formado por Marcelo Moscheta (artista selecionado na última edição do Rumos Artes Visuais), Danilo Perillo, Paula Éster, Gustavo torrezan, Yuly Marty, e Ivan Grilo.

Artistas do Ateliê 8

Por último, vale citar que além da já conhecida Galeria Penteado, agora Campinas conta com uma nova galeria de arte, a Vertente, localizada no centro da cidade.

[Luiza Proença]

Anúncios

Cliques de Curitiba

Há um calouro entre nós, simpático leitor, prestativa leitora: dê lá as boas-vindas a Renan Fattori, do núcleo Diálogos do Itaú Cultural. No início da semana, o jovem expedicionário embarcou em sua primeira viagem pelo Rumos Jornalismo Cultural, desembarcou em Curitiba, para acompanhar o laboratório conduzido pelo escritor e jornalista José Castello, e voltou de lá com alguns parágrafos, imagens e legendas. Com vocês, Mr. Fattori:

Terça-feira, 24/05

Manhã de frio típico na capital paranaense, o céu cinza lembra São Paulo. Roteiro do dia: do hotel para a Biblioteca Pública do Paraná, onde à tarde acontece o laboratório Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, com José Castello.

A BPP está localizada no centro da cidade, cercada por praças e comércio local. O prédio, dos anos 50, possui em seu acervo 400 mil livros, além de periódicos, fotografias, mapas, cartazes e materiais de multimeios e multimídia, divididos em três andares. A Biblioteca atende em média três mil usuários por dia.

Fachada da Biblioteca

Hall de entrada

Seção infantil

Praça Osório, vizinha à Biblioteca

O encontro do Rumos aconteceu no auditório, às 14h30. Os inscritos ouviram curiosidades, tiraram dúvidas e absorveram algumas das experiências acumuladas por José Castello ao longo de sua carreira.

Entrada do auditório

Inscritos durante o laboratório

José Castello

Agradeço, em nome do Rumos Jornalismo Cultural, o apoio e ajuda de todos envolvidos no laboratório em Curitiba: Rogério Pereira, Luis Henrique Pellanda, Yasmin Taketani, Guilherme Souza e Noerli.

Próxima parada, Intercom Sul em Londrina.

[Renan Fattori]

O Acre e as Artes Visuais

Dito e escrito, amigo leitor, cordial leitora: segue o relato de Vânia Leal sobre sua imersão nos ares do Acre, a viagem de mapeamento para o Rumos Artes Visuais que terminou transcendendo em experiência sensorial, espiritual, filosófica, e é só seguir:

Quinta-feira, 28 de março de 2011

Rumo ao espírito vivo da florestania!

Decolo de Belém para Rio Branco, e não imaginava um percurso tão longo. Fiz escala em Brasília, Manaus e Rondônia. Confesso que já estava preocupada, mas, enfim, o Acre! Logo que vi a exuberância da floresta o cansaço ficou de lado.

Deixei parte da bagagem no hotel e, como já havia planejado, chamei um táxi para me levar a Xapuri. O encontro com os artistas seria no dia seguinte e eu estava determinada a passar a noite por lá.

O Acre é o centro da Panamazônica, está integrado aos demais estados do Brasil, à Bolívia e ao Peru. E nessa região, em um raio de 750 km, vivem 30 milhões de pessoas de diferentes culturas.

Estava consciente de que pisava num solo de 16 milhões de hectares de floresta tropical, com a maior biodiversidade do planeta. Um fato curioso é que metade de seus habitantes vive na floresta. Dentre eles, 15 mil são indígenas, de 14 etnias diferentes, distribuídos em 32 reservas, onde preservam suas tradições.

As comunidades se organizam a partir de uma produção familiar que utiliza o rio como principal meio de transporte e a própria floresta como meio de alimentação.  Este fato gera conflitos por posse de terras, e uma defesa coletiva do meio ambiente. A Amazônia é um lugar de conflito constante. Os acreanos não deixaram a soja entrar na região, diferentemente de Santarém, que enfrentou problemas sérios, sociais e ambientais, até hoje refletidos na paisagem.

Os acreanos cultivam a florestania, seu princípio de respeito ao meio ambiente e à multiplicidade sócio-cultural.

Sabemos que desde sua ocupação, o Acre chamou a atenção do mundo graças ao látex e à figura de Chico Mendes, que se transformou num símbolo mundial de preservação ambiental. Estando ali, percorrendo a cidade, ouvindo as pessoas, entendemos a razão do legado e da projeção de Chico nos programas de desenvolvimento sustentável da região.

Ao visitar o roteiro “Caminhos de Chico Mendes”, o Seringal Cachoeira, entrei em contato com a natureza amazônica e a história de Chico. Deparei-me com grandes áreas de floresta nativa e uma população que vive dos recursos extraídos dessa floresta. No caminho, uma cutia atravessava lentamente. O motorista parou e esperou ela fazer a travessia. Ele me disse: “todo ser vivo deseja viver, nós é que estamos no ambiente dela”. Entendi aquela atitude, e, realmente, nós é que somos invasores na Amazônia, os animais estão lá, em seus lugares de direito.

