Diário[s] de Pernambuco, ou: Recife Passo-a-Passo

Mais páginas, ávido leitor, do virtual caderno de viagens de Guilherme Kujawski, nosso coordenador de Arte e Tecnologia. Acompanhe uma-a-uma as praieras notas da expedição à antiga Mauritsstad, realizada pela turma da caravana Rumos 2009. Quer dizer, à Veneza Brasileira, como prefere o escriba Kuja, ou Recife, se você preferir.

 

Enquanto isso: hoje, das 9h às 18h, Eliane Brum pilota lá em Macapá a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular. Onde amanhã no mesmo horário Fábio Malini oficina sobre Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede. Endereço: SEAMA, Prédio de Jornalismo, Laboratório B – 6º piso – Av. Nações Unidas, 1201 – Laguinho.

 

Lembrando: tem o roteiro das itinerâncias do início ao fim aqui, ó.

 

Adiantando: em breve, neste mesmo blog, Eliane Brum nos envia uma lição de construção de personagem, retrato de Porto Velho, última parada antes da atual Macapá.

 

Agora: de volta a nosso passeio maracatômico pelas impressionantes impressões do nosso rumeiro:

 

Dia 26, palestra de Cecília Salles

“Talvez devido à matéria do dia 26 no Diário de Pernambuco, o auditório da Fundação Joaquim Nabuco no Derby estava com boa capacidade. Antes, fomos gentilmente recebidos por Isabela Cribari, diretora de cultura da Fundaj. O público ouviu a palestra de Cecília com muita atenção; o que não é surpreendente, já que a doutora da PUC se articula muito bem e tem conteúdo.

 

Atrações em Recife: Rumos Itaú Cultural e Lula Queiroga

Atrações em Recife: Rumos Itaú Cultural e Lula Queiroga

 

“Ela começou a falar sobre o papel dos índices na marcação de uma obra processual; seguiu comentando sobre como é necessário retirar o campo da ‘crítica genética‘ do campo da mera curiosidade genealógica, restrito apenas ao universo de documentos e materiais de deram origem a uma obra de arte (‘não só literária!’, enfatizou Cecília). Ela também deixou claro o papel das redes na criação e como elas afetam as formas do pensamento relacional. Nesse sentido, não há como não lembrar o conceito do remix, projetos que retrabalham sem nenhuma culpa obras precedentes e geram assim derivados recombinados. Cecília seguiu numerando alguns exemplos, como as obras que tematizam o processo de criação (lembrei de cara do novo trabalho de Charlie Kaufman, chamado ‘Sinédoque, Nova York‘, um filme em que um diretor de teatro resolve fazer uma peça em que a Big Apple é reproduzida em miniatura, como se a maquete tivesse o mesmo peso simbólico da cidade real, em direção a uma metonímia quase perfeita, porém precária). Depois ela refletiu sobre as obras que se valem do acaso como método. Enfim, foi tudo muito legal e o Itaú Cultural foi muito bem tratado pela Fundaj. Agradecimentos especiais para Natália Barros que, em nome de Cris Tejo (ausente por estar na Bienal de Havana), deu um apoio incrível.

 

Dia 27, oficina de Viktor Chagas

Viktor Chagas: Introdução à Web Colaborativa

Viktor Chagas: Introdução à Web Colaborativa

 

“O overmano adorou a idéia de ir à Recife, pois foi lá onde nasceu e de lá saiu aos seis anos de idade. Ao chegar na Veneza Brasileira, Viktor dirigiu-se de taxi até o bairro Casa Forte, numa busca proustiana por suas raízes. Foi com pasmo que encontrou, no lugar de sua antiga casa avarandada, um prédio de 20 andares. Infelizmente, Viktor não conseguiu ver a piscina de sua antiga casa, um ‘aquário’ onde viviam animais relegados pelos pescadores, que os jogavam lá.

