Dança nos blogs

Mais um ano se vai, caro leitor, outro ano que vem, mais uma leva de rumeiros entra em cena e já está com a mão na massa, já se sente em casa, já entrou no clima e já está fazendo por onde. Curiosos pelo que rola nessa etapa inicial pós-seleção já tiveram um aperitivo com as fotos da visita da turma do jornalismo cultural à redação do Terra. Mas um post é pouco, diz você, faminto leitor, para que em seguida eu te pergunte: e que tal, depois desse post, um blog inteirinho? Parece bom. E que tal 21 blogs inteiros, nos quais os selecionados do Rumos Dança compartilhem as experiências da pesquisa e do desenvolvimento de suas obras, contando tudo e ouvindo via caixa de comentários? Parece ainda melhor. E é. Pinta lá e tome cá um abraço de fim de ano.

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Colóquio em seis cliques

Aí vão as primeiras imagens do VI Colóquio Rumos Jornalismo Cultural. Lembranças e idéias para os que foram, provas cabais do que os que não foram perderam:

No debate de abertura, Patrícia Canetti fala sobre o Canal Contemporâneo. Na sequência, o mediador Pedro Markun, José Marcelo Zacchi (Overmundo) e Paulo Fehlauer (coletivo Garapa)

Da esquerda pra direita: o mediador Claudiney Ferreira, Antonio Prada (Portal Terra) com a palavra e José Eduardo Gonçalves (Rede Minas) em torno do tema "Convergência e Cultura Twitter"

Alberto Pucheu (UFRJ), o mediador Adalto Novaes (Artepensamento) e Eugênio Bucci (USP) escutam Franklin Leopoldo e Silva (USP) falar sobre o tempo da informação e da reflexão

A vida dupla, on e offline dos jornalistas: Alcino Leite (Folha de S. Paulo e Trópico), a mediadora e curadora do evento Rachel Bertol, Lúcia Guimarães (Estadão e Rádio Eldorado) e Almir de Freitas (Bravo! e Bravo Online)

O mediador Claudiney Ferreira, Alex Primo (UFRGS), Alexandre Inagaki (blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso) e Renato Franzini (G1) discutem as práticas culturais da vida e do trabalho online

Matinas Suzuki (revista Serrote) é ouvido em suas propostas para uma revista cultural pelo mediador José Castello e por Guillermo González (revista Número) e Luis Antonio Giron (revista Época)

As caras novas do (Rumos) Jornalismo Cultural

Porque enquanto profissionais, estudantes, curiosos e estudiosos refletiam, discutiam, espiavam e propunham rumos renovados para o jornalismo cultural, rumoroso leitor, a nova safra de rumeiros aportava na Sampalândia para a abertura oficial de suas atividades — que incluiu o Colóquio, sim, mas não só. Abaixo, registros da visita que a turma fez à redação do Terra, portal parceiro de empreitadas (como o Media On) do Itaú Cultural. Recebidos pelo editor-chefe Edson Rossi e conduzidos pelo diretor de conteúdo Antonio Prada (que participou de uma mesa no Colóquio) e pelo diretor da TV Terra Everton Constant (membro da comissão de seleção da carteira Estudante do Rumos), a nova rumaria foi acompanhada ainda pela madrinha de todo rumeiro Babi Borghese (que deu os cliques abaixo) e por José Castello, escritor, jornalista e editor do laboratório do qual a turma participa ano que vem. É mole ou quer mais?

