Diário[s] de Pernambuco, ou: Recife Passo-a-Passo

Mais páginas, ávido leitor, do virtual caderno de viagens de Guilherme Kujawski, nosso coordenador de Arte e Tecnologia. Acompanhe uma-a-uma as praieras notas da expedição à antiga Mauritsstad, realizada pela turma da caravana Rumos 2009. Quer dizer, à Veneza Brasileira, como prefere o escriba Kuja, ou Recife, se você preferir.

 

Enquanto isso: hoje, das 9h às 18h, Eliane Brum pilota lá em Macapá a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular. Onde amanhã no mesmo horário Fábio Malini oficina sobre Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede. Endereço: SEAMA, Prédio de Jornalismo, Laboratório B – 6º piso – Av. Nações Unidas, 1201 – Laguinho.

 

Lembrando: tem o roteiro das itinerâncias do início ao fim aqui, ó.

 

Adiantando: em breve, neste mesmo blog, Eliane Brum nos envia uma lição de construção de personagem, retrato de Porto Velho, última parada antes da atual Macapá.

 

Agora: de volta a nosso passeio maracatômico pelas impressionantes impressões do nosso rumeiro:

 

Dia 26, palestra de Cecília Salles

“Talvez devido à matéria do dia 26 no Diário de Pernambuco, o auditório da Fundação Joaquim Nabuco no Derby estava com boa capacidade. Antes, fomos gentilmente recebidos por Isabela Cribari, diretora de cultura da Fundaj. O público ouviu a palestra de Cecília com muita atenção; o que não é surpreendente, já que a doutora da PUC se articula muito bem e tem conteúdo.

 

Atrações em Recife: Rumos Itaú Cultural e Lula Queiroga

Atrações em Recife: Rumos Itaú Cultural e Lula Queiroga

 

“Ela começou a falar sobre o papel dos índices na marcação de uma obra processual; seguiu comentando sobre como é necessário retirar o campo da ‘crítica genética‘ do campo da mera curiosidade genealógica, restrito apenas ao universo de documentos e materiais de deram origem a uma obra de arte (‘não só literária!’, enfatizou Cecília). Ela também deixou claro o papel das redes na criação e como elas afetam as formas do pensamento relacional. Nesse sentido, não há como não lembrar o conceito do remix, projetos que retrabalham sem nenhuma culpa obras precedentes e geram assim derivados recombinados. Cecília seguiu numerando alguns exemplos, como as obras que tematizam o processo de criação (lembrei de cara do novo trabalho de Charlie Kaufman, chamado ‘Sinédoque, Nova York‘, um filme em que um diretor de teatro resolve fazer uma peça em que a Big Apple é reproduzida em miniatura, como se a maquete tivesse o mesmo peso simbólico da cidade real, em direção a uma metonímia quase perfeita, porém precária). Depois ela refletiu sobre as obras que se valem do acaso como método. Enfim, foi tudo muito legal e o Itaú Cultural foi muito bem tratado pela Fundaj. Agradecimentos especiais para Natália Barros que, em nome de Cris Tejo (ausente por estar na Bienal de Havana), deu um apoio incrível.

 

Dia 27, oficina de Viktor Chagas

Viktor Chagas: Introdução à Web Colaborativa

Viktor Chagas: Introdução à Web Colaborativa

 

“O overmano adorou a idéia de ir à Recife, pois foi lá onde nasceu e de lá saiu aos seis anos de idade. Ao chegar na Veneza Brasileira, Viktor dirigiu-se de taxi até o bairro Casa Forte, numa busca proustiana por suas raízes. Foi com pasmo que encontrou, no lugar de sua antiga casa avarandada, um prédio de 20 andares. Infelizmente, Viktor não conseguiu ver a piscina de sua antiga casa, um ‘aquário’ onde viviam animais relegados pelos pescadores, que os jogavam lá.

