Chegamos até aqui, leitor, mas eu, antes de chegar ao ponto final desta frase, antes de sair do seu início, respiro fundo, solto o ar, amoleço os dedos sobre o teclado do computador pra te dizer: chegamos até aqui.
Este blog quando começou tinha a cara de todos nós quando começamos, uma cara apenas mais ou menos nossa, um pouco disforme, um pouco sem saber o que se é. E aí muitas vozes deram por aqui as caras, a sua, a sua, a sua aí atrás também. Sim, você. Eu, tu, ele. Nós, vós, eles. Num trem de Teresina pra São Luis do Maranhão, ah que saudade da Bahia, minhalmacantavejooriodejaneiro, alguma coisa acontece no meu coração.
E assim as coisas foram se acertando e ficando meio parecidas com uma canção de Arnaldo Baptista, todos juntos numa pessoa só, só que debaixo dos meus dedos de editor, e você não tem idéia do tamanho desse privilégio. Nem você. Ou você, sim, você mesmo, aí debaixo da goiabeira.
Do Norte, do Sul. Do Centro-Oeste, do Nordeste, do Sudeste. Até aqui, neste ponto. Que não é aquele do começo, que não será o do final. O último post da temporada — mas entra lá, por exemplo, no site do Itaú Cultural e vê só o quê que a turma do Rumos Música e do Artes Visuais estão aprontando esse mês. Ou pare e pense nos inscritos do jornalismo cultural, que ainda têm algumas semanas pra martelar um belo dum cartão de visitas.
Eu não sabia, mas em 2004, um imberbe eu participava de uma idéia sobre a qual viria a falar na abertura desta aventura: Rumos é movimento.

Augusto Paim, Anderson Ribeiro, Reuben e Leandro Lopes, clicados por Jayme Canashiro
Abertura da primeira edição do Rumos Jornalismo Cultural. Dezembro de 2004, atravessando a Paulista, saindo da sede do Itaú Cultural. Mal nos conhecíamos, nem suspeitávamos onde a amizade iria parar — soubemos sair dos quatro cantos do Brasil para atravessar o coração de São Paulo e ser atravessado por ele, e foi o bastante. Por algum motivo a Avenida Paulista virou nossa Abbey Road, e eu sequer lembrava disso quando Babi Borghese — expedicionária, rumeira-mor e fada madrinha já de duas rumorosas turmas – encontrou a foto, perdida no blog do Leandro.
Depois a intrincada investigação jornalística pelos porões de várias memórias para descobrir de quem o dedo que clicou a nossa hora. Era do Jayme. Nenhum dos envolvidos no crime conseguia lembrar com precisão. Leandro suspeitou, soprei a dica pra Babi, que num telefonema pro doutor confirmou: foi o Jayme, claro, este rumoroso precioso, misto de médico e jornalista (é verdade, pode acreditar), como pudemos esquecer? E inverto a pergunta: que memória dá conta quando não há nada numa história que não seja inesquecível?
É também de Babi o crédito da idéia de voltar a este começo neste temporário fim. Eu por muito tempo fico só com o travo da saudade antes de aportar neste texto, que diz pra você o que antes disse pra mim: repare. Este retrato registra o movimento. Do nascer do Rumos. Do início de cada um de nós. Até o movimento dos carros.
O segundo beatle, eu sou um moleque feliz por ter conhecido o Rumos e os amigos adoráveis que ele me deu. Atravessada a Paulista e o passar dos anos, sou um moleque feliz por ver meus adoráveis amigos tornados jornalistas que admiro tanto, e por carregar no próprio corpo a prova do que sempre digo, inclusive aqui – não existe ex-rumeiro, um rumeiro é sempre um rumeiro. Do lado de cá e de lá deste ponto.