Para mim foi um divisor de águas conhecer o Seringal Cachoeira. Vivi intensa emoção, e entendi parte da constituição de nosso universo étnico e florestânico. Sentir o cheiro e mistério da noite que chega ao andar sob os caminhos do lugar é um estado de espírito, uma experiência filosófica que deve ser sentida.

Ao amanhecer fiz o caminho de volta, e fui ao centro conhecer as tradições indígenas amazônicas e andinas do uso da Ayahuasca, conhecido como “Santo Daime” no Acre e “Ayahuasca” no Peru. O chá sagrado revela uma herança cultural comum. No Acre, nos anos do século XX, essa bebida sagrada foi apreendida por seringueiros brasileiros que recriaram as tradições indígenas amazônicas e andinas do uso da Ayahusasca, agregando a elas outros elementos afro-brasileiros e cristãos, e firmaram uma nova religião que passou a ser chamada de “Santo Daime”.

Em conversa com o senhor Antônio, verifiquei que surgiram assim, a partir dos ensinamentos do Mestre Irineu Serra, outras doutrinas com elementos rituais variados, como a Barquinha e a União do Vegetal, que se integram às atuais sociedades e culturas da Amazônia ocidental e são praticadas por milhares de pessoas nesta região. Não poderia vir ao Acre e deixar de conhecer a origem do chá sagrado que nasceu no interior da imensa floresta amazônica.

Cine Recreio, onde aconteceu o encontro do Rumos Artes Visuais

Às 10h sigo para o Cine Recreio, no Calçadão da Gameleira, que fica ao lado da Fundação de Cultura Elias Mansur. Fui bem recebida pelas pessoas da Fundação (o Herbert Levy me acompanhou em todos os momentos). Conheci pessoas, usei a internet, e rapidamente me senti em casa. Logo entendi que o povo da floresta tem um propósito: a simplicidade e simpatia são para eles características muito bem demarcadas, como um bem patrimonial a ser cultivado.

Logo os artistas começaram a chegar, e o Cine Recreio é incrível, um lugar estruturado, tudo novinho. A integração foi imediata, Lucie Maria, Luiz Felipe, Tibério, Iracema, Jocilene, Edila, Jean, Uelliton, Marco Moura, Wenned, Moisés, Paulo Sérgio, Luiz Carlos, Raul, Glicério, Darci, Danilo, Clementino, alunos do curso de Artes Visuais e a equipe da Fundação estavam presentes.

Grupo de artistas acreanos

As falas dos artistas foram consistentes, e logo percebi uma política cultural comprometida com o lugar. Vi trabalhos e conversamos sobre o edital, e de lá já fui com o Ueliton Santana em seu ateliê.

Um fato interessante é que os artistas, em sua maioria, foram estudar na Faculdade de Belas Artes em Cuzco, no Peru. Ueliton é um deles. Atualmente faz Artes Visuais no Acre. Este processo provoca interferências culturais na produção contemporânea dos artistas, e isso é visível nos trabalhos de Ueliton, que me falou estar contaminado pela mistura de culturas.

Espaço Usina

À tarde fui ao ateliê de Jean Carlos, que faz pintura e objetos voltados para o escorrismo. Conhecer o lugar foi muito importante para perceber o diálogo dos artistas. Depois me dirigi para a Usina, uma antiga fábrica de castanhas. O lugar foi todo adaptado para cursos de Artes Visuais, Teatro, Cinema e Música. A estrutura é incrível, e os projetos desenvolvidos são dinâmicos, acompanham a cena contemporânea da arte. Lá também verifiquei o trabalho de gravura da Lucie Schreiner, bem expressiva.

Casa de madeira dentro do Espaço Usina

Grupo que trabalha na Usina

Depois paramos na casa do Glicério, responsável pela Associação dos Artistas Plásticos do Acre – AAPA. Lá conheci o trabalho do jovem artista Wennedy, estudante do primeiro ano de Arquitetura. Ao olhar seu trabalho, comentei: “gostei muito do teu olhar fotográfico!”. Ele me respondeu: “mais isso não é fotografia, é pintura quase fotografia”. O diálogo foi rico, e vi que o Wennedy sabia o que estava fazendo.

Casa de Glicério

Fim de tarde fui num bar chamado Batatão, de frente para o rio Acre. O garçom se aproximou e perguntou se eu queria um sujinho. Pedi explicação, e entendi que o sujinho é um chope super gelado, que ainda vem com duas pedras de gelo, e na borda do copo um sal cristalizado com gosto de limão que se mistura quando tomamos. Depois de dois dias de trabalho intenso, me permiti experimentar o sujinho e observar o entardecer sobre as casas coloridas. No Acre, é uma hora a menos de Belém, e assim tive a chance de perceber o dia mais devagar e a luz natural pouco a pouco sendo substituída pelas luzes da cidade. Outra cidade se revelou para mim.