 

Da esquerda para a direita: Viktor, Talles Siqueira (MinC) e Kuja, atrás do monitor

Da esquerda para a direita: Viktor, Talles Siqueira (MinC) e Kuja, atrás do monitor

Dia 27, palestra de Patrícia Moran

 “Apesar de menos cheio, o auditório estava animado. Lá estava uma senhora, urbanista aposentada, que assistiu com muito interesse os diversos DVDs que Patrícia ia mostrando ao longo de sua exposição. A ex-urbanista gostou muito dos trabalhos de VJs brasileiros, mas sentiu-se um pouco sufocada com trabalhos de coletivos austríacos, que trabalham o corpo de forma ‘desumanizada’, quase aniquilando o sujeito, num processo quase estruturalista”.

Crédito das fotos: Verônica Araújo

[Guilherme Kujawski]

Na volta do Recife…

Guilherme Kujawski nos envia o curioso relato de seu encontro com um tecnicolor fantasma tupi. Isso mesmo, incrédulo leitor: forças ancestrais dançando frevo e tirando dúvidas sobre os editais Rumos. Quer dizer, mais ou menos isso. Deixa que o Kuja conta, vai.

***

“Envio o desenho de Guajupiá. Segundo a cosmogonia tupi, trata-se da sombra, a alma pesada, que fica rondando o corpo, em oposição a angüera, a alma mais leve, que fica dentro da cabeça (fonte: Meu Destino é Ser Onça, Alberto Mussa, editora Record, 2008).

A entidade escapou da câmera digital, mas não da imaginação de Kuja

A entidade escapou da câmera digital, mas não da imaginação de Kuja

“Li o livro na viagem de ida [para Recife] e fiz o desenho no quarto do hotel, motivado por um fenômeno do tipo Poltergeist: na madrugada de quinta-feira, dia 26, a TV do meu quarto ligou sozinha; claro que há uma explicação: alguém programou a dita para ligar a tal hora. O fato é que eu não descobri de jeito nenhum como fazer para programar (e, claro, para DESPROGRAMAR), por isso tratei o fenômeno como sobrenatural. O Guajupiá, como entendo, é o fantasma da cultura Tupi”.

[Guilherme Kujawski]

Daqui, dali, de lá também

Bom-dia, amizade, e bem-vindo. Bem-vindo à segunda-feira desta semana que começa na terça para a caravana Rumos Itaú Cultural 2009. Começa é modo de falar, claro, já que esta fase das itinerâncias dá continuidade à programação na região Norte, muito bem iniciada na semana passada, da qual ainda há muito o que se ver e falar.

Mas vamos por partes, a gente chega lá. Começando do começo, mesmo que começo seja só modo de falar: a caravana ruma para Macapá (AP), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Manaus (AM), como você sabe. Um parêntese: alô, paraenses — já estão rolando as inscrições para as oficinas dos dias 06 e 07 de abril, lá no IAP, Instituto de Artes do Pará. Fecha parêntese.

Voltando ao muito o que se ver e falar da semana que passou, ainda por partes, pra não perder o costume. Fabio Malini escreve sobre a blogsfera acreana. Claudiney Ferreira e Marcelo Monzani dão provas do paradeiro da caravana em Porto Velho — a mesma caravana que desembarca hoje em Macapá. Sonia Sobral rima com Natal, conta como foram as palestras por lá e o contato com a turma.

Rio Branco>>Porto Velho
 

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

“Quinta-Feira, 17h40. Depois de uma hora de voo, a subcaravana Norte do Rumos 2009 chega a Porto Velho. Eliane, Fábio e Claudiney clicados por Marcelo Monzani, produtor-executivo  da caravana nacional Rumos 2009. 27 graus. Havia chovido muito antes do desembarque”.