Edson Rossi (editor-chefe do Terra, à direita) apresenta a redação a estudantes e professores selecionados. O cavalheiro de sobrancelha erguida no canto esquerdo é o escritor e jornalista José Castello, editor do Laboratório do qual os estudantes participam no próximo ano

De costas, Antonio Prada (diretor de conteúdo do portal) explica como funciona a redação. À direita, o diretor do TV Terra, Everton Constant, que fez parte da comissão de seleção da Carteira Estudante

Outro ângulo para a mesma conversa

E o descanso após 1h30 de visita

Colóquio: um retrato

São Pedro exagerou na quilometragem das águas de São Paulo nestes últimos dois dias, mas fora o rio de carros na av. Paulista visto através do vidro e o eventual atraso de algum convidado, quem estivesse dentro da sede do Instituto Itaú Cultural nos dias 03 e 04 mal notava: a sala que abrigou as mesas do VI Colóquio Rumos Jornalismo Cultural manteve boa média de público em todos os horários, levando Matinas Suzuki, editor da revista Serrote e participante do último debate (que terminou às 22h20 da sexta-feira) a concluir, brincando, ou a brincar, concluindo: “vocês só podem estar sem coisa melhor pra fazer!”.

Os debates da sexta começaram às 16h com Alcino Leite (Folha de S. Paulo e Trópico), Almir de Freitas (Bravo! e Bravo Online) e Lúcia Guimarães (Estadão e Rádio Eldorado) falando sobre em que ponto de suas trajetórias precisaram se adaptar à web. Eles que já estão na estrada há um bom tempo e que sentiram, cada um a seu modo, a coisa mudar: o projeto de Alcino para uma versão online do caderno Mais! que após uma longa temporada na gaveta resultou na revista Trópico; a resistência de Lúcia Guimarães ao personalismo dos blogs e sua posterior adesão à internet, é claro, noutro formato; o projeto pessoal de Almir de Freitas para um blog que acabou sendo abraçado pela revista Bravo! e incorporado ao site da publicação.

Na sequência, Alex Primo (professor da UFRGS), Alexandre Inagaki (do Pensar Enlouquece, Pense Nisso) e Renato Franzini (do G1) conversaram sobre as especificidades culturais da internet, do ponto de vista de um pesquisador, de um editor de um grande portal e dum jornalista-escritor cuja carreira já nasceu online: construção de reputação, a estranha cultura das celebridades, a voz do público nas caixas de comentário, o funcionamento das redes de relacionamento, a lógica do público-alvo virada do avesso quando, ao invés de falar pra milhares, importa falar para quem o assunto importa.

Assim como na quinta-feira a programação terminou com uma mesa diferente — uma contundente reflexão crítico-filosófica sobre os impasses do jornalismo que vive de pressa –, na sexta o encerramento dos debates ocorreu com uma mesa menos analítica e mais, digamos, propositiva: três experientes editores se propuseram a apresentar cinco princípios fundamentais para uma boa revista cultural, feita com papel ou códigos binários.

Matinas Suzuki (da Serrote) aposta em 1) simplicidade, 2) projeto bem-definido, 3) alma, 4) competência não só para boas idéias, mas para executá-las e 5) ter as pessoas certas envolvidas. O editor de cultura da revista Época, Luis Antonio Giron, sugere 1) surpreender quem faz e quem lê (“buscar o efeito ‘ó!'”), 2) ter ênfase em idéias, e não no factual, 3) ter expressão na internet, mesmo que a revista seja de papel, 4) um design original e 5) saber qual o seu público-alvo. Guillermo González, da colombiana Número, enumera: 1) ter paixão e conhecimento, 2) definir um projeto editorial, 3) dispor de tempo para apuração, 4) ser arrojada e propositiva e 5) funcionar como verdadeiro pólo de pensamento e criação dentro da sociedade na qual está inserida.

E foi com este ponto comum, como observou o moderador José Castello, que se pareceu achar um bom rumo para o jornalismo cultural: paixão, alma, surpresa. Aquele envolvimento pessoal que torna as coisas escritas muito mais verdadeiras, com potencial até para transformar quem as ler.

***

Não esquecendo do bate-papo de hoje à tarde com o veterano Humberto Werneck, e das fotos que logo logo pintam aqui pelo blog. Agora vá lá e bom fim de semana pra você.

