E por falar em mapeamento…

Mais uma palhinha do que tem rolado na peregrinação da caravana do Rumos Artes Visuais, intrépido leitor. Desta vez, diretamente do caderno de impressões de Vânia Leal, curadora de mapeamento na região Norte do país. Ainda estamos falando sobre fevereiro, pois há muito a se falar. Começando por Belém do Pará:

Belém, 23 de fevereiro, 8hs

Acordo e olho pela janela, e o volume d’água que cai na cidade dá vontade de voltar para a cama e ficar ali, esperando o tempo passar devagar, escutando aquele barulho de chuva no telhado, tão cotidiano. Em Belém, chove todo dia, e nesta época o fenômeno se intensifica, ao mesmo tempo em que se encontra com a “maré alta”, como se diz por aqui. Aí já viu, né? Alguns locais transbordam, como por exemplo o Mercado Ver-O-Peso, centro comercial e ruas paralelas. Ontem, dia 22, os feirantes enfrentaram um dia de maré alta.

Mesmo com a previsão de 3,7 metros para o começo da tarde de hoje, estou confiante de que não enfrentarei o aguaceiro. No sábado, quando a maré atingiu 3,6m no final da manhã, as valas ficaram cheias. Pergunto-me: o que pode ocorrer hoje? De acordo com a previsão da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, na madrugada, por volta de 1h, a maré deve atingir 3,8m, e, no começo da tarde, às 13h30, voltar a atingir os 3,7m.

Por isso, desde a semana passada, equipes da Defesa Civil Municipal estão percorrendo os pontos considerados mais críticos em relação a alagamentos, entre eles o Ver-o-Peso, a Feira do Açaí, a Doca de Sousa Franco e a área portuária, próxima à Av. Marechal Hermes. Na Boulevard Castilho França, onde a maioria dos comércios já estava fechando as portas por volta do meio-dia de domingo, alguns vendedores mais cautelosos, mesmo não acreditando em alagamento, resolveram se precaver.

E eu também, porque a umidade do ar está densa e o que me ocorre nesse momento é emprestar a paisagem “praia no inverno” que envolve o filme O escafandro e a borboleta para fazer uma metáfora com a paisagem de Belém. Esse filme é fundamental para o significado do título que leva. Lembro de uma cena do filme em que, diante de um quadro irreversível, Bauby aceita sua realidade e constata que possui duas qualidades que não perdeu com o derrame: sua memória e sua imaginação. É com essa visão que pretendo pensar nas particularidades e forças que se manifestam na arte contemporânea local, em uma troca de ideias estimulante.

Lembro de uma reunião no dia 21, em São Paulo, quando o Agnaldo [Farias, curador do Rumos Artes Visuais] falou: “o trabalho impõe-se dialogar com a qualidade”, mas a pergunta mais inquietante para mim foi: “o que eu fiz até agora para estar aqui dentro?”. Eu também me incluo neste auto-exame que os artistas deverão fazer, para pensar nas formas de relação que se materializam neste continente vasto e distante dentro de si que chamamos Amazônia.

Mais do que escolher artistas, o desafio que me coloco é o de conseguir reunir um conjunto de proposições que revelem para ao espectador as diferentes maneiras pelas quais o artista se manifesta, e quais as questões que engendram suas ações.

Assim, visto minha roupa de escafandro para me aventurar nas ruas de Belém. Estar em contato é para mim uma condição de existência, e um projeto como o Rumos Itaú Cultural amplia o leque de relações, nos faz olhar com mais acuidade para os artistas próximos e mais distantes, para aquele que conhecemos e para aquele que perdemos de vista. Ao buscar conhecer a produção atual, vou naturalmente acionar minha rede de relacionamentos e localizar os que parecem inacessíveis. Vai ser um grande desafio.

Como citei, a região tem a dimensão de um continente e, devido à inexistência de uma malha aérea mais eficiente, para chegarmos a determinadas capitais temos que nos deslocar até Brasília. Também, em muitos pontos da região o acesso à internet ainda é precário. São peculiaridades importantes, pois afetam o contato e o trânsito de informações. São dificuldades que estimulam o homem amazônico a estabelecer processos diferenciados que são interligados com forte carga de identidade cultural, resultando em maneiras de pensar e fazer arte. Como falei, vou me imbuir de memória e imaginação para nortear as relações que irão se estabelecer na curadoria.

Nossa! a chuva está forte lá fora. Vou ligar desmarcando o encontro para mais tarde, depois eu conto como foi. Vou tirar esta roupa, tomar um café quentinho e observar as variedades das cores das borboletas que apareceram por aqui.

[Vânia Leal]

E por falar em Aracaju…

Amanhecer em Aracaju, entre o mangue e o mar

Antes mesmo de dar início às palestras e oficinas que tem levado aos muitos cantos do Brasil, a equipe do Rumos Artes Visuais realizou um mapeamento da produção de cada estado — um trabalho abrangente, do qual você fica sabendo um pouco aos poucos por aqui, entre uma notícia e outra. Impressões de viagens na expressão dos viajantes.

Alejandra Hernández Muñoz, uma das curadoras de mapeamento do Rumos Artes Visuais, passou por Aracaju no finzinho de fevereiro e nos mandou um postal, algumas fotos, legendas. Algo assim:

“Aracaju é uma cidade bonita, entre o rio e o mar, em acelerada expansão imobiliária. A orla junto ao mangue é excelente para uma boa caminhada no fim do dia. A arte contemporânea tem um pequeno circuito, mas os artistas ainda carecem de uma estrutura à altura do seu potencial. A Sociedade Semear e o SESC-SE têm um trabalho heroico no deserto de ação dos poderes públicos. Entre uma entrevista e outra, além da macaxeira, estou correndo atrás de um pastel de caranguejo”.