[Claudiney Ferreira]

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Lá em Natal foi assim

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“No Instituto de Artes da UFRN recebemos 72 pessoas no primeiro dia e 80 no segundo. O cearense Daniel Cardoso começa nos contando que definiu seu objeto de pesquisa do mestrado quando chegou em São Paulo, uns 10 anos atrás, e foi a uma exposição no Itaú Cultural que tinha como tema o trabalho do artista, seu processo, portanto, e que era incrível que nesse momento ele estivesse dando uma palestra sobre processo de criação e o fazer artístico para um programa do Insituto.

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Daniel Cardoso

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Sonia Sobral

O artista Vanilton Lakka

O artista Vanilton Lakka

“Já o coreógrafo uberlandense Lakka decantou seu processo de criação. Começou com dança de rua, atravessou palcos e festivais e hoje se insere no circuito da dança de pesquisa. Muitas perguntas e uma conversa boa encerraram a passagem do Rumos em Natal. O potiguar se orgulha de ser um pessoal hospitaleiro. ‘Nosso diferencial’, dizem eles, e com toda razão”.

[Sonia Sobral]

Transmissão ao vivo de Recife

Chamemos de torpedo, sextafêirico leitor, o que Guilherme Kujawski nos envia de Recife, onde desembarcou ontem e onde ontem rolou a palestra Processos de Criação, com Cecília Almeida Salles, hoje ao longo do dia a oficina Introdução à Web Colaborativa, com Viktor Chagas, e logo mais, às 19h, rolará a palestra A experimentação como acontecimento do agora, no agora, com Patrícia Moran. Sim, ora bolas, um torpedo: curto demais para missiva e direto demais para postal — preciso, no entanto, como aqueles que articulam as baladas das sextas-feiras mundo a fora. Torpedo assim na forma e no conteúdo: é justamente um convite que o longínquo Kuja quer nos fazer, para assistir à transmissão da conversa que rolará logo mais. Confira o que rola, amizade, que o que rola não cria limo, e é ao vivo, agora, aqui.

Eliane Brum mandou um postal

Desembarcou ontem em Rondônia e lembrou de você, presenteado leitor, que fica agora com as primeiras impressões de viagem da jornalista que ministra hoje na Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular

***

“Acabamos de chegar à Porto Velho. Senti um cheiro tão bom quando desci no aeroporto, mas ainda não identifiquei o que é. Quando souber, eu conto. Cada lugar tem um cheiro diferente, é um pouco como os livros. A gente cheira o livro e, mesmo que ele tenha o mesmo tipo de papel, o cheiro nunca é igual. É um mistério que talvez um gráfico saiba explicar, mas há mistérios que é melhor não desvendar. Toda leitura, no meu ponto de vista, começa por uma boa cafungada bem no meio do livro.

Eliane com a turma do Acre

Eliane com a turma do Acre

“Já deu saudades do Acre, claro. A turma lá foi bárbara. Tanta gente curiosa, com amor pelas palavras! Pedi para cada um se apresentar como se fosse um personagem, contando apenas aquilo que coubesse num minuto, o essencial do essencial, segundo seu olhar sobre si mesmo. Alguns, muitos, se apresentaram de um modo que dava vontade de passar o dia ouvindo. Tive de prender a língua entre os dentes para não parar tudo só para investigar um tantão mais.
A Cecília França é uma dessas vidas que parecem fazer bem ao mundo. Ela é uma paranaense recém-chegada ao Acre. Criou um blog com um nome muito instigante: “forasteirismo”.  Ela me entrevistou ao final da oficina. Veja o que escreveu no seu blog. Mando o link para que as pessoas possam se aventurar pelo blog da Cecília e saber mais sobre uma forasteira sulista no Acre.

Até a próxima! Amanhã [hoje, sexta-feira] a oficina é em Porto Velho. E, como sempre, estou com um iceberg na barriga, apesar do calorão do inverno amazônico. O que será que vai acontecer???”

[Eliane Brum]

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Amanhã, ainda em Porto Velho, das 9h às 18h, Fabio Malini fala sobre Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede. O endereço:

Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira

Rua José Amador dos Reis, nº2938, Bairro JK1

Mais programação.

