Galeria de personagens Rumos: Letícia Sekito

O solo "E Eu Disse:" fotografado por Gil Grossi

O solo "E Eu Disse:" fotografado por Gil Grossi

 

Olhando assim de longe para a programação da caravana Rumos 2009, vendo assim com olho rápido o nome da coreógrafa Letícia Sekito ali entre tantos e de uma vez só, na palestra sobre Processos de Criação na Dança ministrada por ela em Campo Grande, você nem tem idéia: esse bate-papo entre Letícia e o Itaú Cultural vem de longe.

Quer dizer, talvez você tenha idéia, né? Vai ver você assistiu a alguma das apresentações do solo “E eu disse:”, que a artista vem apresentando nas unidades do SESC no interior de São Paulo (Ribeirão Preto, Catanduva, Araraquara, Campinas, Sorocaba, com Santo André, São José dos Campos e Santos pela frente). Ou antes disso, em 2007, talvez tenha visto o mesmo espetáculo em Belo Horizonete, onde a artista foi parar peregrinando com a Mostra Rumos Itaú Cultural Dança. Sigamos assim, de trás pra frente: o bate-papo começa um pouco antes, dedutivo leitor, quando o mesmíssimo espetáculo foi selecionado na edição 2006/2007 do Rumos Dança.

É este o movimento do diálogo, de selecionada Rumos Letícia Sekito passou a palestrante e, como palestrante, a coreógrafa voltou à experiência de selecionada, conversando com a turma em Campo Grande sobre a trilogia que “E eu disse:” compõe com “Disseram que eu era japonesa” (2004) e “O Japão está aqui?” (2008).

Paulistana, descendente de japoneses, coreógrafa, dançarina, diretora da Companhia Flutuante, Letícia não acaba aqui. Ela ganhou a Bolsa Rede Stagium 97, o Prêmio Estímulo à Dança 2003, o Rumos Itaú Cultural Dança 2006/2007, recebe apoio cultural da Fundação Japão desde 2004, fez residência artística no Japão em abril de 2008 e…também não acaba aqui.

Ali, algumas linhas abaixo, ela bate um papo rápido sobre suas pesquisas em dança, sobre as experiências no Rumos, sobre papel craft e uma porção de outras coisas. E mais ali, além, depois da última aspa, Letícia Sekito estará apenas começando.

 

Contato com a dança

“Profissionalmente e mais intensamente posso dizer que a dança entrou na minha vida aos 15 anos de idade, quando me mudei para Lisboa/Portugal com minha família e pude começar a frequentar um estúdio de dança que hoje chama-se C.E.M. sob a direção de Sofia Neuparth. Anteriormente a esse período a dança ‘entrava’ na minha vida nas festinhas de aniversário e casamento, nas atividades da escolinhas, nas lojas de discos e no meu quarto”.

 

Palestra em Campo Grande

“Foi bem importante e difícil refletir sobre a questão do meu processo de criação. Ao preparar a palestra, que prefiro chamar conversa, pude além de tentar descobrir o que seria interessante falar para um público que muito provavelmente não conhecia meu trabalho, pude fazer um balanço desses meus últimos 6 anos de processo de criação e refletir ainda mais sobre o processo do ‘E eu disse:'”.

 

“E eu disse:” e a seleção no Rumos

“Este trabalho deu continuidade à pesquisa coreográfica sobre identidade cultural e a relação entre corpo e cultura que eu já vinha desenvolvendo. Desde finais de 2002/2003 eu estava interessada na potencialidade da imagem do corpo e nas possíveis leituras poéticas da imagem e ação do corpo, como é visível no solo ‘Um pouco do corpo’.

“Em 2004 com o solo ‘Disseram que eu era japonesa’, estreado no evento Dança em Pauta, do CCBB, pude aprofundar a minha relação com a cultura japonesa e a minha imagem herdada de ‘japonesa’, que sempre contestei. Como esta questão das identidades culturais brasileiras é muito complexa, foi inevitável que eu continuasse a lidar com elas no ‘E eu disse:’. Sobretudo a questão da imagem/informação que trago no meu rosto, um rosto de ‘japonesa’ continuava a ser determinante, então propus de início esconder este rosto ocultando-o com um saco de papel craft ‘neutro’ e paulatinamente ir propondo outros rostos-corpos ao longo do desenvolver do solo”.

 

Crédito da imagem: Gil Grossi

Crédito da imagem: Gil Grossi

 

Experiência Rumos

“Sem contar eu ter ganho uma ajuda para o desenvolvimento da pesquisa em si, ter a garantia de poder compartilhar e mostrar a pesquisa em público e ver meu trabalho reconhecido, pude entrar conhecer vários outros artistas e trabalhadores culturais do Brasil com quem continuo até hoje a me relacionar profundamente.

“Mais especificamente pude participar do Festival 1, 2 na Dança, em BH; do Festival da Faculdade de Artes do Paraná, em Curitiba e com o Coletivo Couve-Flor; do Festival da Nova Dança; fui convidada do Seminário Performático sobre Fetichismo Visual do antropólogo cultural Massimo Canevacci; fui premiada com o ProAC 2008 de Circulação da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, podendo realizar a circulação neste primeiro semestre de 2009, com reaização do SESC e apoio da Fundação Japão, e agora em Junho de 2009 participar do Interatividade-Conectividade III, organizado pelo Dimenti, de Salvador.

“Não é de se negar também que com a chancela ‘Rumos’, há uma maior possibilidade de oferecer e levar meu trabalho para programadores, selecionadores e para a mídia em geral, que não conhecem meu trabalho, por exemplo. Espero que o programa Rumos Dança continue a acontecer e a se desenvolver sempre, e que outras iniciativas do Itaú Cultural para com a danca contemporânea possam ser concretizadas”.

 

* As fotos utilizadas estão na página de Letícia Sekito no Multiply

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