Caju Parade em Aracaju

Equipe Rumos... lá vamos nós!

[Alejandra Hernández Muñoz]

Inscrições abertas para Laboratório de Jornalismo Cultural em Aracaju

Respeitável público, atenção-atenção, que a partir desta segunda-feira, dia 28, estão abertas as inscrições para o Laboratório de Reportagem em Jornalismo Cultural que acontece no dia 11 de abril em Aracaju. O laboratório se intitula Olhar e Escuta na Busca do Personagem Singular, e será capitaneado pela repórter, escritora e documentarista Eliane Brum.

O laboratório se destina a professores e estudantes, e aborda temas como a construção e definição do personagem no jornalismo, e como contar histórias reais sem cair nos clichês e nas simplificações.

Parceira conhecida do Rumos Jornalismo Cultural, Eliane Brum possui três livros de reportagem publicados: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios, 1994, Prêmio Açorianos), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago, 2006, Prêmio Jabuti) e O Olho da Rua – Uma Repórter em Busca da Literatura da Vida Real (Globo, 2008). Estreou no cinema de documentário como codiretora e coroteirista de Uma História Severina (2005), contemplado com mais de 20 prêmios nacionais e internacionais. Em 2010, codirigiu Gretchen Filme Estrada. Como jornalista, ganhou mais de 40 prêmios de reportagem, entre eles Esso e Rei de Espanha. Em 2008, ganhou o Troféu Especial Imprensa ONU, pelo trabalho realizado “em defesa da justiça e da democracia”. Gaúcha radicada em São Paulo, atualmente é colunista do site da Revista Época e cronista do site Vida Breve.

Corra, leitor, corra, pois são apenas 50 vagas disponíveis. O laboratório acontece no auditório da Sociedade Espaço Semear (Rua Vila Cristina, 148 aracaju), das 18h às 21h30. As inscrições podem ser feitas pessoalmente ou pelo telefone (79) 3214-5800, das 8h às 12h e das 14h às 18h, com Adriele, ou pelo e-mail culturaeartes@sociedadesemear.org.br.

E você aí, que está em outras capitais, aguarde novidades na programação da caravana do Rumos Jornalismo Cultural.

Programação de hoje e novidades na programação

Você, amigo leitor, amiga leitora, que intercepta o sinal destas linhas aí de Vitória/ES, não esqueça que logo mais, às 20h, no Theatro Carlos Gomes (Praça Costa Pereira, 25 – Centro), tem programação do Rumos Educação, Cultura e Arte, com o músico e dançarino Antonio Nóbrega levando ao palco sua aula-espetáculo Mátria: Uma Outra Linha de Tempo Cultural. Para quem estiver em outras capitais, vá conferindo a programação da caravana Rumos, que tem sempre uma novidade pintando. Ainda esta semana, tem aula-espetáculo e palestra do Rumos Artes Visuais em Cuiabá, e mais Rumos Artes Visuais em Goiânia. Se ligue, antenado leitor, que navegar é preciso.

E logo mais, no Rio de Janeiro: Antonio Nóbrega

Pois é, amigo leitor, amiga leitora, o Rio de Janeiro continua lindo, o Rumos continua indo, e continua no Rio de Janeiro. Hoje mesmo, às 19h, no Teatro Sesi Centro, é a vez do Rumos Educação, Cultura e Arte subir ao palco, ou melhor, preparar o palco, respeitável público, para a aula-espetáculo Mátria: Uma Outra Linha de Tempo Cultural, preparada pelo músico e dançarino Antonio Nóbrega especialmente para o programa.

Considerações sobre cultura tecidas na apresentação de peças do samba, da tradição oral, da música clássica. Uma viagem que começou no lançamento do edital e segue, na itinerância do Rumos através do país.

O Teatro Sesi Centro fica na Av. Graça Aranha, 1, como diz o nome, no centro da Cidade Maravilhosa. A entrada é gratuita.

Está no Rio? Não perca. E enquanto isso, olha só as fotos da primeira apresentação.

Artes Visuais no Parque Lage

Após o carnaval, é justamente pelo Rio de Janeiro que o Rumos Itaú Cultural dá a partida de suas andanças.

Nesta terça, dia 15, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage recebe Agnaldo Farias e Ana Maria Maia, curadores do Rumos Artes Visuais, para um debate mediado pelo crítico e curador Fernando Oliva.

A escola fica na Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico.

A divulgação do programa de Artes Visuais se repete na sexta-feira, dia 18, em Maceió. Ali acontece a oficina teórica Portfólio de Artista, com Janaína Melo, na Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas.

Não deixe de conferir o calendário das atividades do Rumos, e fique atento, que a viagem está apenas começando.

Rumos Música em carne, osso e groove neste carnaval

Não vá deixar que o frio fora de hora e as chuvas sem fim encharquem a serpentina dos seus sapatos, carnavalesco leitor. Anime-se, e caso encharque não esqueça, é só pular na pista que eles secam, pois pra esquentar os ouvidos dos pés à cabeça é que acontecem os shows do Rumos Música nesse fim de semana.

Na sexta, dia 04, o rapper Emicida (SP) sobe ao palco do instituto e mandar os petardos dos seus Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Já Cheguei Longe…. (2009), Sua Mina Ouve Meu Rap Também (2010) e da mixtape Emicídio, do mesmo ano. No sábado, dia 05, é dia de O Jardim das Horas (CE) apresentar sua fusão da música eletrônica moderna e música brasileira de raiz. Fechando o ciclo de apresentações no domingo, dia 06, o violonista Maurício Marques (RS) brinda o público com sua música marcada pelas profundezas do folclore rio-grandense.

Mais informações aqui.