Entardecer de frente para o rio Acre e suas casas coloridinhas

Luzes na cidade: Passarela Joaquim Macedo

Sobre o rio Acre, a Passarela Joaquim Macedo toda iluminada dá um charme complementar ao Calçadão da Gameleira, o sítio histórico mais antigo da cidade, bem em frente ao Mercado Municipal e repleto de mesas com pessoas contemplando a noite calma.

No Mercado, tradicionais lojinhas de ervas, artesanatos e lanchonetes especializadas na culinária regional.

De manhã andei pela cidade, vi ciclovias, a Biblioteca da Floresta, restaurantes e lojas sempre emolduradas por árvores e gramados. O Parque da Maternidade é enorme, e lá está instalada a Casa dos Povos da Floresta. Dei uma paradinha. Seu acervo sobre a cultura dos seringueiros, índios e ribeirinhos, além das lendas e segredos, é significativo.

Casa dos Povos da Floresta

Ter estado no Acre, conhecido e convivido com a simplicidade das pessoas, com a produção artística, com sua história e memória, mexeu comigo. Fui afetada por campos de força que me fizeram reencontrar com a identidade amazônica, aprendi lições importantes, como a delicadeza do detalhe, de ouvir em silêncio, aliás, de escutar o movimento natural do dia, e preservar e promover a vida dos seres que fazem a diferença no planeta. A experiência do Rumos é ímpar, porque nos faz ver as singularidades dos locais, exercitar a acuidade do olhar em integração com o outro.

Obrigada, Povos da Floreta do Acre, sou uma pessoa melhor!

[Vânia Leal]

Mais de Marabá

A expedicionária Vânia Leal, curadora de Mapeamento da região Norte para o Rumos Artes Visuais, mandou mais uma série de relatos de viagem para a caixa de entrada do editor que vos fala, atento leitor, cuidadosa leitora. Começando pelo trecho final de Marabá, relato iniciado alguns posts atrás (em uma, duas partes), partindo em seguida para Rio Branco. Mas vamos por partes:

18 de março, 19h

No Galpão de Artes de Marabá (GAM), Ederson Oliveira, Jairon Barbosa, Deize Botelho e Antônio Botelho organizaram uma roda de conversa com os artistas, além de promover uma mostra dos trabalhos.

Roda de conversa no GAM: encontro super produtivo!

O GAM é um ponto de cultura importante para a região, e promove ações significativas voltadas para a cultura do povo marabaense.

Trabalhos expostos no GAM: propostas contemporâneas

Os trabalhos apresentados ganharam força. A pintura romantizada de paisagem, que tinha observado em alguns pontos da cidade, agora é substituída por trabalhos fortes, que pensam a relação de Marabá e suas transformações, do ponto de vista político e social.

Antônio Botelho apresenta uma pesquisa interessante com tábuas de cortar carne e suas marcas, além da relação de memória na cidade.

Uma artista que também faz parte da história de Marabá e tem seu acervo no GAM é Teresa Bandeira, que merece aqui nosso registro.

Jairon Barbosa me levou para conhecer Lúcia, uma artista que mora num lugar bem deslocado da cidade, quase num sítio.

Casa da Lúcia

Ouvindo histórias de vida

Lá ouvi sua história, e o quanto Lúcia se sente excluída por não tem seu trabalho reconhecido. São produções de malas em série, feitas de madeira e couro, que remetem à memória de sua infância, onde os guardados ficavam numa mala. Foi um encontro interessante! Num lugar silencioso, deslocado do barulho da cidade.

[Vânia Leal]

Rumos Jornalismo Cultural na Cidade Maravilhosa

E por falar em Rumos Jornalismo Cultural, esta semana tem atividade do programa no V Encontro Rio-Espírito Santo de Professores de Jornalismo, do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. O evento ocorre no Rio de Janeiro, dia 27/05. Das 18h às 19h tem a mesa Apresentação de Mapeamento de Ensino de Jornalismo Digital, com Sandra Machado (UVA) e Soraya Venegas (Unesa). O capitão Claudiney Ferreira, do núcleo Diálogos, é o representante do Itaú Cultural na ocasião.

O Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro recebe o Encontro. Lembrando que, como integra o evento, as inscrições ficam a cargo do FNPJ.

Como fazer, com telefone celular, cobertura jornalística em tempo real

Você está ligado, estimado leitor, prezadíssima leitora, que o jornalista e professor Fábio Malini está participando da caravana de divulgação do Rumos Jornalismo Cultural com o laboratório Como Fazer na Internet Coberturas Ao Vivo de Eventos Culturais. Pois bem, no embalo da viagem, ele postou no seu blog um tutorial de como fazer, com telefone celular, cobertura jornalística em tempo real. Seguem abaixo alguns dos toques que a turma tem ouvido pela estrada, disponíveis ao clique de todos:

Tutorial

.

A convite do Itaú Cultural, ministrei uma palestra sobre como realizar cobertura multimídia, em tempo real, de eventos culturais. E, provocado pelo Claudiney Ferreira (gerente do Rumos Jornalismo Cultural), publico aqui dicas de como fazer uma cobertura multimídia que explore bem a mobilidade e o livestreaming.