 

Da esquerda para a direita: Viktor, Talles Siqueira (MinC) e Kuja, atrás do monitor

Da esquerda para a direita: Viktor, Talles Siqueira (MinC) e Kuja, atrás do monitor

Dia 27, palestra de Patrícia Moran

 ”Apesar de menos cheio, o auditório estava animado. Lá estava uma senhora, urbanista aposentada, que assistiu com muito interesse os diversos DVDs que Patrícia ia mostrando ao longo de sua exposição. A ex-urbanista gostou muito dos trabalhos de VJs brasileiros, mas sentiu-se um pouco sufocada com trabalhos de coletivos austríacos, que trabalham o corpo de forma ‘desumanizada’, quase aniquilando o sujeito, num processo quase estruturalista”.

Crédito das fotos: Verônica Araújo

[Guilherme Kujawski]

Na volta do Recife…

Guilherme Kujawski nos envia o curioso relato de seu encontro com um tecnicolor fantasma tupi. Isso mesmo, incrédulo leitor: forças ancestrais dançando frevo e tirando dúvidas sobre os editais Rumos. Quer dizer, mais ou menos isso. Deixa que o Kuja conta, vai.

***

“Envio o desenho de Guajupiá. Segundo a cosmogonia tupi, trata-se da sombra, a alma pesada, que fica rondando o corpo, em oposição a angüera, a alma mais leve, que fica dentro da cabeça (fonte: Meu Destino é Ser Onça, Alberto Mussa, editora Record, 2008).

A entidade escapou da câmera digital, mas não da imaginação de Kuja

A entidade escapou da câmera digital, mas não da imaginação de Kuja

“Li o livro na viagem de ida [para Recife] e fiz o desenho no quarto do hotel, motivado por um fenômeno do tipo Poltergeist: na madrugada de quinta-feira, dia 26, a TV do meu quarto ligou sozinha; claro que há uma explicação: alguém programou a dita para ligar a tal hora. O fato é que eu não descobri de jeito nenhum como fazer para programar (e, claro, para DESPROGRAMAR), por isso tratei o fenômeno como sobrenatural. O Guajupiá, como entendo, é o fantasma da cultura Tupi”.

[Guilherme Kujawski]

Daqui, dali, de lá também

Bom-dia, amizade, e bem-vindo. Bem-vindo à segunda-feira desta semana que começa na terça para a caravana Rumos Itaú Cultural 2009. Começa é modo de falar, claro, já que esta fase das itinerâncias dá continuidade à programação na região Norte, muito bem iniciada na semana passada, da qual ainda há muito o que se ver e falar.

Mas vamos por partes, a gente chega lá. Começando do começo, mesmo que começo seja só modo de falar: a caravana ruma para Macapá (AP), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Manaus (AM), como você sabe. Um parêntese: alô, paraenses – já estão rolando as inscrições para as oficinas dos dias 06 e 07 de abril, lá no IAP, Instituto de Artes do Pará. Fecha parêntese.

Voltando ao muito o que se ver e falar da semana que passou, ainda por partes, pra não perder o costume. Fabio Malini escreve sobre a blogsfera acreana. Claudiney Ferreira e Marcelo Monzani dão provas do paradeiro da caravana em Porto Velho — a mesma caravana que desembarca hoje em Macapá. Sonia Sobral rima com Natal, conta como foram as palestras por lá e o contato com a turma.

Rio Branco>>Porto Velho
 

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

Eliane Brum, Fabio Malini e Claudiney Ferreira, por Marcelo Monzani

“Quinta-Feira, 17h40. Depois de uma hora de voo, a subcaravana Norte do Rumos 2009 chega a Porto Velho. Eliane, Fábio e Claudiney clicados por Marcelo Monzani, produtor-executivo  da caravana nacional Rumos 2009. 27 graus. Havia chovido muito antes do desembarque”.