Se perdeu, não perca

Patrícia Canetti contando como contou com o acaso o nascimento do Canal Contemporâneo, Paulo Fehlauer mostrando que dá certo sim investir num modelo de negócio alternativo desde que você acredite nele, como ele acredita neste indivíduo coletivo chamado Coletivo Garapa, José Marcelo Zacchi contando como, em menos tempo do que o esperado para seus próprios criadores, o Overmundo se tornou um dos mais bem-sucedidos sites colaborativos do solo brasileiro, quer dizer, virtual. E você não viu?

Antonio Prada narrando as aventuras de alguém que, já em meados dos anos 90, largou a vida de jornalista impresso para apostar nas novas mídias, José Eduardo Gonçalves dividindo os dilemas de uma excelente TV, que agora precisa entender que a televisão está em todos os lugares e em mil e uma mídias além dela mesma. E ambos trocando idéias sobre o perfil do (bom) jornalista no ambiente de convergência de mídias e de funções. E você não estava lá?

Adalto Novaes explicando que o termo “crise” não dá conta de explicar o momento histórico pelo qual passamos, propondo por isso a idéia de “mutações”. Eugênio Bucci refletindo sobre a dilatação do presente, esse nosso tempo de estar fazendo, de gerundiando, e sobre o papel da imprensa na democracia, Franklin Leopoldo e Silva alertando para o fato de que o tempo da informação desacompanhado do tempo da reflexão conduz apenas à passividade, Alberto Pucheu pensando os pontos de contato e atrito entre jornalismo, literatura e filosofia, e essa você também perdeu?

Não marque touca, amigo leitor, confira a programação de hoje do VI Colóquio Rumos Jornalismo Cultural e pinte lá.

A programação do Colóquio

Agora que você, programado leitor, já fez a sua reserva para o VI Colóquio Rumos Jornalismo Cultural, aproveite para ficar por dentro da programação do evento. O tema do colóquio é Convergências, o encontro discute os rumos do jornalismo cultural diante das novas ferramentas, possibilidades e exigências do ambiente virtual, a entrada é franca, os ingressos podem ser retirados meia hora antes do início de cada mesa, e a programação completa é essa aqui, ó:

quinta 3 de dezembro

16h Novas Referências, a Experiência dos Coletivos

com José Marcelo Zacchi (Overmundo), Patrícia Canetti (Canal Contemporâneo) e Paulo Fehlauer (Coletivo Garapa) e mediação de Pedro Markun (Jornal de Debates)

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

18h Convergência e Cultura Twitter

com Antonio Prada (Portal Terra), Eugênio Bucci (USP) e José Eduardo Gonçalves (Rede Minas) e mediação de Claudiney Ferreira (Itaú Cultural)

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

20h O Tempo da Informação

com Alberto Pucheu (UFRJ) e Franklin Leopoldo e Silva (USP) e mediação de Adauto Novaes (Artepensamento)

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

sexta 4 de dezembro

16h Vida Dupla – Crítica, Post e Comentário

com Alcino Leite (Folha de S.Paulo e Trópico), Almir de Freitas (Bravo! e Bravo Online) e Lúcia Guimarães (O Estado de S.Paulo e Rádio Eldorado) e mediação de Rachel Bertol (curadora do colóquio)

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

18h Cultura na Prática

com Alex Primo (UFRGS), Alexandre Inagaki (blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso) e Renato Franzini (G1) e mediação de Claudiney Ferreira (Itaú Cultural)

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

20h Proposta de Revista – Princípios

com Guillermo González (revista Número, da Colômbia), Matinas Suzuki (revista Serrote) e Luiz Antonio Giron (revista Época) e mediação de José Castello (jornalista e escritor)

Sala Itaú Cultural (247 lugares)

sábado 5 de dezembro

15h Bate-papo

com Humberto Werneck (jornalista e escritor)

Sala Vermelha (50 lugares)