Com a popularização dos smartphones, os telefones celulares tornaram-se equipamentos poderosos para o trabalho jornalístico. Saiba como você pode realizar coberturas jornalísticas aproveitando ao máximo a tendência mais importante deste ano: a mobilidade e o streaming.

.

Sem dúvida, uma das características da atual fase da internet é a ampliação de ferramentas que a conecta aos dispositivos móveis de comunicação, principalmente, o celular. A tal “fase da mobilidade” está só no começo. A possibilidade de registro da vida em tempo real tornou-se a própria marca da fase 2.0 da web, o que desencadeia críticas à alta visibilidade da imagem pessoal e, de certa forma, à saturação do consumo da intimidade alheia.

Essa publicização dos fatos cotidianos ocorre porque, de um lado, as pessoas interessam-se em se transformar em perfis de redes sociais, criando para si uma demanda por produção de informação pessoal contínua; e, de outro lado, há uma facilidade de transmissão de dados da máquina do usuário para os sites que hospedam conteúdos na internet. Na prática, através de telefones celulares ou de computadores conectados à internet móvel ou fixa, é possível publicar, em tempo real, mensagens de textos, vídeos ao vivo, fotografias instantâneas, enfim, toda uma gama de conteúdos que são hospedamos diretamente nos respectivos perfis de redes e mídias sociais, que, potencializam o espalhamento desse conteúdo por abrigar e interconectar material multimídia de produções amadora e profissional (youtube, flickr, qik, etc), bem como publicá-lo diretamente nos perfis de sua respectiva rede de amigos.

Não é à toa que esse modo de difusão é chamada de livestreaming, uma corrente contínua de dados/informação que consumimos e transmitimos nos nossos perfis de redes e mídias sociais sem qualquer tipo de interrupção. No modelo da web 1.0, a narrativa online era produzida sob o modelo da página principal (homepage), cujos conteúdos eram editados e de propriedade do autor do site. No modelo 2.0, o usuário não tem “home”. Tem “timeline”. um novo tipo de interface que mostra as últimas atualizações publicadas pela sua rede de amigos, fazendo com que as mensagens individuais sejam apenas uma pequena parte do fluxo d´água que faz movimentar o curso do rio (mídias sociais).

A cada instante, a timeline se atualiza, num processo contínuo de renovação, permitindo ao usuário vivenciar a experiência singular de descarregar e reproduzir uma notícia imediata, com um tempo de espera mínimo. Na concepção radical do design da timeline há a extrema dependência pela produção colaborativa. Se você não tem amigos, não será lido. Se não é amigo de muitos, não tem acesso àquilo que todo mundo comenta. Portanto, as redes sociais operam dentro de uma esfera pública midiática curiosa,pois que o público não é “formado pelo veículo”. Ele é anterior ao veículo. O dna das redes sociais é o autor, na forma de perfil, mas um autor que só existe, se antes, se interconectar com outros autores. Então, nas redes sociais, a priori, não há público, senão uma comunidade de autores.

Unindo comunidades de autores, dispositivos móveis de comunicação, internet 3G, tecnologias de transmissão via streaming e redes/mídias sociais, podemos montar um novo ecossistema para fazer circular notícias e conteúdos multimídia. Minha experiência com transmissão livestreaming de eventos, sobretudo os culturais, permite enumerar alguns passos fundamentais para que você possa aproveitar toda essa nova cena midiática. E atue firme na produção de um jornalismo que se beneficie de valores como mobilidade, instantaneidade, atuação em rede, participação e compartilhamento.

.

1. Nunca deixar para fazer testes no dia do evento.

Não inventa de instalar aplicativos novos no seu celular no dia que você vai fazer uma cobertura. Não faça testes com câmeras ou qualquer outra nova tecnologia no dia do evento. Não invente uma nova seção no site. Faça todo tipo de testes antes da data do trabalho.

.

2. Crie vários canais na internet, depois integre todos eles a um blog (com domínio próprio).

Tenha um canal no Youtube (vídeo), no Flickr (foto), no Qik (vídeo ao vivo), no Tumblr, no Livestream, no Twitter etc. Mas é só lembrar: todos esses canais devem ter o mesmo nome. E não esqueça: agregue todos eles em um só blog/site, que terá função de reunir todo conteúdo produzido e, assim, dar unidade editorial à sua cobertura. Se puder ($), evite usar sites de armazenagem de blog como Blogspot e WordPress.com. Isso porque ambos limitam a incorporação de recursos de interatividade ao seu site. Mas, se não tens grana para desenvolver o seu próprio site, opte por criar um blog no WordPress.com. Aí embaixo um vídeo explica como fazer isso:

.

.

O que fazer então, caso queira ter endereço próprio na internet?