[Claudiney Ferreira]

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Lá em Natal foi assim

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“No Instituto de Artes da UFRN recebemos 72 pessoas no primeiro dia e 80 no segundo. O cearense Daniel Cardoso começa nos contando que definiu seu objeto de pesquisa do mestrado quando chegou em São Paulo, uns 10 anos atrás, e foi a uma exposição no Itaú Cultural que tinha como tema o trabalho do artista, seu processo, portanto, e que era incrível que nesse momento ele estivesse dando uma palestra sobre processo de criação e o fazer artístico para um programa do Insituto.

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Daniel Cardoso

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Sonia Sobral

O artista Vanilton Lakka

O artista Vanilton Lakka

“Já o coreógrafo uberlandense Lakka decantou seu processo de criação. Começou com dança de rua, atravessou palcos e festivais e hoje se insere no circuito da dança de pesquisa. Muitas perguntas e uma conversa boa encerraram a passagem do Rumos em Natal. O potiguar se orgulha de ser um pessoal hospitaleiro. ‘Nosso diferencial’, dizem eles, e com toda razão”.

[Sonia Sobral]

Transmissão ao vivo de Recife

Chamemos de torpedo, sextafêirico leitor, o que Guilherme Kujawski nos envia de Recife, onde desembarcou ontem e onde ontem rolou a palestra Processos de Criação, com Cecília Almeida Salles, hoje ao longo do dia a oficina Introdução à Web Colaborativa, com Viktor Chagas, e logo mais, às 19h, rolará a palestra A experimentação como acontecimento do agora, no agora, com Patrícia Moran. Sim, ora bolas, um torpedo: curto demais para missiva e direto demais para postal — preciso, no entanto, como aqueles que articulam as baladas das sextas-feiras mundo a fora. Torpedo assim na forma e no conteúdo: é justamente um convite que o longínquo Kuja quer nos fazer, para assistir à transmissão da conversa que rolará logo mais. Confira o que rola, amizade, que o que rola não cria limo, e é ao vivo, agora, aqui.

Eliane Brum mandou um postal

Desembarcou ontem em Rondônia e lembrou de você, presenteado leitor, que fica agora com as primeiras impressões de viagem da jornalista que ministra hoje na Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular

***

“Acabamos de chegar à Porto Velho. Senti um cheiro tão bom quando desci no aeroporto, mas ainda não identifiquei o que é. Quando souber, eu conto. Cada lugar tem um cheiro diferente, é um pouco como os livros. A gente cheira o livro e, mesmo que ele tenha o mesmo tipo de papel, o cheiro nunca é igual. É um mistério que talvez um gráfico saiba explicar, mas há mistérios que é melhor não desvendar. Toda leitura, no meu ponto de vista, começa por uma boa cafungada bem no meio do livro.

Eliane com a turma do Acre

Eliane com a turma do Acre

“Já deu saudades do Acre, claro. A turma lá foi bárbara. Tanta gente curiosa, com amor pelas palavras! Pedi para cada um se apresentar como se fosse um personagem, contando apenas aquilo que coubesse num minuto, o essencial do essencial, segundo seu olhar sobre si mesmo. Alguns, muitos, se apresentaram de um modo que dava vontade de passar o dia ouvindo. Tive de prender a língua entre os dentes para não parar tudo só para investigar um tantão mais.
A Cecília França é uma dessas vidas que parecem fazer bem ao mundo. Ela é uma paranaense recém-chegada ao Acre. Criou um blog com um nome muito instigante: “forasteirismo”.  Ela me entrevistou ao final da oficina. Veja o que escreveu no seu blog. Mando o link para que as pessoas possam se aventurar pelo blog da Cecília e saber mais sobre uma forasteira sulista no Acre.

Até a próxima! Amanhã [hoje, sexta-feira] a oficina é em Porto Velho. E, como sempre, estou com um iceberg na barriga, apesar do calorão do inverno amazônico. O que será que vai acontecer???”