Notas do Norte: A história de um jornal histórico

E não é só o Rumos Itaú Cultural que conversa sobre blogs com a turma do Norte: a turma do Norte, por outro lado, também bloga sobre o Rumos. José Carlos Sá dá as boas-vindas à caravana recém-chegada a Porto Velho. Edna Samáira dá detalhes sobre a programação na mesma cidade e, em retrospectiva, o Coletivo Catraia faz um apanhado do que rolou em Rio Branco.

Será que tem mais? Tem mais sim, inquiridor leitor — mas fica pro próximo post, com direito a apresentação feita pela jornalista Eliane Brum, além de notícias de Porto Velho, quentes como, bem, um dia quente. Calma, curioso leitor, aceite um petisco enquanto isca: mais páginas do bloco de notas de Claudiney Ferreira, expedicionário do Rumos lá no Norte:

Histórias e Memória do Jornalismo no Acre

Capa da primeira edição do jornal Varadouro

Capa da primeira edição do jornal Varadouro

“Encontramos na Biblioteca Marina Silva, a Biblioteca da Floresta, o jornalista Elson Martins, decano do jornalismo acre(i)ano e que está na história da imprensa de resistência do Brasil com a edição do Varadouro – O Jornal das Selvas. O jornal foi editado em Rio Branco (AC) no período de 1977 a 1981, e foi a mais significativa experiência de imprensa alternativa e de ressitência à ditadura militar (1964/1985) no Estado do Acre. Sob o comando do Martins todas as edições do Varadouro estão em processo de digitalização no site da iblioteca. Por enquanto são 11 das 24 edições do jornal que tratou das mazelas de seringueiros, posseiros e índios do Acre. Cada edição de Varadouro rodava 7 mil exemplares quando Rio Branco contava com 100 mil habitantes. Hoje, com 400 mil habitantes, os quatro jornais da capital acre(i)ana rodam cinco mil exemplares.”

[Claudiney Ferreira]

A Bahiiiiiiiiaaaaaa…

Praia do Rio Vermelho, Salvador, clicada por Roberto Cruz

Praia do Rio Vermelho, Salvador, clicada por Roberto Cruz

Estação primeira do Brasiiiiiil: “A caravana Rumos não poderia deixar de passar por lá” — Roberto Cruz acrescenta à caetânica canção, assoviada a favor do vento salgado da salvadora orla. Sim, matinal leitor: o Rumos está no Norte, mas também no Nordeste. Fácil de entender, visto que também está aqui. E é de lá de onde se escreveu a primeira carta que Roberto envia seu relato. Por email, apressado leitor, por email. Que diz assim:

“Os encontro aconteceram no auditório da FACOM – Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Fomos recepcionados pelos professores André Lemos, Wilson Gomes e Karla Brunet — esta última professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA. O público era jovem, a maioria formado por estudantes da própria faculdade e por mais outros tantos realizadores, pesquisadores e interessados nos rumos da arte e da cultura brasileira”.

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Gilbertto Prado

“Gilbertto Prado falou no primeiro dia e abriu um mosaico de informações e referências das artes tecnológicas de seu notebook. Passaram na tela: de Helio Oiticica a Nam June Paik; da Apollo 11 ao MIT; do computador análogico aos inputs e outputs da arte móvel”.

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Patrícia Moran

“No dia seguinte Patrícia Moran traçou um panorama da produção dos artistas interessados na edição e criação de obras audiovisuais em tempo real. Definiu e exemplificou o que são as performances de VJs e os recursos tecnológicos disponíveis para estas peripécias”.

Assim falou nosso missivista e representante do Rumos Cinema e Vídeo, diretamente da terra do vatapá, com as bênçãos de Iemanjá, das metamorfoses de Raul e do que é que a bahiana tem, sim senhor. Mas não, não desconecte, plugado leitor, que logo logo tem mais. A não ser, é claro, que tenha uma caravana Rumos pertinho de você.