Mapeamento no ar

Alor-leitô, quer dizer, alô-leitor — vim te contar uma coisa que é o seguinte, dois pontos: lembra do mapeamento do ensino do jornalismo cultural, que nossos intrépidos professores selecionados do último Rumos intrepidamente apresentaram no encontro da FNPJ? Lembrô? Quer dizer, lembrou? E que o site da FNPJ o disponibilizaria em breve? Bem, já disponibilizou.

Galeria de personagens Rumos: Guilherme Kujawski

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“Quando estava no Rio, um cara me abordou no campus da UFRJ dizendo ser um ‘enviado de Deus’. Dizia que tinha uma espécie de ‘corpo fechado’, pois qualquer lugar onde frequentava, tanto no morro dos traficantes como na própria UFRJ, era bem-recebido ou bem tratado. Ele depois acabou contando que é um ex-paciente do hospital psiquiátrico que teve alta. Que quando criança sofreu um acidente empinando uma pipa de cima de um telhado, bateu a cabeça e teve perda de massa encefálica. A médica dele aconselhou-o a passar seu tempo na biblioteca da universidade, lendo livros de teologia…No final da nossa conversa, ele me disse, como se fosse o próprio arcanjo Gabriel: ‘Gostou de me conhecer?'”.

[Guilherme Kujawski, em depoimento para a série “A vida é estranha, mas é engraçada”]

Galeria de personagens Rumos: Nélio Bizzo

O biólogo Nélio Bizzo na Sala Torquato Neto (Teresina), clicado por Claudiney Ferreira

O biólogo Nélio Bizzo na Sala Torquato Neto (Teresina), clicado por Claudiney Ferreira

Nélio Bizzo é biólogo, com pós-graduação na área de biologia e educação. Estagiou na Inglaterra, estudou os manuscritos de Charles Darwin no Manuscripsts Room, da University of Cambridge Library, em Down House (Charles Darwin’s Memorial) e na British Library. É professor titular da USP e Fellow do Institute of Biology (Londres). E, de quebra, é palestrante Rumos.

Ele que palestra hoje em Curitiba acabou de passar com a caravana por Teresina, onde falou sobre o que também fala hoje, quer dizer, sobre A obra de Charles Darwin como exemplo de processo criativo. Destaque-se: na capital piauiense, Nélio contou com a presença do escritor e jornalista José Castello na platéia (que estava na área na condição de oficineiro Rumos, como você a essa altura já sabe), que de ouvinte passou a interlocutor na hora do jantar. Quem registra o encontro é o expedicionário Claudiney Ferreira: 

“Castello ficou maravilhado e foi surpreendido com a fala do Nélio sobre a importância da proporção áurea na ciência, nas artes e no cotidiano. Castello agora quer pesquisar a influência (será que ela existe?) do conceito na literatura”. O papo foi longo e tudo indica que a conversa vai se prolongar pela vida. O Rumos, caro leitor, é a arte do encontro.
 
Como já relatou outro expedicionário, o Kuja, em sua palestra “o Nélio Bizzo comenta que Darwin ‘remixou’ algumas idéias da época, que o levaram a formular a teoria das evolução das espécies. O ‘insight’ científico é tão contestável quanto o ‘insight’ artístico, pois nada surge por ‘geração espontânea’. A cultura e a arte caminham por referências e associações”. Claudiney complementa puxando algumas notas do seu indefectível bloco de notas:

“Os pensadores da antiguidade não nos legaram idéias mas, mais importante, modos de pensar criativamente. Nélio registra algo que parece similar a alguns pensamentos sobre os processos artísticos comtemporâneos: ‘Antes de Darwin, predominava a idéia de que cada ser vivo era uma obra acabada. Hoje sabemos que tudo está em processo de criação’. Deste pensamento tira-se algumas outras idéias em processo. Se tudo está em processo de criação, não há um ser vivo ou obra finalizada, portanto, perfeita”, reflete o capitão.
 