[Eliane Brum]

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Amanhã, ainda em Porto Velho, das 9h às 18h, Fabio Malini fala sobre Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede. O endereço:

Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira

Rua José Amador dos Reis, nº2938, Bairro JK1

Mais programação.

Notas do Norte: A história de um jornal histórico

E não é só o Rumos Itaú Cultural que conversa sobre blogs com a turma do Norte: a turma do Norte, por outro lado, também bloga sobre o Rumos. José Carlos Sá dá as boas-vindas à caravana recém-chegada a Porto Velho. Edna Samáira dá detalhes sobre a programação na mesma cidade e, em retrospectiva, o Coletivo Catraia faz um apanhado do que rolou em Rio Branco.

Será que tem mais? Tem mais sim, inquiridor leitor — mas fica pro próximo post, com direito a apresentação feita pela jornalista Eliane Brum, além de notícias de Porto Velho, quentes como, bem, um dia quente. Calma, curioso leitor, aceite um petisco enquanto isca: mais páginas do bloco de notas de Claudiney Ferreira, expedicionário do Rumos lá no Norte:

Histórias e Memória do Jornalismo no Acre

Capa da primeira edição do jornal Varadouro

Capa da primeira edição do jornal Varadouro

“Encontramos na Biblioteca Marina Silva, a Biblioteca da Floresta, o jornalista Elson Martins, decano do jornalismo acre(i)ano e que está na história da imprensa de resistência do Brasil com a edição do Varadouro – O Jornal das Selvas. O jornal foi editado em Rio Branco (AC) no período de 1977 a 1981, e foi a mais significativa experiência de imprensa alternativa e de ressitência à ditadura militar (1964/1985) no Estado do Acre. Sob o comando do Martins todas as edições do Varadouro estão em processo de digitalização no site da iblioteca. Por enquanto são 11 das 24 edições do jornal que tratou das mazelas de seringueiros, posseiros e índios do Acre. Cada edição de Varadouro rodava 7 mil exemplares quando Rio Branco contava com 100 mil habitantes. Hoje, com 400 mil habitantes, os quatro jornais da capital acre(i)ana rodam cinco mil exemplares.”

[Claudiney Ferreira]

A Bahiiiiiiiiaaaaaa…

Praia do Rio Vermelho, Salvador, clicada por Roberto Cruz

Praia do Rio Vermelho, Salvador, clicada por Roberto Cruz

Estação primeira do Brasiiiiiil: ”A caravana Rumos não poderia deixar de passar por lá” – Roberto Cruz acrescenta à caetânica canção, assoviada a favor do vento salgado da salvadora orla. Sim, matinal leitor: o Rumos está no Norte, mas também no Nordeste. Fácil de entender, visto que também está aqui. E é de lá de onde se escreveu a primeira carta que Roberto envia seu relato. Por email, apressado leitor, por email. Que diz assim:

“Os encontro aconteceram no auditório da FACOM – Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Fomos recepcionados pelos professores André Lemos, Wilson Gomes e Karla Brunet – esta última professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA. O público era jovem, a maioria formado por estudantes da própria faculdade e por mais outros tantos realizadores, pesquisadores e interessados nos rumos da arte e da cultura brasileira”.

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Gilbertto Prado

“Gilbertto Prado falou no primeiro dia e abriu um mosaico de informações e referências das artes tecnológicas de seu notebook. Passaram na tela: de Helio Oiticica a Nam June Paik; da Apollo 11 ao MIT; do computador análogico aos inputs e outputs da arte móvel”.

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Patrícia Moran

“No dia seguinte Patrícia Moran traçou um panorama da produção dos artistas interessados na edição e criação de obras audiovisuais em tempo real. Definiu e exemplificou o que são as performances de VJs e os recursos tecnológicos disponíveis para estas peripécias”.