Primeiro você precisa criar o nome para o seu site. Faz de conta que você queira o seguinte endereço: coberturamobile.com.br. Com isso definido, o passo seguinte é comprar um endereço (domínio) e hospedá-lo em um hosting (uma Locaweb da vida). Em média, você vai gastar uns R$50 reais pelo domínio (o pagamento é anual) e R$80 pela hospedagem (o pagamento é trimestral). Dica: Quando você registra e hospeda o domínio numa mesma empresa online (como a Locaweb), você acaba ganhando o domínio de graça. Outra dica: na hora de criar o endereço do seu site, opte, se possível, pela extensão .com.br, pois ela está mais fixada no imaginário dos usuários. Seguem aí embaixo um vídeo tutorial que explica como hospedar e registrar um endereço na web. É bem simples.

.

.

2.1 Utilize o WordPress como seu gerenciador de conteúdo (CMS).

Com domínio hospedado, você precisará de um programa que cria um layout do site e possibilite publicar na internet. Para isso, o melhor é o WordPress. É a melhor opção, para mim, de CMS no mercado (alguém aqui terá opinião contrária, com certeza). Para facilitar a vida: escolha um hosting que disponibilize o WordPress instalado. Por exemplo, no meu painel de administração, na Locaweb, já há a opção para se fazer a instalação automática do WordPress (saiba mais aqui). Com o WP instalado, é só se dedicar ao mundo dos temas (layouts) e plugins (ferramentas) que o WordPress oferece. Um site rodando em WordPress lhe dará muito mais possibilidades de fazer o seu conteúdo se destacar na web. Mas, importante: se não tens grana, nem um amigo que saca de WordPress, crie um blog e o integre aos seus canais nas mídias sociais!

Para saber como publicar no WordPress, um tutorial bem legal:

WordPress, do básico ao nem tão básico assim… from Rafael Cirolini on Vimeo.

3. Você pode fazer a apuração sozinho, mas jamais deixe de ter um editor remoto ao seu lado.

Gosto sempre dizer que, numa cobertura mobile, as coisas acontecem, ou seja, os fatos chegam sempre até você. Contudo, isso sempre faz cair por terra um lado do seu planejamento. Ás vezes é “aquela hora” de um entrevista, só que uma pessoa com história bem legal aparece do nada e você quer mais que a entrevista agenda seja cancelada. O extraordinário rola numa cobertura de um vento e é legal que ele tire um pouco daquele planejamento rigoroso do trabalho. Contudo, as “coisas só acontecem” para quem prevê, no planejamento, a edição remota.

Não adianta ficar fazendo vídeos, fotos, textos etc etc, se tudo vai para diferentes canais na internet sem uma organização mínima (coisa mais chata é um vídeo ou uma foto não ter títulos, não estarem tagueados, não estarem, num blog, com um resumo ou uma nota etc). Assim, tenha um editor remoto. Enquanto você está in locus produzindo o seu conteúdo em tempo real, o editor estará, em casa ou no trabalho, organizando o material nos canais online. No Youtube, ele titula e tagueia os vídeos. No Qik, idem. No Flickr, faz resumo e título de fotos. No Storify, organiza, em ordem cronológica, o que você e outras pessoas estão a produzir de conteúdo sobre o evento. O editor cuida do blog e das redes sociais. Se tens mais recursos, tenha dois editores: um para cada uma dessas funções.

4. Tenha um celular com conexão 3G, mas atenção para alguns detalhes.

Hoje investir num smartphone é fundamental para quem quer atuar com cobertura jornalística móvel. Mas não é qualquer um smartphone. É preciso ter um com perfil mais multimídia e que ative, com muita facilidade, as suas redes sociais, compartilhando conteúdos que você produza com agilidade. Há vários modelos no mercado. Mas é preciso estar atento a alguns aspectos:

(1) O celular precisa ter conexão à internet 3G, se puder, adquira um pacote ilimitado. Ou: compre um chip exclusivo de acesso à rede destes que utilizamos com o modem espetado nos nossos laptops. Por quê? Se vc faz transmissão com o pacote de dados com o chip do seu número de telefone, perceberá um grande inconveniente: se alguém ligar para ti no momento que está a fazer um vídeo ao vivo, sua transmissão será interrompida. Porque a chamada terá prioridade, afinal, você tem um telefone, e não um câmera. 🙂 Se você troca o chip do seu telefone, por um de conexão 3G, ninguém vai ligar para ti, mas, pelo menos, não vai ter problema de interrupção daquela sua “grande” entrevista. Resumo: tenha dois telefones celulares. Um para telefonar, outro para produzir conteúdo.

(2) não adianta ter um celular com câmeras muito potentes, porque elas tornam os arquivos mais pesados. E arquivo pesado significa lentidão na transmissão para a internet, principalmente, levando em consideração que os serviços 3G das operadoras telefônicas, por enquanto, não são nada eficientes). Dica: um smartphone com câmera de 5 megapixels já seve para ti aqui no país.

(3) O celular precisa possibilitar acesso à internet via wi-fi. Então, não esqueça deste detalhe na hora da compra do seu equipamento. Afinal, em muitos lugares, o sinal de internet propicia uma velocidade maior que o seu chip 3G. Aliás, se puder, leve contigo sempre um roteador de internet sem fio, porque se há acesso à internet banda larga, você pode plugar seu roteador e propiciar que mais pessoas façam a mesma coisa que você. Quanto mais conteúdo na rede, mais possibilidades de compartilhamento e mais abrangente fica sua cobertura. Afinal, a atenção para um fato está diretamente relacionado à quantidade de pessoas que produz material jornalístico sobre ele. Não tenha medo da competição. Na internet, quanto mais gente falando de um assunto, mais tráfego gera para os seus.