Violação de correspondência

De: “Guilherme Kujawski Ramos” <guilherme.ramos@XXXXX>
Para: “Nelio Bizzo” <nelio.bizzo@XXXXX>

CC: “reuben c rocha” <reubencr@XXXXX>

Data: 24 de abril de 2009, 16:44
Assunto: Darwin
 
“Olá Nelio,
 
Veja que interessante essa exposição: http://www.schirn-kunsthalle.de/index.php?do=exhibitions_detail&id=88&lang=en
 
Lembrei de você e de sua palestra no Rio (que foi ótima e instigante).
 
A respeito dessa exposição, que associa Darwin e arte, li um comentário interessante de um músico escocês:
 
On Sunday at 3pm I’m giving one of my Unreliable Tours, this time of the Schirn Kunsthalle in Frankfurt. I’ll guide people around their Darwin: Art and the Search for Origins exhibition, telling visitors that Darwin — contrary to anything they might have heard — actually arrived at his evolutionary theories after witnessing the events recounted in The Bremen Town-Musicians by The Brothers Grimm. Darwin’s eureka moment, I’ll continue, came when his father took him to Highdown Fair.
 
Um abraço!
 
Guilherme Kujawski”

Outras praias

Curioso pra saber mais sobre as relações entre arte e ciência? Clicaqui. Trata-se do relato de outro grande encontro, entre o artista Dimitri Lima e Nélio Bizzo, realizado no Redes de Criação, que por sinal teve curadoria de Cecília Almeida Salles, que palestra ao lado do biólogo logo mais, na terra de Paulo Leminski. A arte do encontro, a arte do encontro…

Instantâneos Catarinenses IV

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“Experimental? Afinal, o que é experimental? A dúvida, que abre a cabeça e expande a percepção das coisas, talvez seja a melhor sensação que o público pode ter ao sair de uma debate. Roberto Moreira e César Guimarães encerraram os encontros Rumos Itaú Cultural 2009 versão Floripa em grande estilo, colocando à prova os conceitos e preceitos sobre o que é o experimental na produção audiovisual contemporânea. Mais que afirmações, indagações certeiras sobre, afinal de contas, o que é ser experimental hoje num mundo globalizado e pós-tudo. Você se arrisca a responder?”
 
[Texto e imagens: Roberto Moreira S. Cruz]

Instantâneos Catarinenses II

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“Quem conhece Florianopolis sabe: a cidade não tem taxi. Ou melhor, pra se pegar um taxi você tem que saber onde é o ponto ou chamá-lo pelo telefone. Se estiver caminhando despreocupadamente e resolver pegar um táxi, isso pode se tornar uma aventura, ou uma desventura. Estavamos caminhando pela [avenida] Beira-Mar após o almoço. Eu e o Roberto Moreira, meu xará, precisávamos ir para a Universidade, onde aconteceria a oficina sobre Filmes e Vídeos Experimentais. Cem, 300 800 metros e nada de Taxi. Cinco, oito, 12 minutos de caminhada e… nada de táxi. O sol sobre nossas cabeças e a referência que tinhámos era que ‘logo alí na frente no shopping tinha um ponto’. Enquanto isso, nada de táxi. Até que fomos salvos por uma esquina mais movimentada e 10 minutos depois estávamos no campus da UFSC”.

[Roberto Moreira S. Cruz]

Crédito da foto, aqui.

Instantâneos Catarinenses I

Floripa por fora...

Floripa por fora...

...E por dentro, no auditório do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC

...E por dentro, no auditório do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC

Florianópolis é uma das paradas da última semana da agenda da caravana Rumos 2009. A palestra de abertura, com Ronaldo Entler, aconteceu ontem no auditório do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. O tema? Acaso e Processo de Criação. O cardápio? Roberto Cruz, gerente do núcleo de Audiovisual do Itaú Cultural, divide conosco: “Marcel Duchamp, Novos Realistas, Sophie Calle e Chris Marker. A platéia, que lotou o auditório, 120 lugares, adorou e prometeu voltar hoje para acompanhar a oficina de Roberto Moreira, sobre Experimentalismo e Cinema, e à noite acompanhar as palestras do próprio Roberto e de César Gumarães”. Roberto Cruz destaca a dívida da caravana com a professora Cláudia Mesquita, do curso de Cinema da UFSC, que organizou o encontro na ilha e tem dado enorme apoio a essa grande caravana. Confira mais algumas cenas da palestra de abertura, clicadas pelo celular do nosso expedicionário:

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