Assim falou nosso missivista e representante do Rumos Cinema e Vídeo, diretamente da terra do vatapá, com as bênçãos de Iemanjá, das metamorfoses de Raul e do que é que a bahiana tem, sim senhor. Mas não, não desconecte, plugado leitor, que logo logo tem mais. A não ser, é claro, que tenha uma caravana Rumos pertinho de você.

Rio [Branco] 30º

Alô-alô, respeitável leitor: mais rumores vindos do Acre chegam à virtual redação deste blog, enviados pela caravana Rumos 2009. Fabio Malini postou. Eliane Brum, generosamente, falou por email: “Estou adorando o Acre. Neste momento, estou com um cansaço feliz, dá vontade de chorar de tão bom”. E o expedicionário Claudiney Ferreira, representante do Itaú Cultural na empreitada amazônica, mandou numa série de notas sua crônica pessoal deste acalorado Rio Branco, estes textos que se seguem:

“Acreanos X Acrianos” faz o tempo esquentar ainda mais no Norte

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Rumos 2009 no calor de 30º de Rio Branco

A nova ortografia causa mal estar entre os acreanos. Acreanos, não, acrianos, segundo os gramáticos da Comunidade de Língua Portuguesa. Os acreanos começam a organizar um movimento pelo direito de ser acreano. Não acriano. O jornalista Altino Machado, o mais conhecido blogueiro acreano [que possui entre seus leitores figuras como Zuenir Ventura e Ricardo Noblat], é um dos líderes do movimento.

Ainda sobre Acrianos X Acreanos

Os "oficinandos" e as ferramentas

Os "oficinandos" e as ferramentas

Gilberto Quinari – participante da oficina Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede, ministrada por Fabio Malini – postou no blog da oficina sua opinião sobre a polêmica mudança do e pelo i no genitivo acreano. Confira.

 

Bibloteca da Floresta, Personagens e Blogs

Biblioteca da Floresta e um belo dia

Biblioteca da Floresta e um belo dia

As atividades do Rumos 2009 ocorreram na Biblioteca Marina Silva – a Biblioteca da Floresta, como também é conhecida, por abrigar em seu acervo apenas livros que tratam da Floresta Amazônica. Localizada no Parque da Maternidade, a biblioteca é um lugar muito bem estruturado e agradável. Dia 24, a oficina da jornalista Eliane Brum, Em Busca do Personagem, recebeu 40 inscritos: a lotação máxima. Das 9h às 18h, a turma formada por estudantes, jornalistas e profissionais de cinema trabalhou a construção do personagem na reportagem jornalística.

Uma das atividades propostas por Eliane foi os "oficinandos" se apresentarem enquanto personagens

Uma das atividades propostas por Eliane foi os "oficinandos" se apresentarem enquanto personagens

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Nos próximos capítulos deste blog: Roberto Cruz fala da Bahia, e Sonia Sobral manda sinais de Natal. Mas não fique aí parado esperando, proativo leitor — confira a programação Rumos Itaú Cultural para os próximos dias e apareça pruma prosa:

João Pessoa, PB: 26 de março, Teatro Lampião da Universidade Federal da Paraíba

26/03 — Palestra Processos de Criação, com Gilbertto Prado e Palestra Pré-determinação e adaptabilidade (O corpo em questão no Grupo Cena 11), com Alejandro Ahmed

Recife, PE: 26 e 27 de março, Fundação Joaquim Nabuco

26/03, às 19h – Palestra Processos de Criação, com Cecília Almeida Salles

27/03, das 14h às 17h — Oficina Introdução à Web Colaborativa, com Viktor Chagas

27/03, às 19h — Palestra A experimentação como acontecimento do agora, no agora, com Patrícia Moran

Porto Velho, RO: 27 e 28 de março, Escola Municipal Ulisses Soares Ferreira/Secretaria Municipal de Educação

27/03, das 9h às 18h — Oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, com Eliane Brum

28/03, das 9h às 18h — Oficina Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede, com Fábio Malini

Endereço:

Rua José Amador dos Reis, nº2938, Bairro JK1

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Notas de Rio Branco: Claudiney Ferreira

Crédito das fotos: Val Fernandes

Saudações amazônicas de Fabio Malini

Sim, intrépido leitor, o Rumos foi longe desta vez: embrenhou-se nos encantos dos recantos da região Norte e de lá manda notícias. “Desta vez” é modo de falar, claro, tanto por isso quanto porque foi longe sim, mas está exatamente aqui.