(4) Hoje há dois sites que gosto de usar para fazer transmissão de vídeos, em tempo real, para a internet: Qik e Bambuser. Ambos oferecem a lista de modelos de telefone celular que é compatível com suas plataformas. O link dessa lista está aqui e aqui. Não adianta comprar um celular bacana se ele não possibilita fazer vídeos ao vivo na internet.

(5) Para quem não conhece, há um blog fantástico com resenhas sobre modelos de smartphones. É o Garota sem Fio. Com certeza, ele vai reduzir suas incertezas e ajudar na sua decisão de compra.

.

5. Qik, Ustream ou Bambuser, ferramentas que auxiliam no streaming de vídeos via celular. Como instalar e usar?

Qik, Ustream ou Bambuser são ferramentas que permitem que você transmita vídeos e tenha um canal de comunicação na internet. Todos se integram ao Twitter e Facebook (ou seja, você pode se logar em um dessas contas e replicar os vídeos automaticamente . É baixar o aplicativo para o seu celular e apertar o botão gravar (broadcast). De acordo com o modelo do seu celular, haverá mais ou menos serviços. No iphone, você grava em preto e branco. No Galaxy S (roda Android), você faz chat com vídeo com muita facilidade e pode gravar um vídeo e transmiti-lo depois para o Qik. No Nokia n85 (roda Symbian), nada disso, mas em compensação a qualidade de som/imagem é muito melhor que a dos primeiros. Todos os três permitem que, após a transmissão ao vivo,

Defina o sistema que roda no seu celular: Symbian, Iphone ou Android. Depois, o passo seguinte é instalar um dos (ou os) três aplicativos. Para instalar o Qik no seu telefone, é só clicar aqui. Para o Bambuser e o Ustream, o processo é idêntico.

Algumas dicas fundamentais para aquele momento que você está frente a frente com os fatos que você irá registrar com seu celular:

(1) Para as entrevistas em locais ruidosos (eu já fiz num sambódromo, então imagina a barulhada): Aproxime o celular da sua boca para você não precisar de gritar na hora de fazer a pergunta. E, quando o entrevistador começar a responder, aproxime o celular numa distância de 50cm, no máximo. Abuse de closes e bigcloses em entrevistas nestes ambientes. Já em ambientes mais silenciosos, você pode aumentar o plano da imagem, mas a regra da hora de sua pergunta é a mesma ara ambientes ruidosos.

(2) Titule, sempre que possível, o vídeo. Ou antes ou depois de apertar o Rec, mas titule. Quando as coisas acontecem de modo rápido, peça a alguém, remotamente, que faça isso para você. Ou mandando torpedo com o título ou ligandodiretamente para um “editor remoto”, que terá a missão também de taguear o conteúdo (isso ajuda a busca para o usuário e para os motores como o Google).

(3) Na hora da gravação, teste perspectivas diferentes. Apontar o celular numa mesma altura é o básico, mas com o tempo, se aventure em ângulos alternativos, filme metade do rosto do entrevistado, desloque o celular para cima ou para baixo, enfim, seja um pouco mais criativo. A imagem no vídeo é constituída de diferentes planos (que muda em função da distância da câmera em relação ao objeto a ser filmado). Para quem não sabe nada sobre os tipos de planos e ângulos de imagem, tem um vídeo aqui sobre o cada plano e ângulo significa.

(4) Não dê zoom na hora de capturar a imagem. Infelizmente,as câmeras de celular não funcionam muito bem com o zoom. É melhor aproximar a câmera do objeto, fazendo closes ou bigcloses.

(5) A maior das dicas: tenha baterias de sobra. Três, no mínimo. Uma bateria dura pouco. E, em muitos casos, você não terá como recarregá-las. Uma bateria dura aí em torno de 25 minutos de gravação. Isso porque gasta-se muita bateria no celular para capturar as imagens, mas, sobretudo, para enviar/salvar o vídeo para o seu canal de comunicação na internet.

(6) Não há problemas de duas linhas de telefone utilizarem o mesmo perfil. Aliás, é corriqueiro ter mais de um celular cobrindo determinado evento. Quanto mais, melhor.

.

3. Não existe profissional multimídia. Dedique-se a uma linguagem online.

Não inventa de ser “multimídia”. Especialize-se em uma linguagem. Se gostas do vídeo online usando o celular, faça só isso lá com seu aplicativo Qik. E tenha com você alguém para fotografar mais (uma dica legal, é fotografar usando aplicativos como Instagram – se usas iphone; ou Vignette – se usas Android). Chame alguém para fazer a twittagem do celular. E um Outro para filmar com handycam digital (que tal fazer os filmes e depois enviá-los para o Youtube? Não precisa fazer coisas ao vivo o tempo inteiro). A mobilidade não acontece somente por causa do celular. Há equipamentos digitais leves e de ótima qualidade.

