Expedição aos porões da ditadura

Castello, Monzani e o artesão Carlos Oliveira, que preserva intacto em seu ateliê um capítulo da nossa história da violência

Castello, Monzani e o artesão Carlos Oliveira, que preserva intacto em seu ateliê um capítulo da nossa história da violência

Por essa eles não esperavam. Das verdes matas e amarronzados rios amazônicos, nossos expedicionários Marcelo Monzani, José Castello e Claudiney Ferreira fizeram uma viagem de volta aos subterrâneos do Brasil. Mais precisamente de Teresina, e mais precisamente ainda da Teresina dos tempos de ditadura.

O que é hoje o Centro de Artesanato de Teresina foi construído para ser o quartel da polícia do Piauí. Com a chegada da Redentora em 1964, o local passou e sar utilizado pelos militares. O Box 43 do Centro de Artesanato, chamado de Arte Artista, pertence ao artesão Carlos Oliveira, que trabalha principalmente com madeira. É ali embaixo que permanece preservada a sala de tortura do antigo quartel.

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“O calabouço abaixo do ateliê é um verdadeiro buraco medieval, sem janelas, sufocante, que ainda traz as marcas de sangue e das cassetadas nas paredes”, descreve Claudiney, autor das fotos. Além de uma limpeza básica no chão do porão, que ainda continha os dejetos dos prisioneiros, Carlos fez questão de manter intactas as marcas da história. Uma história próxima, mas difícil de se alcançar. A escada que lhe dá acesso é quase em 90 graus.

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“É muito bacana que o Carlos preserve esse lugar, mas o lugar é tenebroso”, diz o oficineiro José Castello, clicado nas últimas fotos ao lado de Marcelo Monzani. Aliás, sobre as fotos, Monzani registra que ficaram muito boas…No mau sentido. “Elas estetizaram o lugar, não dão dimensão do quanto é um ambiente pesado, escuro, sujo”, compartilha. “Essa sala tem as marcas do tempo. Um tempo sombrio e amargo”.

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One thought on “Expedição aos porões da ditadura

  1. Claudiney, conseguiste clicar algumas “boas” dimensões do local como dissera o postante acima, mas nao sei se chegaram a visitar o palacio da Cidade e Museu do Piauí, na praça Marechal Deodoro da Fonseca (vulgarmente chamada pça da Bandeira) e a Casa da Cultura Barão de Gurguéia.
    Lá também há muitos remanescentes do tempo colonial, porém hoje são alguns poucos espaços de conjunto arquitetônico histórico e artístico da cidade.

    É incrível como foram bem feitos esses casarões, pois resistem a várias intempéries: naturais, culturais, políticas, até sociais!

    Sejam bem vindos a Teresina você e o pessoal do Rumos, pois fizeram um belo trabalho quando da vossa estada por entre estas gentes. Mantenham-nos a par de tudo que se passa nessa caravana aí!

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