Mas falávamos de longe: depois da jornalista Eliane Brum, quem agora entra na roda do Rumos Itaú Cultural 2009 é Fabio Malini, também jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, que inaugura hoje em Rio Branco (AC) a oficina Blogs, Estilos Textuais e a Construção da Reputação em Rede.

Por sinal fique ligado, ligadíssimo leitor, que é provável que role transmissão ao vivo da jornada. Sério mesmo, Malini? “Quero transmitir ao vivo sim. Já percebi que há uma intermitência do meu 3G aqui, mas vou tentar transmitir com uma webcam via Joost“, persevera. 

Embora seja sua primeira participação na caravana, o oficineiro e o Rumos estão longe de serem desconhecidos um do outro. No fim do ano passado, Malini participou do seminário de encerramento do Rumos Jornalismo Cultural 2007-2008, falando sobre o impacto dos blogs na produção tradicional de notícias. Hmmm, blogs. Voltamos a eles então? Confira o depoimento do longínquo rumeiro sobre o alcance dos blogs, a produção cultural da região Norte e a arte de olhar.

A oficina

“A oficina surgiu como uma forma de fazer um encontro com a turma que está a produzir blog em terras amazônicas. O blog, sem sombra de dúvida, é hoje um plataforma que revitaliza vários gêneros literários. Mas, mais importante, inventa outros. Então há uma urgência de cartografar quem são e o que produzem esses novos sujeitos do discurso no largo campo da opinião e da comunicação”.

“A oficina busca assim promover um encontro que se realiza de dupla forma, através da socialização de conhecimentos sobre os estilos literários e não-literários atuais da blogosfera e, ao mesmo tempo, da publicação de conteúdos gerados por essa turma neste blog“.

A região 

“Acredito que a escolha pela região Norte é feita de coragem, porque é uma região que tem um nível de produtividade blogueira que não está atrás de nenhuma outra região. Seu afastamento territorial dos grandes centros nacionais fez criar nesse território uma dinâmica de construção de identidade própria sem se fixar a um isolamento da cultura”.

“Então a blogosfera amazônica tem essa peculiaridade de se conectar a todos e manter os ideais da florestania. Quem pensa que a cultura se resume à aglomeração, esquece que ela é, antes de tudo, produção de formas de vida singular. E aqui tem inúmeras. Detalhe: a Amazônia está logo ali: no Twitter, na Blogosfera, nas Mídias Sociais…É só reconverter o olhar”.

***

Acertou em cheio, sagaz leitor, ao pensar aí com seus botões: “mas tem Rumos em outros lugares do Brasil também”. A semana é de Norte/Nordeste, e além da oficina em Rio Branco hoje também tem a palestra Processos de Criação na Dança, que o artista Vanilton Lakka leva a Natal (RN). A conversa acontece às 19h, no Teatrinho do Dep. de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E não pára por aqui não, ó:

João Pessoa, PB: 26 de março, Teatro Lampião da Universidade Federal da Paraíba

26/03 — Palestra Processos de Criação, com Gilbertto Prado e Palestra Pré-determinação e adaptabilidade (O corpo em questão no Grupo Cena 11), com Alejandro Ahmed

Recife, PE: 26 e 27 de março, Fundação Joaquim Nabuco

26/03, às 19h – Palestra Processos de Criação, com Cecília Almeida Salles

27/03, das 14h às 17h — Oficina Introdução à Web Colaborativa, com Viktor Chagas

27/03, às 19h — Palestra A experimentação como acontecimento do agora, no agora, com Patrícia Moran

[Confira a programação para a sua cidade aqui.]