6. Se puder, agregue à cobertura móvel o streaming feito a partir de câmera de vídeo profissional ou amadora: um tutorial

Você pode agregar a uma cobertura móvel, as ferramentas de streaming de vídeo com câmeras digitais. Faz de conta que irás fazer a cobertura de um show, por exemplo. Seu lance será twittar o show e transmitir ao vivo, em vídeo, para a internet. O sucesso do trabalho dependerá, é claro, da taxa de upload de sua conexão com a internet. Além disso, também dependerá do equipamento que terá em mãos. Se quiser pode baixar aqui um Tutorial, feito pelo Igor Chagas, do Labic (laboratório que coordeno na Ufes), que ensina como fazer transmissão usando o Livestream. Ou através de um programinha instalado no computador, chamado VidBlaster, que possibilita trabalhar com múltiplas câmeras. É um programa proprietário com custo de licença de U$ 700.

O legal de utilizar streaming com câmeras profissionais (ou digitais amadoras) é que você pode agregar outras possibilidades jornalísticas a uma cobertura móvel, como por exemplo a criação de um estúdio para gravação de entrevista. Junte a isso o fato de, uma vez gravado, o ao vivo permanece na internet, para que um usuário possa (re)assistir o vídeo.

PS: vamos começar a estudar o Landell, que é software livre, para utilizar em transmissões.

.

7. Há o tempo do acontecimento e o tempo da repercussão dele

Não banque o consumista. Com um celular na mão, você é capaz de produzir muito conteúdo. Combine com seu editor para não publicar todos eles no seu blog ao mesmo tempo. Se, por exemplo, estás a fazer a cobertura de um evento que durará dois dias, podes deixar alguns conteúdos para ser publicados naquele período de tempo que não acontece nada. Isso é uma dica importante para manter seu público sempre abastecido de conteúdo exclusivo. Se o evento acontece de 9h às 18h, utilize o período de 18h01 às 8h59 para repercutir seus próprios conteúdos. Isso significa que o tempo real não é somente o tempo do acontecimento em si, mas a capacidade de duração dele para além do seu tempo. As pessoas toleram receber, via redes e mídias sociais, mais conteúdos até, no máximo, uns três dias após o evento. Mas em doses homeopáticas.

.

8. Feche a cobertura com uma bela retrospectiva multimídia

Faça um último post com o melhor daquele evento. Embede vídeos, galerias de fotos, áudios, tweets, comentários, enfim, toda a gama de conteúdo que tens para fazer uma retrospectiva do que melhor ocorreu no evento que você fez a cobertura multimídia. Depois disso, feche o barraco, diga “até a próxima, pessoal”, e mantenha o site no ar. Uma dica legal é usar o Storify para isso.

[Fábio Malini]

O que o Rumos Artes Visuais viu e ouviu em São Paulo

No mapeamento do Rumos Artes Visuais, muitos artistas, espaços, ateliês coletivos, galerias e faculdades de Artes já foram visitados em São Paulo. Nos últimos meses, diversos espaços acolheram encontros sobre o Rumos Artes Visuais, e agora o leitor tem acesso a um trecho desse percurso, em notas, fotos e legendas enviadas pela curadora de mapeamento da região sudeste Luiza Proença. Ela avisa que esta é apenas uma amostra de muitos encontros, e que ainda vem muita coisa boa por aí. É só seguir:

Mapeamento Rumos Artes Visuais em São Paulo

O Red Bull House of Art é uma residência para jovens artistas que teve sua primei­ra edição em 2009, no edifício do Hotel Central, na Av. São João. Desde 2010, o Red Bull House of Art tem como endereço o Edifício Sampaio Moreira, e é coordenado por Luisa Duarte, curadora do programa Rumos Artes Visuais em 2005/2006.

Como o programa não oferece hospedagem, mas sim um espaço de trabalho onde também ocorrem palestras aber­tas e visitas de acompanhamento, geralmente os artistas são nascidos e residem na cidade de São Paulo. Pelo programa já passaram os artistas Alessandra Cestac, Claudio Bueno, Regina Parra, Rodrigo Garcia Dutra, Adriano Costa, Bhagavan David, Bruno Baptistelli, Deyson Gilbert, Flávia Junqueira, Henrique César, Clara Ianni, Felipe Salem, Jaime Lauriano, Sofia Borges (artista selecionada da edição 2008/2009 do Rumos Artes Visuais), Marcos Brias, Guilherme Peters, Re­nato Pera, Ana Prata, Bruno Storni, Felipe Bittencourt, Gustavo Ferro, Theo Craveiro, Ana Mazzei, Alexandre B, Bruno Palazzo, Daniel Scandurra, Frederico Filippi e Vitor Mizael.

