A saudade de Sonia

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Sonia Sobral, gerente do núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, descobriu Boa Vista e nos mandou um texto cheio de saudade do extremo Norte do Brasil. Falou da cidade, das surpresas, dos percursos, de peixada (nas andanças por este quilométrico país a culinária é sempre uma agradável descoberta, guloso leitor) e da palestra do artista piauiense Marcelo Evelin, que logo mais bate um papo sobre Processos de Criação na Dança com a turma de Manaus, ao lado de Christine Greiner, que fala sobre A importância do corpo nos processos de criação em arte contemporânea. Às 19h, no Palacete Provincial.

A turma da dança em Roraima

A turma da dança em Roraima

Sonia mandou um retrato falado, e Marcelo Monzani as fotografias. Já viu como é o Norte? Então veja.

*

“Sabia pouco sobre Boa Vista, que está perto da Venezuela e da Guiana, e mais perto ainda da Raposa Serra do Sol. Depois das longas horas no avião finalmente chegamos ao céu de Roraima. Turbulência. Chovia forte. Desci de madrugada numa Boa Vista molhada e fresca. Foi esta a primeira surpresa — achei que o calor encheria minha chegada.

“No taxi para o hotel, já começaram minhas perguntas. Fui informada de que lá é começo de inverno. Isso me deu, mais uma vez, a dimensão deste país. Como, num mesmo país, há lugares em outras estações do ano. Achei o máximo. Segunda coisa que aprendi no taxi: mais ou menos metade da população de 270 mil habitantes é de migrantes. Perguntei de onde, me disse o paciente motorista que de vários lugares: Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Sul. Na hora do almoço notei os restaurantes fechados. Eles fazem a ciesta.

“Andei. Vi ruas largas, não vi edifícios vi muitas cores nas casas e prédios e vi, assim como também em toda a região centro-oeste [por onde Sonia também passou com a caravana Rumos], a visão contínua e insistente do céu. Se os portugueses diziam: tanto mar, lá diremos: tanto céu. Uma noite o céu estava vermelho. Emocionante. 

“O sotaque é gentil como são os roraimenses. Fomos convidados a comer uma peixada, uma noite, na casa de alguém que nem nos conhece. Quer coisa mais brasileira? Não vai dar tempo de ver e saber muito mais: amanhã é domingo e com 06 horas de viagem chegarei a São Paulo e verei muitos edifícios, poucas árvores e pouco horizonte.

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“O encontro com Marcelo Evelin (PI) foi execelente. Apesar de pouca gente Marcelo deu conta de falar de processo de criação e de dança contemporânea de forma clara e inteligente. Boa Vista é a única capital brasileira que não possui um teatro público em funcionamento. A Universidade tem apenas 20 anos. O campus parece um canteiro de obras. Há muito o que ser construido por lá. E os habitantes da cidade têm disposição pra isso”.

[Sonia Sobral]

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