Eliane Brum: Alma inquieta de rumeira

A jornalista Eliane Brum

"Uma viagem como essa é sempre uma oportunidade para atravessar a rua de si mesmo"

Eliane Brum parece ser daquelas pessoas cujo texto carrega o seu próprio DNA, sua personalidade, ou outro nome qualquer que se queira dar àquela capacidade que certos autores possuem de dizer “este texto aqui é meu” com a mesma propriedade com que diriam “este coração aqui dentro é meu”. Parece sim, e causa tão forte esta impressão que embora eu a tenha visto apenas através de reportagens que escreveu e de alguns curtos emails que trocamos antes dela embarcar rumo ao norte do país com a caravana Rumos, ainda assim foi bem fácil encontrar gente que a viu um pouquinho mais de perto e concorda.

A jornalista ministra hoje em Rio Branco (AC) a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, que também levará a Porto Velho (RO), Macapá (AM), Boa Vista (RR) e Belém (PA). Eliane é repórter especial da revista Época, tem uma história de 20 anos na profissão e mais de 40 prêmios de reportagem ao longo deles, entre os quais o Esso, o Vladimir Herzog e o da Sociedade Interamericana de Imprensa. É também autora dos livros O Olho da Rua, A vida que ninguém vê e do esgotadíssimo Coluna Prestes: O avesso da lenda, além de co-diretora e co-roteirista do documentário Uma história severina. No corre-corre do fim de semana entre o fechamento da revista e a viagem, falou a este blog sobre a participação no Rumos, o carinho pela região Norte e coceiras na alma:

Como se deu o contato com o Rumos Itaú Cultural?

É minha primeira particição no Rumos como “oficineira”. Sempre achei o Rumos um projeto muito bacana, mas só acompanhava pela  programação. Agora, acho que sou uma “rumeira”. E eu gosto muito de todas as possibilidades que essa palavra contém.

 Como surgiu a proposta da oficina?

Em 2006 (ou 2007, não tenho certeza), eu participei de um bate-papo sobre personagens num evento promovido pelo Itaú Cultural, a convite do Claudiney Ferreira. Eu acabara de lançar um livro de reportagens sobre personagens anônimos, A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, 2006). Foi uma ótima experiência. Desde então, tenho acompanhado mais a programação do Itaú Cultural como curiosa. No início desse ano, o Claudiney me ligou para conversar sobre a proposta da oficina. Combinamos um café numa esquina do bairro Higienópolis, em São Paulo, e lá ele me contou sobre a idéia de fazer uma oficina de reportagem, com ênfase na construção de personagens. Eu adorei a idéia, mas não sabia se conseguiria conciliar a empreitada com meu trabalho na Época e com meus outros projetos paralelos. Entre eles, um documentário para montar. Eu sempre faço várias coisas ao mesmo tempo. Quando tomamos o tal café, eu estava saindo de férias por recomendação médica, estava seriamente estressada. Fiquei de dar a resposta na volta das férias. Mas não resisti e liguei aceitando no mesmo dia.

E a idéia de levá-la para a região Norte?

Foi justamente essa a parte que eu não resisti. Eu adoro o Norte do Brasil, vivi algumas das experiências mais extraordinárias da minha vida na Amazônia. Lá, mesmo quando é ruim, é bom. E os dois únicos estados do Norte que eu não conheço são Acre e Rondônia. Então, desde que o Claudiney fez o convite, fiquei com uma coceira na alma (e nos pés). Tive de aceitar. E estou muito animada. Vou ensinar o melhor do que eu sei, mas espero aprender muito com as pessoas de lá. Uma viagem como essa é sempre uma ótima oportunidade para atravessar a rua de si mesmo e ver o mundo – e a própria vida – de outros ângulos.

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Crédito da foto: Lili Clareto