O Ateliê Coletivo Oço é um espaço para investigação de linguagens artísticas e promoção da arte contemporânea, com atuação na cidade de São Paulo desde 2005. Gerido pelo artista Claudinei Roberto, o espaço, localizado no bairro Liberdade, realiza conversas com convidados, oficinas de acompanhamento crítico e exposições. Recentemente o Ateliê vem pautando suas atividades na reflexão sobre a cidade como suporte e o suportar a cidade.

Os artistas Lobo, Solange Ardila, Thiago Gualberto, Aline Os, Claudinei Roberto, André Yas­suda, Carolina Caliento e Danilo Pera

A Casa Contemporânea é um espaço multidisciplinar que realiza exposições, encontros e debates. Localizada na Vila Mariana, e coor­denada pela dupla Marcia Gadioli e Marcelo Salles, a Casa oferece ateliê livre para desen­volvimento de produções individuais, galeria para exposições e comercialização de obras de arte contemporânea. No dia 25 de fevereiro foi realizada uma conversa sobre o Rumos Artes Visuais, com artistas frequentadores do espaço. Junto com as artistas Adriana Affortunati e Rafaela Jemmene, Marcia e Mar­celo também fazem parte do grupo de estudos issotudoégrupo, que também desenvolve projetos de exposições, como a mostra itinerante “issotudoévizinho”.

Durante o encontro com artistas na Casa Contemporânea. Foto: Marcia Gadioli

O Ateliê Cultural Casa ao Cubo é um espaço na Vila Mariana voltado para práticas, investigações e reflexões artísticas; um ponto de convergência entre as diversas áreas de atuação das artes. A Casa abre espaço também para novos artistas, com exposições individuais e coletivas. Em junho realizará a primeira edição do “Sarau no quintal”.

Hermes é o nome do ateliê que a artista Carla Chaim divide com outros artistas, e que pretende realizar cursos, encontros e oficinas. Localizado na Rua Hermes, na Vila Madalena, o ateliê recebeu no início de maio um encontro sobre o Rumos, com um grupo de artistas convidados pelos curadores Mario Gioia e Fernanda Lopes.

Há cerca de 10 anos, Sandra Cinto e Albano Afonso coordenam o Ateliê Fidalga, um espaço que agrupa artistas com o objetivo de produzir arte contemporânea. São quatro turmas de aproximadamente 15 pessoas cada, que se encontram uma vez por semana para discutir suas produções e trocar experiências. Os artistas vêm de diversas áreas, como a arquitetura, o design, a publicidade, fotografia, etc., e pretendem hoje se dedicar às artes visuais. Sem perder de vista seu objetivo de formação do artista, o Ateliê Fidalga vem participando de exposições em diferentes instituições, como o Carpe Diem Arte e Pesquisa, em Lisboa, Funarte e Paço das Artes, em São Paulo.

Ainda na Vila Madalena, um outro grupo de artistas integra o Ateliê Simpatia, mais um que leva o nome da rua na qual está localizado. Alessandra Duarte, Adriana Conti, Arthur Medeiros, Beatriz Chachamovitz, Gabriela Brioschi, Katherina Tsirakis, João Villares, Marcia Sznelwar, Marô, Rafaela Jemmene e Renata Cruz trabalham em diferentes linguagens, mas sempre que possível realizam eventos como o Camelódromo, uma feira de venda e troca de obras de arte, para dar visibilidade aos seus trabalhos.

Adriana Duarte, a Xiclet, afirma: sua casa é um constante mapeamento da produção emergente brasileira, e por isso se sente desapontada por não ter sido contemplada pelo programa Rumos Artes Visuais. Com o slogan “sem curadoria, sem seleção, sem juros, sem jabá, sem entrada, sem patrocinador e sem saída”, a Casa da Xiclet está aberta a expor obras de quaisquer artistas que paguem um valor tabelado por dia. Parodiando o circuito de arte na cidade, o “playground” localizado na Rua Fradique Coutinho realizou em 2009 a exposição “Rumos-não-rumos – Prumos – Curadoria da Não Curadoria”, com projetos não selecionados no programa Rumos Itaú Cultural 2008/2009. Em 2011, a Casa-galeria completa 10 anos de atividade e pretende realizar um evento comemorativo.

Catálogo da exposição "Rumos-não-Rumos: Prumos", da Casa da Xiclet

No Ateliê 397, na Rua Wisard, foi realizado um encontro sobre o Rumos Artes Visuais com Marcelo Amorim e Isabella Rjeille, dois dos seis integrantes que hoje formam a equipe do ateliê (surgido em 2003, com um outro grupo de pessoas), e mais dois artistas convidados: Leonardo Akio e Bárbara Hoffmann. O 397 vem realizando diversas exposições e projetos de publicação, como o livro sobre espaços independentes no país.

Coordenado pelas artistas cariocas Fernanda Izar e Luciana Felippe, o ateliê A Pipa vem realizando atividades desde 2010. Além de exposições temporárias, atualmente o ateliê oferece cursos e programas de acompanhamento crítico.

Inês Moura, Fernanda Izar, Luciana Felippe, Luciana Mattioli, Danilo Garcia e Felipe Goes, no encontro no ateliê A Pipa

[Luiza Proença]